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Nesta reflexão, tento abordar aspectos a serem considerados pelo professor de português brasileiro que se propõe a relacionar literatura e cultura na sala de aula em detrimento de uma prática limitada a leituras superficiais e descontextualizadas do texto literário. Para tanto, volto-me a aspectos como: materialidade linguística, conexão entre literatura e língua, linguagem literária, significação cultural, patrimônio cultural, leitura e produção, história sociocultural, intra e intertextualidade, abordagens de leitura e responsividade.

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Crédito: © ra2 studio

O uso de textos literários no ensino de língua materna é visto como de maior importância por José Luiz Fiorin em seu artigo “Linguística e pedagogia da leitura” (2004), publicado na revista Scripta. A relevância apontada pelo linguista recai muito mais sobre a materialidade linguística do texto literário do que sobre questões estéticas, que ficariam em segundo plano. Aqui se tem a leitura focada na língua em uso, acima da beleza das palavras escolhidas pelo escritor.

De certo modo alinhada com Fiorin, no livro “O texto na sala de aula” (2011), Ligia Leite atribui ao avanço dos estudos em Linguística e Teoria Literária a possibilidade de reconhecer que a literatura trabalha com as palavras e, por isso, quem estuda literatura também estuda língua. Particularmente, identifico-me com essa posição na condição de professora de português brasileiro (PB), cuja especialidade é a Linguística Textual.

Pelo mesmo motivo apresentado, Leite (2011) produz sua crítica ao ensino compartimentado de língua e literatura, como se as duas disciplinas fossem saberes desintegrados. A autora inclusive pontua que, dentre todos os usos possíveis, a linguagem literária é uma das opções, assim como o uso referencial no cotidiano, o uso culto ensinado nas escolas. Outra observação interessante de Leite concerne à construção da verossimilhança nas falas de personagens de ficção, efeito buscado pela literatura no tocante a especificidades (classe social, escolaridade, cultura, idade, etc.) da linguagem oral.

Nas palavras de Fiorin (2011), o texto literário mobiliza todas as dimensões e funções da linguagem e com isso tem potencial de tratar da realidade tal como é ou subvertê-la. Ensinar PB com textos literários nessa perspectiva implica uma compreensão macrossemiótica gerada por simbologias culturais acerca de sistemas de significação: do mundo natural e das línguas naturais. Neste ponto, através de Fiorin dialogo com a teoria greimasiana para sustentar que a literatura e outras artes funcionam como “reservatório de signos”, sendo multiplicadores de significação.

Para explorar a significação de textos literários na aula de PB, por exemplo, não cabe apenas tratá-los como patrimônio cultural, objeto de história literária ou obra consagrada pela crítica. Segundo Leite (2004), essa abordagem traduz uma tradição escolar de visão elitista, em que o ensino mantém-se sob o molde da preservação e da recepção estática e, a meu ver, distancia-se da construção do conhecimento e do senso crítico. A descrição de tal prática não deveria fazer parte de concepções e interesses de qualquer instituição de ensino, porque não agrega nada ao desenvolvimento social de um cidadão, de uma comunidade.

O que cabe no ensino de PB é a leitura crítica e a produção de textos com fins literários. De modo inegável, os dois processos solicitam a articulação de elementos intra e interdiscursivos. Assim coloca Fiorin (2004) quando se reporta à pedagogia da leitura e redação, que entendo como o conjunto de métodos e teorias necessários à interpretação/produção textual, conjunto alheio à existência exclusiva de fonte de inspiração para a escrita do aluno. Isto posto, reconheço que o envolvimento com o texto literário não prescinde de inspiração nem depende somente dela. Considero que a interação competente com essa variedade de texto e linguagem é passível de desenvolvimento, pois depende na verdade do acesso ao conhecimento de mundo ou à história sociocultural.

De acordo com a exposição de Fiorin (idem), o trabalho pedagógico com o texto literário conjuga teorias do texto e do discurso com a finalidade de explicitar os sentidos ou as intenções da obra literária. Tem papel agregador nessa proposta, dentre outras teorias, fundamentos da Análise do Discurso (AD) de linha francesa, Semiótica francesa e Linguística Textual. Vejamos brevemente quais pontos das teorias podem interessar.

No campo da AD francesa, as noções de heterogeneidade constitutiva de Bakhtin (discurso indireto depreensível em todo texto) e heterogeneidade mostrada de Authier-Revuz (marcada explicitamente por aspas, discurso direto, etc.; não marcada por discurso indireto livre, alusões, ironias, etc.) habilitam o leitor a acessar os discursos subjacentes ao inventário cultural que constituem o sentido do texto literário. Assim temos o enfoque da interdiscursividade.

A Semiótica francesa, representada por Greimas e seguidores, oferece preceitos para o estudo intradiscursivo do texto literário. Por este viés teórico, há condições para tratar da estruturação textual, organização narrativa, temas e figuras, actorialização (estabelecimento da pessoa, ator), temporalização (relações de tempo na enunciação), espacialização (determinação do espaço), só para citar algumas opções de estudo que levariam ao reconhecimento dos enquadres culturais criados no texto literário.

Com a Linguística Textual, é pela dimensão de construção da coerência e coesão que se pode abordar o texto literário. Em “As cadeias do texto”, Roncarati (2010) trata da reconstrução de cadeias referenciais, um recurso facilitador da leitura e interpretação. Ao cercar os movimentos de introdução, preservação, continuidade, reconfiguração e retomada de referentes textuais, verifica-se a trajetória evolutiva do texto em termos de sequenciação lógica ou disposição de ideias minimamente correlacionadas (a coerência) e de sequenciação referencial ou progressão do fluxo de informações (a coesão). Pode parecer complicada a leitura de texto literário com foco na construção da referência, todavia, acrescento que com olhar voltado para expressões de língua natural, conforme a proposta de Fiorin (2004), o aluno pode chegar à significação do mundo natural onde as culturas são originadas.

No caso da obra de ficção Utopia Selvagem, de Darcy Ribeiro, a aplicação das noções da AD contribuiria para o reconhecimento da relação dialógica com o romance Macunaíma, de Oswald de Andrade, conforme apontei no artigo “A brasilidade e a identidade latino-americana em Utopia Selvagem” (2009), publicado na revista Travessias. Da semiótica greimasiana, através das noções concernentes ao estabelecimento de pessoa-tempo-espaço poderia ser guiada uma leitura de modo a observar os usos de formas pronominais, verbais, adverbiais e circunstanciais que, de algum modo, atuam no enredo da narrativa de Ribeiro. Como última proposição prática, direcionada por teorias do texto, sugiro o exercício de refazer cadeias referenciais para identificação do perfil dos personagens da obra do antropólogo.

De que maneira então trabalhar produtivamente com o texto literário no ensino de PB sem perder de vista os aspectos culturais que compõem os sentidos desse tipo de produção? De um lado, digo que é na perspectiva da recepção/compreensão ativa e da reação/produção responsiva, seguindo a teorização bakhtiniana. De outro lado, é através da leitura crítica, relacionada a outras fontes textuais e enquadres culturais, orientada pelo professor para o alcance de interpretações aceitáveis dos textos. É também por meio da produção livre de outros textos sob propósitos literários, demonstrando compreensão consciente, seja pela adesão, seja pela contraposição, em relação ao sentido geral do texto literário que serve de referência inicial.

Compartilho duas propostas de avaliação para turmas de 9º ano. Através delas, apresento um conjunto de exercícios para verificar as habilidades de:

- leitura e compreensão de textos verbal e não verbal (vídeos publicitários, tirinhas do personagem Armandinho);

- reflexão linguística (usos de plural de nomes compostos, adequação de ortografia, pontuação e repetições);

- análise linguística (reconhecimento e criação das estruturas de frase, oração, períodos simples e compostos);

- produção textual (avaliada sob os critérios de coesão, coerência, criatividade, argumentação, ortografia, pontuação).

Para responder o exercício 1 de leitura e compreensão de cada avaliação será preciso exibir os respectivos vídeos publicitários (disponíveis no site Youtube):

Proposta 1: título “Bebeto estrela comercial do novo GOL”.

 

Proposta 2: título “Porta da escola Volkswagen”.

 

Por fim, os links com as duas versões de avaliações: teste1 e teste2.

 

 

 

Os Cadernos de Semiótica Aplicada (CASA), Qualis B1, têm como objetivo divulgar e debater análises e reflexões teóricas sobre a linguagem, com a finalidade de promover o desenvolvimento científico e institucional das várias correntes metodológicas que estudam o texto e o discurso, com ênfase nas teorias semióticas contemporâneas.

Prazo para submissão até 15/08/2014 (Vol. 12, n. 2 – Dezembro de 2014)

Informações: http://seer.fclar.unesp.br/casa/index

 

RevistaVocábulo: Revista de Letras e Linguagens MidiáticasISSN: 2237-3586 (Qualis B4), publicada pelo curso de Letras do Centro Universitário Barão de Mauá.

Chamada aberta para submissão de originais até 31/05/2014.

Área temática: estudos literários e estudos linguísticos.

Trabalhos devem ser remetidos ao e-mail  revistavocabulo@baraodemaua.br, com cópia para o e-mail revistavocabulo@yahoo.com.br. Obtenha maiores detalhes no site da Revista Vocábulo.

 

Revista de Estudos Linguísticos VEREDAS Online (Qualis A2)

Está aberta a chamada para volume atemático 18 nº 2, da Revista de Estudos Linguísticos Veredas, a ser publicado no segundo semestre deste ano. Prazo para submissão até 26/05/2014.

Informações: http://www.ufjf.br/revistaveredas/2014/02/10/chamada-volume-18-no-2/

 

Revista do GEL (Qualis A2) recebe trabalhos em fluxo contínuo e com eles organiza números semestrais. A Comissão Editorial, ao comunicar a aprovação de um texto a seu(s) autor(es), indica também o número da revista em que ele deverá ser publicado.

Informações pelo link: http://www.gel.org.br/novo/revista-gel/index.php

 

Revista Signótica, Revista do Programa de Pós-Graduação em Letras e Linguística da Faculdade de Letras – UFG (Qualis B1). Volume 25. Nº 2. Chamada aberta para  submissão de trabalhos até 01/07/2014.

Tema: Estudos Linguísticos.

Maiores informações no site da Revista Signótica.

 

Revista Desenredo

Volume 10, n. 2, jul./dez. 2014

Chamada aberta para submissão de originais até 08/08/2014.

Tema: Leitura, produção discursiva e multimodalidade.

Obtenha maiores informações pelo email:  mestradoletras@upf.br e no site da Revista Desenredo.

 

Caderno Seminal Digital

Chamada aberta para nº 21 até 27/04/2014.

Tema: Homorrepresentações ficcionais, sob organização dos Professores Doutores Flavio García (UERJ) e Fabio Figueiredo Camargo (UFU).

Chamada aberta para nº 22 até 20/06/2014.

Dossiê: Estudos do léxico português

Editores: Prof.ª Dr.ª Darcilia Simões (UERJ-Seleprot/BR) e Prof.ª Dr.ª Helena Valentim (UNL/PT)

Maiores informações: http://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/cadernoseminal/index

 

International Journal of Research in Education Methodology

Chamada aberta para publicação de artigos, resenhas, caso de estudo e relatórios.

Maiores informações no site: http://www.cirworld.com/index.php/IJREM/index

 

Revista EID&A – Revista Eletrônica de Estudos Integrados em Discurso e Argumentação

Prazo para submissão de artigos: 01/08/2014

Previsão de publicação da revista nº7 em dezembro de 2014.

Para mais informações: http://www.uesc.br/revistas/eidea/index.php?item=conteudo_normas.php
 

Revista Linguagem em Foco

Vol. 6, n. 1 – número diversificado com prazo para entrega do material até 30/04/14.

Vol. 6, n. 2 – número temático sobre “Variação Linguística e Léxico”, com prazo para entrega do material até 30/06/14.

Normas e outras informações no site da Revista Linguagem em Foco. http://www.uece.br/linguagememfoco/

 

Revista Caracol, uma publicação semestral da Área de Língua Espanhola e Literaturas Espanhola e Hispano-Americana do Departamento de Letras Modernas da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo.

Chamada aberta para submissão de artigos até 20/06/2014.

Tema “Música e Linguagens”.

Consulte normas e outras informações.

 

Cadernos do Tempo Presente

Chamada de artigos e resenhas (fluxo contínuo).

Os textos devem ser enviados por e-mail: caderno@getempo.org.

A resposta para a candidatura será divulgada em até 180 dias.

 

Bakhtiniana. Revista de Estudos do Discurso.

Volume 9/Número 2 – a ser publicada em novembro de 2014

Tema: Letramento e contemporaneidade

Prazo prorrogado para submissão dos originais: 28/04/2014

Volume 10/Número 1 – a ser publicada em junho de 2015

Tema: Discurso literário: diálogo entre arte e cotidiano

Prazo para submissão dos originais: 10/08/2014

Normas de submissão e maiores informações.

 

Revista Miscelânea

Aberta chamada para publicação de artigos até 25/04/2014.

Dossiê: “Revolução e independências: nos 40 anos do 25 de abril”

Normas e outras informações.

 

Millenium. Revista do Instituto Politécnico de Viseu (Portugal)

Aberta chamada de colaborações de tema livre em fluxo contínuo.

Normas e outras informações: http://www.ipv.pt/millenium/

 

Revista Carandá

Aberta chamada para publicação de artigos em fluxo contínuo.

Normas e outras informações: http://cpan.ufms.br/old/index.php?option=com_content&view=category&layout=blog&id=48&Itemid=205

 

Revista Línguas & Letras, publicação semestral do Programa de Pós-Graduação em Letras, vinculado ao Centro de Educação, Comunicação e Artes da Unioeste — Campus de Cascavel.

Aberta chamada para publicação de artigos nas áreas de Estudos Linguísticos e Estudos Literários, em fluxo contínuo.

Normas e outras informações em: http://e-revista.unioeste.br/index.php/linguaseletras

 

Revista EUTOMIA – Revista De Literatura e Linguística (Qualis B1)

Chamada de trabalhos – n.13, v. 01, 2014

Dossiê de Linguística:“Contribuições do Interacionismo Sociodiscursivo para o ensino e a aprendizagem de línguas”

O interacionismo sociodiscursivo, que tem por fundamento a atividade de linguagem como a base das relações sociais e como fator decisivo do desenvolvimento psicológico humano, vem se consolidando como um quadro teórico-metodológico importante para o ensino e a aprendizagem de línguas. Como forma de homenagem ao seu mentor Jean-Paul Bronckart, convidamos docentes, pesquisadores e pós-graduandos para apresentarem artigos que mostrem diferentes utilizações desse quadro teórico em situações de ensino e de aprendizagem de línguas. O objetivo desta publicação é compor um amplo repertório de contribuições que enfatizem a solidez do interacionismo sociodiscursivo. Os artigos e ensaios devem ser interpretativos e analíticos. Aceitam-se contribuições em português, inglês, espanhol e francês.

Dossiê de Literatura: “Osman Lins, 90 Anos”

Em comemoração aos 90 anos de Osman Lins, em julho de 2014, convidamos docentes, pesquisadores, pós-graduandos e críticos literários para apresentarem artigos sobre as diferentes facetas de sua obra e sobre sua atuação como intelectual nos anos de 1960 e 1970. O objetivo desta publicação é compor um amplo quadro de recepção do autor, que enfatize a solidez e a atualidade de sua obra literária, dramática e ensaística. Os artigos e ensaios devem ser interpretativos e analíticos.

Prazo para submissão até 30/06/2014.

Informações pelo link: http://www.repositorios.ufpe.br/revistas/index.php/EUTOMIA/announcement/view/15


Revista Linha D’Água (Qualis B2)

Chamada: Número 27 /2 a ser publicado em dezembro de 2014

Tema: Léxico, Discurso e Ensino

As discussões em torno das concepções do léxico da língua portuguesa do ponto de vista discursivo estão centradas nas várias perspectivas teórico-analíticas e também se abrem para as discussões relacionadas ao ensino.

Prazo limite para entrega dos originais: 30/08/2014

Chamada: Número 28 /1 a ser publicado em junho de 2015

Tema:Tecnologias contemporâneas no ensino de língua portuguesa

Discussões relacionadas a práticas diversas de ensino e aprendizagem da língua portuguesa em ambiente digital: material didático em várias mídias, ferramentas de autoria e escrita colaborativa, objetos de aprendizagem, atividades práticas e demais análises sobre as singularidades discursivas advindas da utilização da tecnologia digital no ensino de língua materna e estrangeira.

Prazo limite para entrega dos originais: 30/03/2015

Informações pelo link: http://www.revistas.usp.br/linhadagua

 

Cadernos de Linguagem e Sociedade – eISSN 2179-4790 – ISSN 0104-9712, (Qualis B1)

Chamada para o vol. 15(1)2014

Para o primeiro volume de 2014, Cadernos de Linguagem e Sociedade abre espaço para artigos de distintas abordagens teórico-metodológicas, mas que contemplem a dimensão discursiva de linguagem. Data prevista para publicação: 11 de julho de 2014.

Prazo limite para submissão: 11/05/2014

Informações: http://seer.bce.unb.br/index.php/les/announcement/view/213

 

Bakhtiniana: Revista de Estudos do Discurso, ISSN 2176-4573

Chamada para o Vol. 9/Número 2 – a ser publicado em novembro de 2014

Tema: Letramento e contemporaneidade

A necessidade de compreensão e produção dos diferentes letramentos tem se imposto aos estudiosos nos últimos tempos, e não apenas na área pedagógica. Considerando tanto a importância do tema quanto o fato de que o próprio Círculo de Bakhtin teria contribuições para o estudo da questão, convidamos pesquisadores e docentes que trabalham com a linguagem a submeterem artigos sobre LETRAMENTO E CONTEMPORANEIDADE para o vol.9, n.2 de Bakhtiniana (Qualis A1), que será publicado em novembro de 2014.

Prazo limite para submissão dos originais: 28/04/2014

Chamada: Volume 10/Número 1 – a ser publicado em junho de 2015

Tema: Discurso literário: diálogo entre arte e cotidiano

Bakhtin e os demais membros do chamado Círculo tiveram uma sólida formação literária, aspecto que está refletido, de diferentes maneiras, na maioria dos trabalhos que constituem a perspectiva dialógica da linguagem.

Prazo limite para submissão dos originais: 10/08/2014

Informações: http://revistas.pucsp.br/bakhtiniana

Crédito: stockfreeimages.com

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Revista Signo, publicação do Departamento de Letras e Priograma de Pós-Graduação em Letras da UNISC (Qualis B2).

Chamada de trabalhos:volume 39, nº 67, 2014

O objetivo desse número é reunir linhas de pesquisa em Linguística Cognitiva, tendo como foco as metodologias científicas empregadas nas investigações.

Prazo para submissão até 11/08/2014.

Informações: http://online.unisc.br/seer/index.php/signo/index

 

A Revista DLCV – Língua, Linguística & Literatura da Universidade Federal da Paraíba tem como objetivo divulgar estudos de caráter teórico, experimental ou aplicado, na área de conhecimento em Linguística e Letras e suas diversas interfaces, priorizando contribuições inéditas de autores vinculados a programas de pós-graduação. A revista publica artigos, ensaios, traduções e resenhas elaborados por profissionais vinculados ao ensino e à pesquisa nas áreas em questão, além de textos produzidos por alunos de pós-graduação. (Qualis B3)

O processo de submissão é contínuo e os artigos aceitos serão publicados de acordo com o fechamento de cada volume. São publicados 2 volumes por ano e 1 volume impresso.

Informações: http://periodicos.ufpb.br/ojs/index.php/dclv/index

 

A revista Estudos da Língua(gem), ISSN 1808-1355 – versão impressa ISSN: 1982-0534 -versão online (Qualis B1) é um periódico editado sob a responsabilidade do Grupo de Pesquisa em Estudos da Língua(gem) (Gpel/CNPq) e do Grupo de Pesquisa em Análise de Discurso (GPADis/CNPq), ligados à Área de Linguística do Departamento de Estudos Linguísticos e Literários, da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. Publica textos (resultados de estudos teóricos ou aplicados), preferencialmente, originais e inéditos, de interesse das áreas do domínio das Ciências da Linguagem e interfaces, em português, inglês, francês e espanhol.

Estão abertas chamadas para publicação dos seguintes volumes e números:

Vol. 12, n.2 (dezembro de 2014) – Prazo para submissão: 30/07/2014.

Vol.12, n.3, número especial (teses e dissertações) – Prazo para submissão: 30/07/2014.

Informações: http://estudosdalinguagem.org/seer/index.php/estudosdalinguagem/about/editorialPolicies#custom1

 

A revista Navegações (Qualis B3) é uma publicação semestral do Programa de Pós-Graduação em Letras da PUCRS e do Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias da Universidade de Lisboa e tem por objetivo a divulgação de trabalhos inéditos relacionados com as diversas literaturas de língua portuguesa e com as culturas dos países em que elas são produzidas.

Artigos submetidos entre 01/05 e 31/10 serão publicados no 1º semestre do ano seguinte.
Artigos submetidos entre 01/11 e 30/04 serão publicados no 2º semestre do ano em curso (última data).

Informações: http://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/navegacoes

 

Revista Linguagem & Ensino

Chamada para publicação de artigos até 20/06/2014.

Tema: “Linguagem, Sociedade e Tecnologia”

Maiores informações AQUI.

 

Revista fragmentum, ISSN 1519-9894, Eissn 2179-2194, Qualis B3

Fragmentum 42. Jul-Set de 2014. Literatura.

Tema: A Poesia e a Arte de William Blake e sua Recepção no Brasil

Prazo de envio até 30/06/2014.

Fragmentum 43. Out-Dez de 2014. Entrevista.

Ementa: Este número é dedicado à história de vida de Maria da Glória Bordini, uma das maiores estudiosas de literatura. O volume contará com uma entrevista da pesquisadora e, ademais, serão aceitos textos que discutam as contribuições de Maria da Glória Bordini no âmbito da pesquisa, da docência e da orientação acadêmica.

Prazo de envio até 30/09/2014.

Fragmentum 44. Jan-Mar de 2015. Linguística.

Tema:Linguagem e Sentido 

Ementa: Tratar da linguagem a partir dos modos como os sentidos nela são produzidos implica estabelecer relações entre questões semânticas, questões enunciativas e questões discursivas de diferentes ordens, de acordo com os pressupostos das teorias implicadas em nossas análises.

Prazo de envio até 30/12/2014.

Informações: http://cascavel.ufsm.br/revistas/ojs-2.2.2/index.php/fragmentum/pages/view/Chamadas

 

A Revista Educação em Questão (Qualis B1)é um periódico semestral do Centro de Educação e Programa de Pós-Graduação em Educação da UFRN, com contribuições de autores do Brasil e do exterior. Publica trabalhos de Educação sobre a forma de artigo, resenha de livro e documento histórico. Fluxo contínuo.

Informações: http://www.revistaeduquestao.educ.ufrn.br/apresentacao.html
A Revista Linguasagem, ISSN 1983-6988 (Qualis B3), está com chamada aberta para textos na área de estudos linguísticos e literários, além de seção para textos literários. As edições não possuem temas específicos. Edições ou dossiês temáticos possuem “chamadas” específicas.

Os trabalhos devem ser enviados (em fluxo contínuo, ou seja, em qualquer época do ano) por e-mail.

Informações: http://www.letras.ufscar.br/linguasagem/edicao20/

Esta é uma lista de obras recomendadas para leitura nos anos finais do Ensino Fundamental (especialmente 9º ano).

AGUIAR, Luiz Antonio. Corações partidos.

ALBERGARIA, Lino de; ARAGÃO, Marco. Chico, Edu e a oitava série.

ALCOTT, Louisa May. Mulherzinhas. São Paulo, SP: Nova Cultural, 2003.

ALVAREZ, Julia; CASTRO, Léa Viveiros de. No tempo das borboletas.

ANTONIO, João. Meninão do caixote.

ARBEX JÚNIOR, José. O poder da TV.

ARÊAS, Vilma; BRONTË, Emily; GUEDES, Avelino Pereira. O morro dos ventos uivantes. 13. ed.

BAGNO, Marcos. O espelho dos nomes.

BARDET, Daniel; BOIDE, Alexandre; NAWA, Rachid. As mil e uma noites. L&PM, 2012. (em quadrinhos)

BRANDÃO, Ignácio de Loyola. Não verás país nenhum. 27.ed. São Paulo, SP: Global, 2008

BRAZ, Júlio Emílio. Cenas urbanas.

BRENMAN, Ilan; VILELA, Fernando. África.

CAMPOS, Carmen Lúcia; SILVA, Joaquim da. Para gostar de ler, 35: gente em conflito. São Paulo, SP: Ática, 2011.

CARPINEJAR; ROSA, Rodrigo. Diário de um apaixonado: sintomas de um bem incurável.

CAZARRÉ, Lourenço. A casa sinistra.

CLAVER, Ronald. Diário do outro. 3. ed.

CLEMENT, Catherine; VIANA, Antonio Carlos; VIANA, André. O sangue do mundo.

COLASANTI, Marina. Longe como o meu querer. 4. ed. São Paulo, SP: Ática, 2006.

CORALINA, Cora. Estórias da casa velha da ponte.

COSTA, Wagner; BORGES, Rogério. Eu, Pescador de mim.

CURTIS, Christopher Paul; CÁRCAMO; FERRAZ, Geraldo Galvão. Minha família é um barato!

DIMENSTEIN, Gilberto. Aprendiz do futuro: Cidadania hoje e amanhã. 10. ed. São Paulo, SP: Ática, 2008.

DIMENSTEIN, Gilberto. Meninas da noite: a prostituição de meninas escravas no Brasil. 3. ed

DIMENSTEIN, Gilberto. O cidadão de papel: a infância, a adolescência e os direitos humanos no Brasil. 23. Ática, 2011.

FEIST, Hildegard; DICKENS, Charles; MAIA, Luiz. David Copperfield. São Paulo, SP: Scipione, 2009.

FRANK, Anne; FRANK, Otto H.; PRESSLER, Mirjam. O diário de Anne Frank: edição integral. 32. ed. Record, 2011.

GAARDER, Jostein. O mundo de Sofia: romance da história da filosofia. São Paulo, SP: Companhia das Letras, 2002.

GAARDER, Jostein; AZENHA JR., João. O dia do curinga.

GARCIA, Edson Gabriel. Cidadania agora.

GARCIA, Edson Gabriel. Contos de amor novo.

GARCIA-ROSA, Luiz Alfredo. Quarto de menina. 6.ed

GARCIA-ROZA, Livia. Cine Odeon: romance.

GLEISER, Marcelo. A dança do universo: Dos mitos de Criação ao Big-Bang.

GLEISER, Marcelo. A harmonia do mundo.

GODOY, Marcela,; PARES, Roberta. Romeu e Julieta. Belo Horizonte, MG: Nemo, 2011. 62 p. (Shakespeare em quadrinhos)

GOMES, Álvaro Cardoso; QUEIROZ, Eça de. A prima de um amigo meu.

HAWTHORNE, Nathaniel. A letra escarlate.

HEMINGWAY, Ernest; FERRO, Fernando de Castro; SQUEFF, Enio. O velho e o mar.

HONORE, Christophe; JAHN, Heloisa. Bem perto de Léo.

HUXLEY, Aldous; VALLANDRO, Lino. Admirável mundo novo. São Paulo, SP: Globo, 2009.

JAF, Ivan. Dona casmurra e seu tigrão.

JAF, Ivan. Longe dos olhos. 2. ed.

JAF, Ivan. O vampiro que descobriu o Brasil.

JOSÉ, Elias; BORGES, Taisa. Alice no país da poesia.

JOSÉ, Ganymedes; SANTALIESTRA, Eduardo. A ladeira da saudade. 31. ed.

MACEDO, Joaquim Manuel de. A moreninha. São Paulo, SP: M. Claret

MACHADO, Ana Maria. Uma vontade louca. 2. ed

MANGUEL, Alberto. Contos de amor do século XIX.

MARINHO, Jorge Miguel; BRANDÃO, Lúcia. O cavaleiro da tristíssima figura

MILLER, Arthur; SILVA, Rui Guedes da. As bruxas de Salém.

MORAES, Vinícius de; FERRAZ, Eucanaã. Para viver um grande amor, 1962. São Paulo: Companhia das Letras, 2011.

MURRAY, Roseana; LLINARES, Alberto. Pequenos contos de leves assombros.

NICOLELIS, Giselda Laporta. O milagre de cada dia. 3. ed.

NUNES, Lygia Bojunga. O abraço. 5. ed. Rio de Janeiro, RJ: Casa Lygia Bojunga, 2010.

OLIVEIRA, Rui de. Três amores. 2. ed.

ORWELL, George. A revolução dos bichos.

ORWELL, George; HUBNER, Alexandre; JAHN, Heloisa. 1984. São Paulo, SP: Companhia das Letras, 2009.

PARA gostar de ler: nós e os outros : histórias de diferentes culturas. 2. ed.

QUINO. 10 anos com Mafalda.

REY, Marcos; RABELO, Allan. Diário de Raquel. São Paulo: Global, 2011.

REZENDE, Stela Maris; CARDON, Laurent. A mocinha do mercado central.

SABINO, Fernando. Amor de Capitu.

SCLIAR, Moacyr. No caminho dos sonhos. 4. ed.

SCLIAR, Moacyr; CÁRCAMO. Ataque do comando P.Q.. São Paulo, SP: Ática, 2009.

SILVINO, Laerte.; ASSIS, Machado de. Conto de escola: em quadrinhos.

SWINDELLS, Robert. Frio como pedra.

TAVARES, Ulisses. Viva a poesia viva.

TELLES, Lygia Fagundes. Antes do baile verde. 16.ed.

TELLES, Lygia Fagundes. Oito contos de amor. 4. ed.

VILELA, Luiz. Boa de garfo e outros contos.

VILELA, Luiz. Contos da infância e da adolescência. 3. ed.

ZEPHANIAH, Benjamin. Gangsta rap.

*** Sugestão de ficha de leitura.

ficha de leitura

 

 

Seguem algumas sugestões de atividades para o estudo do tema empréstimos linguísticos no 9º ano do EF.

A) Leitura e interpretação de texto instrucional.

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B) Elaboração coletiva do infográfico “Empréstimos Linguísticos no Português Brasileiro”, utilizando palavras previamente pesquisadas pela turma e conteúdo do material da atividade A.

mapa empr licosVersão para impressão (formato de folha A3): PDF2

C) Atividade de aplicação de conhecimentos sobre empréstimos linguísticos (planejada a partir de levantamento de usos inadequados em produções textuais de termos como “facebook“, “twitter“, “orkut” etc).

Objetivo: compreender a diferença da grafia de nomes próprios de origem estrangeira (especificamente de sites, programas, aplicativos, jogos etc.) em logotipos, endereços eletrônicos e textos escritos; a proposta é que o aluno complete o quadro com as formas usadas no texto escrito.

logotipos

 

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Até o presente momento sabia apenas que Stella Maris Rezende era a autora do livro O artista na ponte num dia de chuva e neblina e, não por acaso, me identifiquei com seu dizer sobre a escrita:
“Quem quer escrever, escreve.
Principalmente, se terminou de ler um livro maravilhoso.
Um livro maravilhoso escreve outros livros dentro da gente.
É preciso saber ler esses livros dentro da gente.
Eu disse que sou escritora.

Mas para que isso seja intenso e verdadeiro, sou leitora, a todo instante, de modo apaixonado, com angústia e com alegria, sou leitora, cada vez mais.”

Algumas de suas obras de literatura infanto-juvenil:

stella

Caros leitores,
Crédito: Editora UEPG

Crédito: Editora UEPG

UniLetras acaba de publicar seu último número em
http://www.revistas2.uepg.br/index.php/uniletras. 
Convidamos a navegar no sumário da revista para acessar os artigos e itens de interesse.

Agradecemos seu interesse em nosso trabalho,
Marly Catarina Soares
UEPG

UniLetras
Vol. 34, No 2 (2012)
Sumário
http://www.revistas2.uepg.br/index.php/uniletras/issue/view/376

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Primeiras Páginas
	Marly Catarina Soares

Apresentação
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APRESENTAÇÃO
	Marly Catarina Soares

Dossiê temático
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As representações sociais de estudantes de Ensino Fundamental Público sobre o ensino de
Língua Inglesa (139-156)
	Ederson Henrique de Souza Machado,Didiê Ana Ceni Denardi

Em defesa da aprendizagem de inglês na escola pública: considerações sobre crenças de
alunos adolescentes (157-170)
	Fernando Silvério de Lima

FIGURAÇÕES DA IMPORTÂNCIA DO LATIM NA OBRA A REPÚBLICA DOS BUGRES DE RUY TAPIOCA (171-182)
	Oliveira Mello Mello

O APARTHEID NA LITERATURA: A MORTE DE UM FILHO (1996), DE NJABULO NDEBELE (183-195)
	Silvio Ruiz Paradiso, Samira Corrêa Chaim

Reflexos de um cotidiano: Utilização da língua portuguesa pelos descendentes
italianos (197-205)
	Nauria Inês Fontana

A MELANCOLIA DO RISO: VIAGENS IMAGINÁRIAS DE UM NARRADOR (207-218)
	Eduarda da Matta

Artigos Tema Livre
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MARCADORES CONVERSACIONAIS DAS LÍNGUAS PORTUGUESA E ESPANHOLA: UM ESTUDO COMPARATIVO E
CONTRIBUIÇÕES PARA O ENSINO/APRENDIZAGEM DE LÍNGUAS (221-229)
	Valeska Gracioso Carlos

O ENSINO DA LEITURA COMO PROCESSO DA PRÁTICA PEDAGÓGICA (231-241)
	José Aroldo Silva

Panorama das atividades propostas para as práticas de leitura nos LDs,segundo a concepção
de Bakhtin (243-253)
	Juliana Cemin

Vícios de Linguagem e Idiotismos: a fala como unidade de estudos nas gramáticas normativas
brasileiras em língua portuguesa – 1881-1959 (255-265)
	Ednei Souza Leal

Resenha
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RESENHA (269-272)
	Simone Maria Rosseto

Entrevista
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Helena Kolody – um século de poesia (275-278)
	Márcio Renato dos Santos
Correção de redação na escola
por Cristina Ramos

Corrigir redações – esse sempre foi um problema crucial nas escolas para os professores e pior ainda, para os alunos. Parece que estou vendo. A professora sentada na cadeira de sua mesa, os alunos começam a levantar-se e a colocar seus textos sobre o móvel, dizendo assim: “Não olhe agora, heim, professora?!” E vão colocando seus trabalhos sob aqueles que lá já se encontram. Sem nenhum medo de errar, afirmo que até nossos alunos de nível superior fazem isso ao entregarem seus trabalhos.

Pensando nisto escrevo este artigo que tentará fazer uma breve reflexão sobre o problema de corrigir redações escolares; faço isso após ter lido um livro de Eliana Ruiz, que versa superficialmente sobre o assunto. Tentarei fazer um “entremeio” entre as ideias da autora e as minhas próprias ideias e vamos ver no que vai dar.

Então, como é que se corrige redação na escola? Sempre pensei que o trabalho de reescrita do aluno é decorrente de uma interferência que, fatalmente, o professor fará em seu texto. E aí estava o problema – no modo como o professor intervém no texto do aluno. Minha “grande” sabedoria sabia que a mediação do professor é um dos fatores determinantes do sucesso que o aluno possa ter em seu processo de aquisição da escrita, lógico, entendida aqui como a capacidade de redigir bem, com todos os aspectos que um bom texto requer.

Justamente porque pensava na questão interferência positiva do trabalho de correção, procurava encontrar respostas para:

  • o que é que torna uma correção de redação eficiente?
  • que tipos de estratégias de intervenção escrita é mais produtivo para o aluno?
  • como podemos contribuir para uma produção escrita de maior qualidade?
  • como corrigir uma redação, de modo a levar nosso aluno a progressos significativos na aquisição da escrita?

Afinal, até hoje dizemos aos nossos alunos que um dos principais motivos do seu marasmo em sala de aula do nível superior, o fato de ele não querer mais escrever, de não ter idéias fluindo para produzir um texto – todos esses aspectos são frutos da má estratégia do professor ao corrigir redações, principalmente nas séries iniciais. Será isso verdadeiro? Todas essas indagações fizeram-me realizar um trabalho de análise de redações escolares durante o tempo em que estive em Araraquara/SP, cursando o doutorado. Relato, a partir desse artigo, as minhas conclusões precedidas, é claro, de algum embasamento teórico.

Vamos pensar um pouco, primeiramente nas condições de produção das redações na escola.

Em primeiro lugar, acho que não é a correção de erros gramaticais que induzem o aluno a ser um produtor de bons textos. Acho, numa primeira tentativa de encontrar uma solução, que o que leva ao sucesso a correção de redação e leva o aluno a uma escrita qualitativamente melhor é exatamente a leitura que o professor faz dela. Leituras que tomam o texto todo como uma unidade de sentido são mais produtivas que as que focalizam apenas partes do texto ou unidades menores do que o texto. O que menos interessa, no momento, é a sua análise linguística. Não nos interessa, de modo algum, e aliás condenamos o estilo de correção que consiste em tingir de vermelho o texto e devolvê-lo ao aluno, dando fim ao processo nessa etapa. [Continuar lendo…]

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Sobre o livro: Como Corrigir Redações na Escola, uma proposta textual-interativa (Eliana Donaio Ruiz), leia o sumário e a apresentação.

por Chico Viana

- Pai, o professor baixou a nota da minha redação porque usei “mormente” em  vez de “sobretudo”.
- Bem feito! Eu lhe disse para não sair desprotegido nesse tempo frio!

Levei esse diálogo para a classe porque um aluno tinha usado “mormente” numa redação. Foi nesta passagem: “As manifestações que tomaram conta do Brasil deviam interessar mormente aos excluídos.”

“Mormente” é o mesmo que “sobretudo”, de modo que o estudante não falhou quanto à semântica; apenas se mostrou um tanto pedante. A palavra que ele escolheu tem um ranço formal, bacharelesco, que afasta ou desorienta o leitor comum. Uma prova disso é a resposta que o pai deu ao filho.

O diálogo acima é uma anedota. Como geralmente ocorre nos textos de humor, o riso decorre de uma confusão de sentidos – no caso, a confusão que o pai faz entre dois homônimos: “sobretudo” é advérbio e também substantivo (neste caso, significa “casaco que serve de proteção contra o frio e a chuva”).

Mas não bastou isso para gerar a ambiguidade que levou ao efeito humorístico. A homonímia seria insuficiente caso não houvesse a polissemia do verbo “usar”, que significa tanto “empregar” quanto “vestir” (além de outros sentidos que o dicionário registra). Se o menino tivesse dito ao pai que o professor baixou a nota porque ele escrevera (e não “usara”) “mormente”, o pai não teria feito a confusão. Não lhe ocorreria considerar “mormente” um tipo de casaco, mas o velho continuaria ignorando o que esse vocábulo quer dizer.

Continuar lendo …