Arquivo de junho 7, 2013

Se for rir de um uso da língua, que seja diante de uma piada como esta:

As gramáticas só vieram depois de nossa fala.

A gramática tradicional é só uma das teorias de estudo da língua.

O preconceito linguístico é sorrateiro, há quem manifeste e nem imagina o quanto limita a habilidade comunicativa do outro. E ainda quer falar de vício de linguagem e erro gramatical, sem perceber que:

– antes de qualquer gramática (daquelas tradicionais, escolares) vem sempre a língua falada;

– os modos de falar são diferentes sim, porque as pessoas vivem em regiões geográficas distintas, convivem em grupos de níveis socioeconômicos diversos;

– o tanto que cada um estudou e teve contato com a língua culta varia de pessoa para pessoa;

– ninguém consegue ou precisa falar a língua padrão em 100% do tempo de suas interações;

– quem fala “ocê”, “pobrema”, “né”,  “a gente fumo”, etc não é burro;

– as pessoas são diferentes, os ambientes são diferentes, as necessidades comunicativas são diferentes, logo, o uso eficiente da língua falada e escrita depende muito mais da habilidade de identificar o nível adequado de expressão linguística do que de mera correção gramatical, e quem ri ou reprova um “erro linguístico” é por não ter consciência de nada disto.

Por fim, as regras gramaticais que ensinam nas escolas são ensinadas numa tentativa de manter um padrão de escrita comum em nosso país.

Uma tirinha e uma pitada de humor, ótimos recursos para o ensino de figuras de linguagem!

tema figura de linguagem

Leituras literais não mais!

Aos poucos vou postar os trabalhos que fiz e foram publicados em diferentes momentos desde que comecei minhas investidas como pesquisadora. Segue aqui uma mostra de artigo que escrevi em parceria com a professora Drª Eliana da Silva Tavares, no período em que fui bolsista voluntária de iniciação científica do projeto “A Bela e a Fera: uma perspectiva de ensino ou A língua materna na escola” na FURG.

Questões sobre língua materna: da concepção ao ensino.

A propaganda da suposta “dificuldade” da língua é o arame farpado mais poderoso para bloquear o acesso ao poder. (Gnerre, apud Marcos Bagno)

Este artigo tem o propósito de discutir questões concernentes ao processo de ensino/aprendizagem de língua materna, tais como (a) a relevância da concepção de língua, (b) os efeitos decorrentes dessa concepção no tipo de ensino pretendido e (c) os objetivos traçados para o mesmo. A opção por esses aspectos não é fortuita, pois deve-se a questionamentos surgidos no transcorrer das aulas de Linguística II (que tem seu programa direcionado justamente ao ensino de língua materna), cuja principal dúvida exposta pelos professores em formação refere-se à suposta “necessidade” de ensinar conteúdo gramatical de natureza normativa.

Leia a íntegra em: ROSA, C. E. S., TAVARES, E. S. Questões sobre língua materna: da concepção ao ensino. Artexto (FURG). , v.13, p.95 – 99, 2002.