Arquivo de junho 18, 2013

Sur les manifestations d’hier…

Il était une fois, un peuple qui s’est réveillé et n’a pas accepté le costume de clown. Tout le monde a crié dans la rue: ÇA SUFFIT!

Selon Lemonde.fr: “Ci-gît une nation conformiste. Le Brésil s’est réveillé !

J’habite à Curitiba, une ville célèbre pour sa froideur, où les gens ne se parlent pas et ne sortent pas dans la rue. Aujourd’hui, je suis descendu dans la rue et ce que j’ai vu m’a ému. Il ne s’agit pas que d’une histoire de 20 centimes. Je suis homosexuel et je vois tous les jours [des religieux et des hommes politiques] crier contre mes droits civils. Et pire que tout, je vois le gouvernement de gauche prétendument aveugle face aux violences. On a manifesté jeudi dernier à Sao Paulo et quand on a crié “Pas de violence”, la police a répondu avec des balles, du gaz, de la haine. On en a marre d’avoir une police militaire héritière de la dictature.

  • “On a besoin d’un nouveau pays”, par Barros Monica, 38 ans

Aujourd’hui, j’ai vu mon pays changer. Les images de guerre ne représentent pas ce qu’il s’est vraiment passé à Rio ce soir, la grande manif était pacifique. Mais les scènes de violence qui se sont produites ne m’étonnent pas. Je ne connais pas une seule personne ici qui n’en a pas marre de la situation. La hausse du prix des transports publics, les hôpitaux pleins, le manque de sécurité et maintenant cette Copa das Confederações qui se moque de nous… On n’a pas besoin des nouveaux stades de football, on a besoin d’un nouveau pays. Tous les gens qui habitent ici sont d’accord avec les mots de De Gaulle : “Le Brésil n’est pas un pays sérieux.” C’est triste. C’est vrai. C’est de notre faute. Mais ce soir, quelque chose a changé, et pas seulement à Rio et Sao Paulo. Tout ce pays énorme s’est relevé en criant “Ça suffit !”

A montanha de notícias veiculadas pela mídia a respeito dos manifestos que ocorreram em diversas capitais brasileiras em 17/06/2013 pode render uma bela aula de interpretação de textos.

Para auxiliar nesta tarefa convoco o professor Luiz Antonio Marcuschi, porque ele escreveu sobre verbos introdutores de opinião e observou o seu  funcionamento especificamente “no noticiário político dos jornais diários” (MARCUSCHI, 2007. p. 146). A tentativa é  responder de forma breve a duas questões colocadas pelo autor:

1) “será possível informar opiniões sem manipulá-las?”

2) “qual a estratégia usada pelos jornais na informação de opiniões?”

A notícia selecionada foi publicada pelo site do jornal Zero Hora, de Porto Alegre/RS, em 18/06/13, na seção Geral e diz respeito a pronunciamento do governador do estado (Tarso Genro) acerca dos protestos ocorridos na noite de segunda-feira (17/06) na capital gaúcha.  A manchete e o respectivo lide são os seguintes:

Tarso: “A orientação era reagir para defender a integridade física das pessoas”

Governador defendeu a atuação da Brigada Militar nos protestos da noite desta segunda-feira

tarso

Os dois pontos e a inserção aspeada em produções textuais exemplificam dois recursos linguísticos empregados com a finalidade de relatar opiniões, os quais entram sobretudo na composição de manchetes como a que fora apresentada acima. A opção do produtor da notícia demonstra uma estratégia para jogar a responsabilidade pela informação ao seu próprio emissor (Tarso).

Quanto aos verbos, destaco a seleção de “reagir” e “defender”, os quais indicam, pela classificação de Marcuschi, retomadas opositivas e organizam aspectos conflituosos. Logo, na opinião expressa com as palavras exatas do governador, os protestos noticiados são tomados predominantemente como situação de conflito, mesmo que parcela mínima de manifestantes seja responsabilizada por isto: “Uma pequena parte dos manifestantes queria a depredação” (fala reproduzida de Tarso Genro), “uma minoria depredou uma concessionária de motos” (descrição do jornalista).

Já no lide, com o uso do verbo “defendeu” o produtor resume a notícia atribuindo ao governador o papel de defensor das ações tomadas pela polícia, as quais foram orientadas por quem?? A partir do momento em que há necessidade de defender uma posição ou ação é porque esta provavelmente gera controvérsia. E a justificativa da defesa pode ser esta observação nada inocente do jornal: “A Tropa de Choque da Brigada Militar reagiu com bombas de efeito moral para [dispersar] os manifestantes e houve confronto.”

Por fim, encerro a análise destacando o quanto pode ser transformador para o aluno ter a oportunidade de desenvolver e aprimorar a habilidade de leitura crítica, coisa que a Linguística Textual oferece com bastante propriedade, e lembrando ainda que:

é muito difícil informar sem manipular, por melhores que sejam as intenções. Portanto, as estratégias jornalísticas para relatar opiniões não são uma mera questão de estilo, pois as palavras são instrumentos de ação e não apenas de comunicação (MARCUSCHI, 2007, p. 168).

Leia mais em: MARCUSCHI, Luiz Antônio. A ação dos verbos introdutores de opinião. In: ______. Fenômenos da linguagem: reflexões semânticas e discursivas. Rio de Janeiro: Lucerna, 2007. p. 146-168.