Arquivo de setembro, 2013

por Chico Viana

– Pai, o professor baixou a nota da minha redação porque usei “mormente” em  vez de “sobretudo”.
– Bem feito! Eu lhe disse para não sair desprotegido nesse tempo frio!

Levei esse diálogo para a classe porque um aluno tinha usado “mormente” numa redação. Foi nesta passagem: “As manifestações que tomaram conta do Brasil deviam interessar mormente aos excluídos.”

“Mormente” é o mesmo que “sobretudo”, de modo que o estudante não falhou quanto à semântica; apenas se mostrou um tanto pedante. A palavra que ele escolheu tem um ranço formal, bacharelesco, que afasta ou desorienta o leitor comum. Uma prova disso é a resposta que o pai deu ao filho.

O diálogo acima é uma anedota. Como geralmente ocorre nos textos de humor, o riso decorre de uma confusão de sentidos – no caso, a confusão que o pai faz entre dois homônimos: “sobretudo” é advérbio e também substantivo (neste caso, significa “casaco que serve de proteção contra o frio e a chuva”).

Mas não bastou isso para gerar a ambiguidade que levou ao efeito humorístico. A homonímia seria insuficiente caso não houvesse a polissemia do verbo “usar”, que significa tanto “empregar” quanto “vestir” (além de outros sentidos que o dicionário registra). Se o menino tivesse dito ao pai que o professor baixou a nota porque ele escrevera (e não “usara”) “mormente”, o pai não teria feito a confusão. Não lhe ocorreria considerar “mormente” um tipo de casaco, mas o velho continuaria ignorando o que esse vocábulo quer dizer.

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O conteúdo da charge desnuda a reação ao status quo: a aquiescência, a conivência, o conflito, o choque, a rejeição, a oposição, o contraditório. (…) Sua temática, em geral, versa sobre o cotidiano – questões sociais que afligem, irritam, desgostam, confundem. Essas questões focalizam os universos de referência do público, expondo testemunhos, registrando perplexidades, apontando falhas, satirizando pontos de vista, desvelando motivações ocultas, introduzindo questionamento. Por natureza é polêmica (FLORES, 2002, p.11).

 

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BRAIVES > 16em CONCOURS D’ÉCRITURE
Sudinfo.be
Le 16ème concours d’écriture organisé par le centre culturel de Braives-Burdinne est lancé, un concours de poésies pour cette année 2014 dont le thème sera » Il est déjà l’heure… ».

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De tempos em tempos, os brasileiros incorporam em seu vocabulário termos e expressões técnicas exaustivamente repetidos nos noticiários. Embargos infringentes é a moda da vez

por Felipe Canêdo

Quem nunca ouviu falar de embargos infringentes? Em uma semana, o instrumento jurídico de sonoridade pouco amigável saiu do conspícuo regimento interno do Supremo Tribunal Federal (STF) e das cátedras de escolas de direito para cair no gosto popular, virando piada na internet e se tornando parte de vocabulário corrente nos locais mais inusitados, como padarias e salões de beleza. Antes restrito à mais alta Corte do país, ele é um exemplo de termo técnico que se popularizou rapidamente durante um fato marcante no país – neste caso, o julgamento do mensalão.

Como ele, muitos termos pouco conhecidos foram assimilados pela população de uma hora para outra ao longo dos anos, mesmo que, na maioria das vezes, muita gente não saiba seus reais significados. Os exemplos são vários: impeachment, moratória, medidas heterodoxas, câmbio flutuante, CPMF, PEC 37 e URV. Cada um deles se relaciona a algum episódio da política ou da economia brasileira amplamente discutido pela mídia e foi incorporado pelo povo, quase sempre com irreverência.

Os embargos infringentes, acatados no julgamento do mensalão pelo STF na quarta-feira, permitirão que questões específicas de 12 réus do processo sejam julgadas novamente. De acordo com o regimento da Corte, eles são permitidos para decisões não unânimes do plenário. Na questão que foi decidida pelo ministro Celso de Mello, após o empate de cinco votos a favor e cinco contra no dia 11 e a decisão do decano da Corte na quarta-feira, o termo embargos infringentes praticamente saiu do anonimato e foi alçado ao estrelato. Na internet, foi sugerido como nome de banda punk e de pizzaria, por exemplo.

Se ele será assimilado pela população é uma questão que demandará tempo para ser respondida. Segundo o professor de linguística da Universidade Federal de Minas Gerais Lorenzo Vitral, um fator importante para que isso aconteça é o tempo de exposição na mídia, outro seria o uso que será feito da expressão. “Normalmente, qualquer palavra sofre mudança de significado ao longo do tempo. Se a gente compara o português de hoje e o de 1900, vê que os significados das palavras mudaram. É normal que mudem”, ele diz.

(…)

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Prova Objetiva: 321 – Técnico em Assuntos Educacionais

Edital: 169/2009 – PRHAE

Banca: Núcleo de Concursos Universidade Federal do Paraná (NC – UFPR)

Conhecimentos: Português

Questões comentadas: 1ª parte (1 a 4)

Os comentários são breves e dizem respeito a observações necessárias tanto para selecionar a resposta correta quanto para eliminar as demais inadequadas a partir de informações extraídas do texto utilizado na prova de português. As quatro questões iniciais podem ser resolvidas com base em relações semânticas, coesivas e de coerência que se estabelecem no texto. Por essa escolha, é possível afirmar que a banca explora a competência linguística do candidato ou sua habilidade de reflexão e análise linguísticas em vez de mera localização de contextos aplicáveis para regras gramaticais e ortográficas. Neste caso, então se torna interessante exercitar muito mais a capacidade de depreender relações de sentido, significação e organização de ideias no texto do que se preocupar somente com regras que não serão abordadas diretamente.

Texto 1

Texto 1

questões comentadas PT1questões comentadas PT2

porque

A tirinha do personagem Armandinho, criada pelo ilustrador catarinense Alexandre Beck, pode funcionar como material didático para uma aula de reflexão linguística sobre o uso do PORQUÊ, que tanto gera dúvidas na hora de escrever “junto? separado? com ou sem acento?!?!” A tirinha traz em cada quadro um dos contextos de uso dessa palavra tão explorada pelas crianças na sua primeira infância.

Para descrever o uso do termo de um modo bastante simples, pode-se afirmar que os contextos são: POR QUE como introdutor de pergunta, PORQUE na resposta ou explicação da pergunta, POR QUÊ em posição final de uma pergunta e PORQUÊ como substantivo antecedido de determinante ou artigo.

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LES 4 DEFIS DU WEEK END

*  L’IPAGINEXO 

 

 

Nihil est in lingua quod non prius fuerit in oratione, assim Émile Benveniste anuncia o começo da linguagem, cujo significado aproxima-se do que se veicula no título deste artigo.

Apesar do nome de origem francesa, Benveniste era um sujeito de origem síria, batizado com o nome Ezra Benveniste em 1902. No ano de 1924, após sua naturalização como francês, incorporou o Émile.  Foi aluno de Antoine Meillet, um dos discípulos de  Saussure, e entrou como professor no Collége de France no final da década de 30.

Seus trabalhos de especialista em indo-europeu e comparatista de línguas obtiveram reconhecimento depois que Problemas de Linguística Geral I  (1966) foi publicado. Atribui-se a seus estudos o começo da Linguística da Enunciação e de discussões acerca da subjetividade e intersubjetividade, dentre outras questões.  Em 1976 ocorreu a morte do linguista.

O site Benveniste Online, um projeto da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), aponta na produção benvenistiana pelo menos três maneiras de tratar da linguagem:

  1. pelas “reflexões linguísticas stricto sensu, incluindo as comparatistas e, em especial, as referências à obra de Ferdinand de Saussure” (abordagem epistemológica);
  2. pelo “fazer interdisciplinar das ciências do homem em que a linguagem tem papel fundamental. É o diálogo teórico posto em prática” (abordagem interdisciplinar);
  3. pela “prospecção de uma NOVA Linguística: a Linguística da Enunciação” (abordagem enunciativa).

Suas obras principais são:

Problèmes de linguistique générale, 1, Paris, Gallimard, 1966. (Edição brasileira: Problemas de linguística geral I, Tradução: Maria da Glória Novak e Maria Luisa Néri, 1995.).

Problèmes de linguistique générale, 2, Paris, Gallimard, 1974. (Edição brasileira: Problemas de Linguística Geral II. Tradução: Eduardo Guimarães et al., 1989.).

Releituras de Benveniste:

BARBISAN, L. B. e FLORES, V. N. Sobre Saussure, Benveniste e outras histórias da linguística. In: NORMAND, C. Convite à linguística. Trad. de Cristina de Campos Velho Birck et al. São Paulo: Contexto, 2009. p. 7-22.

FLORES, V. N. Por que gosto de Benveniste? (Um ensaio sobre a singularidade do homem na língua). Letras de Hoje. Porto A|legre, v. 39, n. 4, p. 217-230, dez. 2004.

FLORES, V. N. A enunciação e os níveis da análise linguística.  In: SITED- Seminário Internacional de Texto, Enunciação e Discurso, 2011, Porto Alegre. Anais do SITED– Seminário Internacional de Texto, Enunciação e Discurso. Porto Alegre: Edipucrs, 2011. v. 1. p. 396-402.

NORMAND, C. Leituras de Benveniste: algumas variantes sobre um itinerário demarcado. Letras de Hoje. Porto Alegre, v. 44, n. 1, p. 12-19, jan./mar. 2009.

TROIS, J. F. M. O “retorno a Saussure” de Benveniste: a língua como sistema de enunciação. Letras de Hoje. Porto Alegre, v. 39, n. 4, p. 33-43, dez. 2004.

Compartilho duas apresentações publicadas originalmente no site SlideShare que orientam quanto à elaboração de currículo na Plataforma Lattes do CNPq.

A primeira apresentação é um material divulgado pelo próprio CNPq quando foi lançada a nova versão do Currículo Lattes.

A segunda apresentação foi elaborada por uma professora do curso de Mestrado em Educação da Universidade do Oeste Paulista (Unoeste) de Presidente Prudente-SP.

Aos interessados em normalização de trabalhos acadêmicos, sugiro a leitura do blog Formatação nas Normas da ABNT, onde se encontram instruções práticas para aplicação das principais normas na formatação de trabalhos acadêmicos, monografias, dissertações e teses. Segue a republicação de um dos posts do blog que trata da estrutura dos trabalhos e demais instruções podem ser localizadas através dos links fornecidos após o texto.

NORMAS DA ABNT PARA TRABALHOS ACADÊMICOS

ESTRUTURA: