Arquivo de dezembro, 2013

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação como todo o tempo já vivido
(mal vivido ou talvez sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser,
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegrama?).
Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar de arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto da esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um ano-novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

RECEITA DE ANO NOVO

ANDRADE, C. D. Receita de Ano Novo. Editora Record. 2008.

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por Aldo Bizzocchi

Que Natal tem a ver com nascimento, todos sabemos. No entanto, estamos tão acostumados a ver essa palavra associada ao nascimento de Jesus Cristo que a longa história desse termo acaba obscurecida. Por isso, vale a pena revisitá-la.

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O latim natalis surgiu como adjetivo derivado do substantivo natus, “nascimento”, mediante o sufixo -alis. Portanto, significava “relativo ao nascimento”. Exemplos desse uso são as expressões natalis humus (“terra natal”) e natale solum (“solo natal”), ambas referentes à pátria (também chamada de natio, “nação”, do mesmo radical). Nesse mesmo sentido, temos também dies natalis, o dia do nascimento de alguém (por isso, o aniversário natalício, que aqui no Brasil reduzimos para “aniversário”, chama-se em Portugal “natalício”). Finalmente, natale astrum é o astro que preside ao nascimento, portanto relacionado aos signos do zodíaco.

Continue lendo: A história da palavra Natal | Revista Língua Portuguesa.

Desde o último 20 de novembro até ontem (05/12/2013) quando soube da morte de Nelson Mandela vinha acumulando observações relacionadas à importância do elemento afro-brasileiro que não se dá espontaneamente em nosso país. Foram tantas questões debatidas, tantos textos que li sobre:

– a validade de decretar feriado em Curitiba no dia da consciência negra ou no aniversário de morte de Zumbi dos Palmares, reduzida a pó com uma liminar concedida à Associação Comercial do Paraná (sugestão de leitura para o Ensino Médio: O Mordomo da Casa Branca e o feriado cancelado em Curitiba);

– os 10 anos da Lei 10.639/03 que tornou obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira e africana do Ensino Fundamental ao Médio, sem que essa prática ocorra de modo consistente (sugestão de leitura para professores de todas as áreas: Lei que obriga ensino da história afro-brasileira faz 10 anos);

– o racismo e outros preconceitos empacotados no stand-up comedy de Danilo Gentili, porque humorista da categoria dele não arranca meu riso comparando um monte de merda com o personagem Cirilo do Carrossel, pior do que ouvir isso num espetáculo em Curitiba foram as gargalhadas que se seguiram (sugestão de leitura para quem não ri tão à toa: [RACISMO] O “humorismo” racista de Danilo Gentili);

– por último a polêmica em escola paulista sobre o cabelo black power de uma criança de 8 anos!!!! como se a diferença fosse o fim da picada  (sugestão de leitura para educação infantil: O Cabelo de Lelê).

“É próprio da imaginação histórica edificar mitos que, muitas vezes, ajudam a compreender antes o tempo que os forjou do que o universo remoto para o qual foram inventados.” Alfredo Bosi, Dialética da colonização.

Nelson Mandela não é um mito edificado pela história africana, ao contrário é uma pessoa de atitude que marcou a história mundial, assim como foi Zumbi dos Palmares na história afro-brasileira. Deixou-nos este grande exemplo de resistência que mereceu receber um prêmio Nobel da Paz e não por acaso hoje pode servir como tema para muitas aulas de língua portuguesa, literatura, história, arte, geografia, matemática, biologia pelo país afora. A desculpa de que falta material didático sobre história e cultura afro-brasileira não cola mais, talvez ainda falte atitude…

Assim demonstro minha posição diante de todas essas questões, que me foi cobrada por uma pessoa muito especial: Alex Sandro, meu companheiro de vida, incansável na valorização de sua diferença étnica e admirador de Mandela.