Mandela, história e cultura afro-brasileira

Publicado: dezembro 6, 2013 em Leitura, Material Didático
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Desde o último 20 de novembro até ontem (05/12/2013) quando soube da morte de Nelson Mandela vinha acumulando observações relacionadas à importância do elemento afro-brasileiro que não se dá espontaneamente em nosso país. Foram tantas questões debatidas, tantos textos que li sobre:

– a validade de decretar feriado em Curitiba no dia da consciência negra ou no aniversário de morte de Zumbi dos Palmares, reduzida a pó com uma liminar concedida à Associação Comercial do Paraná (sugestão de leitura para o Ensino Médio: O Mordomo da Casa Branca e o feriado cancelado em Curitiba);

– os 10 anos da Lei 10.639/03 que tornou obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira e africana do Ensino Fundamental ao Médio, sem que essa prática ocorra de modo consistente (sugestão de leitura para professores de todas as áreas: Lei que obriga ensino da história afro-brasileira faz 10 anos);

– o racismo e outros preconceitos empacotados no stand-up comedy de Danilo Gentili, porque humorista da categoria dele não arranca meu riso comparando um monte de merda com o personagem Cirilo do Carrossel, pior do que ouvir isso num espetáculo em Curitiba foram as gargalhadas que se seguiram (sugestão de leitura para quem não ri tão à toa: [RACISMO] O “humorismo” racista de Danilo Gentili);

– por último a polêmica em escola paulista sobre o cabelo black power de uma criança de 8 anos!!!! como se a diferença fosse o fim da picada  (sugestão de leitura para educação infantil: O Cabelo de Lelê).

“É próprio da imaginação histórica edificar mitos que, muitas vezes, ajudam a compreender antes o tempo que os forjou do que o universo remoto para o qual foram inventados.” Alfredo Bosi, Dialética da colonização.

Nelson Mandela não é um mito edificado pela história africana, ao contrário é uma pessoa de atitude que marcou a história mundial, assim como foi Zumbi dos Palmares na história afro-brasileira. Deixou-nos este grande exemplo de resistência que mereceu receber um prêmio Nobel da Paz e não por acaso hoje pode servir como tema para muitas aulas de língua portuguesa, literatura, história, arte, geografia, matemática, biologia pelo país afora. A desculpa de que falta material didático sobre história e cultura afro-brasileira não cola mais, talvez ainda falte atitude…

Assim demonstro minha posição diante de todas essas questões, que me foi cobrada por uma pessoa muito especial: Alex Sandro, meu companheiro de vida, incansável na valorização de sua diferença étnica e admirador de Mandela.

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