Diante da dificuldade na escrita, a atuação conjunta do professor e aluno

Publicado: novembro 10, 2014 em Linguística Textual
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Um momento da aula de português brasileiro em que dificuldades de aprendizado aparecem bastante é durante a produção de texto, até mesmo para alunos que, a princípio, não requerem atendimento especial. Para essa situação, considero viável a aplicação da teoria da “inteligência plena”, conforme propõem Sternberg e Grigorenko (2003, p. 113), pela qual a adequação das atividades ao que o aluno tem de melhor torna-se uma habilidade a ser buscada, por exemplo, valorizando mais o conteúdo do texto do que a correção ortográfica e gramatical, que requerem um trabalho mais específico para aprendizado.

Um exemplo de atividade apresentado por Sternberg e Grigorenko (2003, p. 115) consiste na produção de poesias com a opção de fazer um haicai (estilo de poema japonês com 3 linhas) para quem não consegue escrever muito. Imagino que poderia ser também uma poesia concreta, que explore a forma e o significado das palavras, sendo indicado para quem gosta de desenhar e brincar com o sentido das palavras. Desse modo, a atividade não se restringiria ao formato convencional de poesia em estrofes com 4 versos ou linhas, talvez melhor alternativa para quem consegue escrever com alguma facilidade.

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No que diz respeito à prática pedagógica, passei pela experiência de auxiliar dado grupo de alunos do 9º ano (três eram supostamente hiperativos e um apresentava déficit de atenção) em atividade de produção de texto opinativo. Esses estudantes não queriam fazer a atividade porque: não gostavam de escrever, não sabiam como começar nem relacionar uma ideia com outra para expressar suas opiniões de um jeito organizado. A dificuldade eu já sabia qual era e a capacidade de cada um também foi identificada, pois todos apresentavam boa competência comunicativa em linguagem falada, só faltava ajuda para expressarem-se no papel em linguagem formal e incentivo para que se mantivessem focados na tarefa.

A estratégia foi atender tanto individualmente, quanto em duplas, enquanto o restante da turma produzia. Primeiramente conversamos sobre o tema proposto de modo descontraído para que conhecessem opiniões diferentes, comparassem com alguma vivência anterior e formulassem oralmente certas conclusões sobre o assunto, até que percebessem qual era a própria opinião. Houve momentos mais complicados em que precisei conduzir mais o processo de escrita, sugerindo ideias relacionadas ao tema, apresentando palavras-chaves para estimular a criatividade e a associação com outras informações já conhecidas. Aos poucos foi saindo o texto, demorou bastante, construímos algumas frases juntos e outras por conta dos alunos. Foi exigido mais envolvimento da professora, mas foi bom ver o quanto ficaram contentes e motivados por receberem esse tipo de atenção.

No relato desse processo de ensino é possível reconhecer a atuação conjunta dos princípios da inteligência plena, conforme destaca Mendonça (2014, p. 18) ao abordar a teoria concebida por Robert Sternberg. Em outras palavras, houve a realização de: análise com a discussão e comparação de ideias adequadas ao tema do texto; criatividade quando surgiram ideias a partir das palavras-chaves sugeridas e conclusões a partir do que foi conversado; prática com a escolha de determinado vocabulário, formulação de frases e expressão por escrito de opiniões.

 

Referências:
MENDONÇA, Fernando Wolff. Dificuldades de aprendizagem e distúrbios de aprendizagem: leitura, escrita e matemática. Maringá – PR: UniCesumar – NEAD, 2014.

STERNBERG, Robert J.; GRIGORENKO, Elena L. Inteligência plena: ensinando e incentivando a aprendizagem e a realização dos alunos. Trad. Maria Adriana Veríssimo Veronese. Porto Alegre: Artmed, 2003.

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