Arquivo da categoria ‘Linguística Textual’

No título deste post, a adaptação do provérbio “Manda quem pode, obedece quem tem juízo” não é fortuita. Vejamos onde quero chegar, mas acho que o próprio título direciona sem grandes desvios de sentido.

A charge que republico abaixo é um ótimo material para abordar na aula de português brasileiro a questão da manipulação dos textos produzidos pela mídia de massa, ou a grosso modo, pelos meios oficiais de comunicação que produzem conteúdos impressos ou eletrônicos para o grande público, como os jornais, revistas, canais de televisão, rádios, sites “oficiais”, etc.

Além do mais, o material complementa minha opinião exposta em Mais Médicos em textos jornalísticos e outras fontes de informação e destina-se especialmente para quem gosta da revista Veja e não superou o medo de comunistas.

Charge do jornal Contraponto @Sisejufe: FUJAM! OS CUBANOS VEM VINDO!

por  blog LATUFF CARTOONS.

Medicos cubanos chegam ao Brasil

E o que mais quero dizer com tudo isto?

Enquanto não nos colocarmos contra a mídia de massa deixaremos de exercer nosso poder de massa crítica, de pessoas que refletem sobre sua realidade, defendem suas posições e lutam pelo atendimento de suas expectativas e necessidades, nem sempre compreendidas por quem detém alguma forma de poder. A propósito, as duas referências que tenho sobre massa crítica não vem da física, mas de questões que envolvem meios de transporte, outro serviço público no Brasil com gestão precária e estopim da chamada Revolta do Vinagre.

A primeira vez que ouvi falar de massa crítica foi quando estudei na Unicamp, onde há um ônibus que transporta estudantes de Campinas a São Paulo ou vice-versa. A alternativa de transporte recebeu o nome de Massa Crítica, inclusive conta com um site para cadastro dos usuários. Infelizmente não tive oportunidade de experimentá-lo, apesar de às vezes ter feito o trajeto até SP antes de voltar para Curitiba.

Ao preparar este post, tomei conhecimento de outra iniciativa realizada em Porto Alegre (RS), do blog Massa Crítica – POA, que assim se autodefine:

A Massa Crítica é uma celebração da bicicleta como meio de transporte que ocorre em mais de 300 cidades ao redor do mundo. Ela acontece quando dezenas, centenas ou milhares de ciclistas se reúnem para ocupar seu espaço nas ruas e criar um contraponto aos meios mais estabelecidos de transporte urbano.

No final das contas, tudo se relaciona, pois acabei me posicionando aqui sobre tema veiculado pelo post anterior CHARGE: o monopólio da Viação Noiva do Mar em Rio Grande. E voltando à sugestão de aula de português, também seria possível tratar de intertextualidade a partir da leitura deste texto que assim finalizo, pois para compreendê-lo é preciso recorrer a outros textos já escritos no blog e citados explicitamente através dos links disponibilizados aos leitores.

Uma verdadeira exposição de ideias híbridas: entre a teoria linguística e o pensamento sociopolítico, meio chomskiana, mas bem de longe.

Com o lançamento do Programa Mais Médicos em 08/07/2013, em tese uma medida emergencial do governo federal para estancar o problema da escassez de recursos humanos no setor da saúde (ou melhor dizendo, a falta de médicos no interior do Brasil), meios de comunicação massivos e mídias paralelas tem apresentado as mais diversas versões opinativas a respeito da questão para lá de polêmica, que já vinha em discussão há algum tempo. Se não estou enganada, desde que sou criança ouço falar em falta de médicos no serviço público de saúde e acesso restrito à formação desses profissionais em instituições públicas pelas poucas vagas e em instituições particulares pelo custo elevado. Só para dar uma ideia da longevidade da discussão, estou beirando os 40 anos.

Crédito: Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr - Revista Fórum

Crédito: Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr – Revista Fórum

Para ser condizente com os propósitos do blog, direciono minha discussão para certos elementos de textos jornalísticos, bem como de outras fontes selecionadas para oferecer uma leitura didática acerca do assunto. Inicialmente traço considerações a partir dos títulos e subtítulos dos textos para tratar da expectativa de leitura propiciada por estes recursos e em seguida destaco partes textuais em que se colocam a temática principal ou os pontos de vista dos autores.

O primeiro texto que li detidamente sobre as reações do setor da saúde quanto ao Programa Mais Médicos vem de uma mídia paralela, a republicação do blog Hum Historiador de post do também blogueiro Saul Leblon – Raízes do Brasil: no levante dos bisturis, ressoa o engenho colonial, cuja fonte original está representada na imagem abaixo que capturei no site Carta Maior.

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Carta Maior – O portal da esquerda

Ao ler o título do texto, não tive dúvida de que seu conteúdo teria um cunho contrário em relação à resistência da classe médica à proposta do governo federal. Considerando a esfera de onde parte essa opinião, uma mídia autodenominada por meio de vocábulo (esquerda) que sugere oposição, não surpreende o predomínio da crítica contra o elitismo daquela classe profissional em detrimento de interesses de classes minoritárias sem condições de custear um plano de saúde particular e mesmo sem acesso a um único médico em suas cidadezinhas. Leblon não poupa palavras para abordar a resistência do setor “Contra a adesão de profissionais ao programa ‘Mais Médicos’, que busca mitigar o atendimento onde ele inexiste”. Além disto, o ponto chave de todo sentido do texto está na referência ao que o historiador Sergio Buarque de Holanda escreveu em sua obra Raízes do Brasil de 1936, perfeitamente aplicável no cenário atual:

Sergio Buarque de Holanda anteviu, em 1936, as raízes de um Brasil insulado em elites indiferentes ao destino coletivo. O engenho era um Estado paralelo ao mundo colonial. O fastígio macabro fundou a indiferença da casa-grande aos estalos, gritos e lamentos oriundos da senzala ao lado, metros à vezes, da sala de jantar.  Por que os tataranetos se abalariam com a senzala das periferias conflagradas e a dos rincões inaudíveis?

Vejamos como outros textos jornalísticos pontuam aspectos de tal reação resistente.

A revista Carta Capital através do artigo intitulado Os médicos brasileiros têm medo de quê?  apresenta a posição de Ricardo Palacios, médico da Colômbia já estabelecido no Brasil.

Publicação na seção Sociedade da Revista Carta Capital

Publicação na seção Sociedade da Revista Carta Capital

O  questionamento evocado pelo título do texto recebe resposta contundente do autor que trata dos supostos temores do “grêmio médico no Brasil” em relação aos concorrentes  estrangeiros. Segundo Palacios, é infundado o argumento quanto à desqualificação dos profissionais formados no exterior, cujo processo de seleção ocorre de fato no interior das escolas de medicina e “diferentemente do que acontece no Brasil, entrar na escola de medicina não significa que o aluno será médico seis ou sete anos mais tarde”. Nestes termos, o médico tece sua crítica ao modelo brasileiro para ingresso de candidatos aos cursos de Medicina, visto que de um lado há a seleção dos “melhores” e de outro lado há a exclusão daqueles de classes economicamente desfavorecidas. A parte final do artigo apresenta elementos para considerar que a resposta do colombiano vai ao encontro dos objetivos do programa do governo:

Os médicos estrangeiros a serem importados são o principal alvo em um protesto com pesado caráter trabalhista, de proteção de mercado. Porque a pior ameaça que os cubanos representam é que podem dar certo. Porque os cubanos podem demonstrar que a população não necessita de grandes hospitais de alta tecnologia, mas de médicos acessíveis que estejam ao seu lado.

A título de exemplo da indignação contra o programa Mais Médicos, apenas republicarei outro texto jornalístico que traça as linhas condutoras do protesto a que Palacios se reporta. É uma publicação da Folha de São Paulo de 10/07/2013 na seção Mercado:

A revolta das elites

por Vinicius Torres Freire, Folha de São Paulo

Os 10% ‘mais ricos’ do Brasil, ‘classe média’ de verdade, irritam-se mais com os governos do PT

DILMA ROUSSEFF comprou briga com um pedaço grande da elite brasileira, os médicos, suas famílias, simpatizantes e parentes. Ou assim parece provável.

A maioria das associações de médicos está enfurecida com a história do plano de imigração; parte parece irritada com o serviço obrigatório no SUS para recém-graduados. Mas a gente ainda não tem como saber como pensam os 400 mil médicos do país a respeito das medicinas da doutora Dilma. (continua…)

Pode até parecer que busco favorecer determinada mídia, no entanto afirmo que não se trata disto, pois só estou reproduzindo mais uma publicação da revista Carta Capital para tentar obter uma fonte que fundamenta o texto produzido por Roberto Amaral: A medicina e o Brasil real.

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Publicação na seção Política de Carta Capital

Uma das partes textuais que me chamou atenção, especificamente pelo sentido contestador (o parágrafo está marcado duas vezes e inclusive começa com o operador argumentativo MAS) e também por não ter conseguido acessar a referência fornecida pelo autor (essencial para a reconstrução dos sentidos textuais), é a seguinte:

Mas o dr. Kalil, o médico da Corte e dos afortunados, é “terminantemente contra” a vinda de médicos estrangeiros porque, para haver medicina, é preciso haver “hospital bem estruturado” (FSP, 10/07/2013). Mas o que é, na realidade brasileira, ‘um hospital bem estruturado”? Não explica e ficamos sem saber.

Gostaria muito de ler o que o “dr. Kalil” expressou através da FSP. Os resultados de busca no Google levam apenas para a fonte da revista ou para republicações desse artigo em outros sites e blogs. Seguem então versões de quem vive o outro lado dessa história, ou melhor, passemos à confrontação entre opiniões e fatos relatados pela mídia.

Para minha surpresa, encontrei uma notícia anterior ao lançamento do Mais Médicos em jornal do Rio Grande do Sul com este título, a princípio, motivador: Médicos do interior chegam a ganhar mais do que os prefeitos das cidades, de 19/05/2013.

Para a Zero Hora, um exemplo de vida em cidade pequena com salário grande

Para Zero Hora, exemplos de vida em cidade pequena com salário grande

Lendo a matéria de Fernanda da Costa e Fernando Goettems, há como verificar que a vida de médicos no interior pode não ser tão ruim quanto se alega nas discussões avolumadas nos últimos meses. Isto é o que testemunha uma das profissionais da classe que se sente valorizada após abrir mão de um contrato como concursada para trabalhar como terceirizada e com remuneração mais vantajosa. Consequentemente, essa adaptação de contrato custa um pouco mais em termos de cumprimento da legislação por parte da administração pública.

Parece que o cenário de mudança no setor da saúde levou à produção de uma série de textos com justificativas para a desmotivação pela atuação médica no interior do país, dentre as quais é possível encontrar:

(i) medo de ser processado por acusação de erro médico;

14/07/2013 – 06h30
‘Medo de processo por erro afasta médico do interior’, diz leitor

Seria uma resposta à pergunta feita pelo médico colombiano em seu artigo da Carta Capital (Os médicos brasileiros têm medo de quê?)??? Não, trata-se de uma espécie de defesa produzida por médico provavelmente brasileiro na seção Painel do Leitor da Folha de São Paulo.

(ii) pouca estrutura hospitalar e falta de assistência;

Médicos contam como é trabalhar onde falta tudo, até esparadrapo
Profissionais de Macapá (AP) e do interior da Bahia relatam dificuldades de conviver com pouca estrutura dos hospitais e casos terríveis de falta de assistência

No texto de Maria Fernanda Ziegler, publicado na seção Último Segundo do site iG São Paulo em 08/07/2013, constam relatos de dois médicos que sabem como é atuar no interior do país. A profissional de Macapá é mais experiente, deixou o consultório na capital gaúcha há 16 anos para assumir vaga de um concurso em hospital precário da região norte. O médico recém-formado optou por trabalhar no interior da Bahia até conseguir a aprovação em curso de residência, foi integrante do Programa de Valorização do Profissional da Atenção Básica (Provab), criado em 2011 pelo Ministério da Saúde e destinado à atuação de médicos, enfermeiros e cirurgiões-dentistas em regiões longínquas e desassistidas.

(iii) imposição da prestação de serviços aos estudantes de medicina.

10/07/2013 – 06h00
Para leitor, dois anos a mais de formação não garantem médicos melhores

Este último título informa opiniões quanto à impossibilidade de melhorar a qualidade da saúde pública. Para um médico de São Paulo e outro sujeito de Curitiba, a proposta federal lançada em 08/07 é ineficaz, pois provocará rotatividade de profissionais que serão obrigados a trabalhar no SUS por 2 anos sem obter uma capacitação ideal.

Por fim, faço questão de explicitar que sou favorável ao programa Mais Médicos. Manobra eleitoreira, populista ou não, prefiro não pensar como burguesa (status que não sustento), pelo simples e triste fato de que pessoas, independente de classe social, poderão finalmente receber um mínimo de atenção a sua saúde, um direito garantido pela Constituição Federal, a saber:

Art. 196. A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação.

Compartilho links de dois textos em que prós e contras do tema discutido aqui são apresentados conjuntamente. Para quem ainda tiver fôlego para continuar a leitura.

REVISTA ÉPOCA – Crise na saúde: entenda as propostas polêmicas para a área
O governo federal aprovou o “Programa Mais Médicos” e vetou trechos do Ato Médico sob protestos de entidades de classe por Amanda Polato e Nathalia Tavolieri.
JORNAL TRIBUNA DA BAHIA – Interior da Bahia espera por médicos por Naira Sodré.

Em Linguística textual: memória e representação, a professora Leonor Lopes Fávero – uma pesquisadora dedicada à área de Linguística Textual  (LT) da Universidade de São Paulo e Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – apresenta um retrospecto da disciplina no que diz respeito aos primeiros trabalhos publicados no país de autoria de Ignácio Antônio Neis, Luiz Antonio Marcuschi e, por fim, a produção conjunta de Leonor Lopes Fávero e Ingedore Villaça Koch. Dentre os tópicos contemplados estão:

(i) os estudos de conceituação e propriedades do texto,

(ii) a passagem da teoria da frase à teoria do texto,

(iii) as causas do aparecimento da teoria do texto,

(iv) outras questões relevantes para a LT.

A leitura completa do artigo pode ser feita através do link no final deste post.

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Linguística textual: memória e representação

por Leonor Lopes Fávero, Filolologia e Linguística Portuguesa e-ISSN 2176-9419.

Resumo: A Linguística Textual inicia-se no Brasil na década de 80 do século XX. O primeiro
trabalho de que se tem notícia é de 1981 , de autoria do Prof. Ignácio Antônio Neis,  intitulado Por uma gramática textual, ao qual se seguiram dois outros, em 1983:  Linguística textual: o que é e como se faz, do Prof. Luiz Antônio Marcuschi e Linguística textual: introdução de Leonor Lopes Fávero e Ingedore Villaça Koch. O prof. Neiss mostra como as tentativas iniciais da linguística textual estavam, de modo geral, ligadas às gramáticas estruturais e gerativas. A obra do Prof. Marcuschi concentra-se na análise de algumas definições de texto e no estudo de aspectos teóricos em função de sua aplicabilidade. Já Leonor Lopes Fávero e Ingedore V. Koch têm como objetivo apresentar ao leitor brasileiro uma visão da linguística textual na Europa, então um recente ramo da ciência da linguagem. O trabalho insere-se na História das Ideias Linguísticas, parte da História Cultural, que procura identificar o modo como em diferentes momentos, uma realidade social é construída, pensada, dada a luz (Chartier, 1990).

Palavras-chave: linguística textual – causas do surgimento – conceituação de texto – linguística textual no Brasil

Leia o artigo na íntegra em: Filol. linguíst. port., n. 14(2), p.225-233, 2012.

Por conta de convite que recebi para participar de um simpósio sobre medicalização, promovido pelo Fórum sobre Medicalização da Educação e da Sociedade, passei a reunir alguns textos (charges, histórias em quadrinhos, anúncios publicitários, entre outros) que abordam aspectos dessa questão pelos vieses do humor e/ou da crítica, numa tentativa de fazer minha própria leitura sobre o tema, enquanto não chega o dia do evento para que eu possa conhecer um pouco mais sobre o assunto. Segue o cartaz:

Cartaz de divulgação do evento em Curitiba

Cartaz de divulgação do evento em Curitiba

Para amparar minha leitura, tomo de empréstimo teorias da Linguística Textual que discorrem acerca da compreensão de textos. Começo dizendo que a leitura de qualquer texto requer do leitor a habilidade de recorrer a seu inventário de conhecimentos acumulados para construir uma interpretação textual dentre tantas outras possíveis. No processamento de textos durante a leitura realizamos “pequenos cortes que funcionam como entradas a partir dos quais elaboramos hipóteses de interpretação” (KOCH & ELIAS, 2008, p. 39). Por sua vez, a elaboração de hipóteses de interpretação só é viável pela captura e relação entre conhecimentos prévios e novos. Consideram-se como elementos do conjunto de conhecimentos que possibilitam ao leitor seguir diversos passos interpretativos: conhecimento linguístico, conhecimento enciclopédico ou de mundo, conhecimento interacional (KOCH & ELIAS, 2008; MARCUSCHI, 2008).

Observemos um texto humorístico que aborda a questão da medicalização da educação:

Charge

Charge de autoria desconhecida

Agora pergunto qual é a informação fundamental para interpretar esta charge e afirmar que trata da medicalização da educação? A qual tipo de conhecimento recorrer? O termo Ritalina é conhecido por todos? Eu diria que não, embora uma parcela de leitores consiga inferir que se trate de um medicamento com base no conhecimento linguístico de que o vocábulo “drogas” designa substâncias químicas ou remédios, cujos nomes podem ser compostos pelo sufixo do português brasileiro -ina (para nomes técnicos utilizados na ciência). Para alguém que faz parte do conjunto de usuários desse tipo de medicamento ou convive com sujeitos desse grupo, o processamento da leitura de tal texto ativa também conhecimentos enciclopédicos ou de mundo, além do conhecimento linguístico. É possível observar a junção das duas espécies de conhecimento neste outro texto humorístico:

puff

Mensagem que circula na internet

A mensagem apresenta uma inadequação ortográfica ou talvez uma falha de digitação (psquiatra ao invés de psiquiatra), porém este detalhe é menos importante do que os sentidos construídos através desse texto e é por isso que foi selecionado para compor o corpus da reflexão em curso. Ressalva feita, vamos ao ponto a ser evidenciado. O texto Ursinho Puff e amigos, no psquiatra remete de forma incisiva ao tema da medicalização, inclusive confirmando e ampliando o horizonte de compreensão dos sentidos da charge, justamente por explorar personagens do universo infantil (concebidos para público de faixa etária em escolarização na sua maioria), para os quais se atribuem diversos sintomas de doenças, dentre elas, certos transtornos psiquiátricos, indicando ainda os respectivos fármacos para tratamento, como se fosse algo bastante trivial.

Elementos como o símbolo de marca registrada ® ao lado dos nomes de medicamentos no texto da internet, bem como na charge as palavras NÃO e Sim (escritas, respectivamente, em caixa alta no quadro negro e em tamanho de fonte maior no balão com a resposta “positiva” dos alunos), a sentença com negação imperativa Digam NÃO às drogas e a sentença interrogativa Por que deixar o governo drogar as suas crianças? representam “sinais de articulação ou apoios textuais” (KOCH & ELIAS, 2008, p. 52) com a função metacomunicativa de garantir, ou melhor, direcionar a compreensão textual e sobretudo obter o engajamento do leitor quanto aos objetivos comunicativos.

Uma leitura possível dos objetivos comunicativos seria que pela via do humor, evidentemente crítico, segue a expressão do combate e da conscientização em relação ao que está envolvido – a aceitação passiva, a trivialidade e ainda o caráter incontestável?? – na medicalização da educação (na charge) e também da sociedade (na mensagem da internet). Neste caso, os apoios textuais dizem respeito a conhecimentos interacionais que auxiliam no avanço da compreensão ou da abstração desse tema mais profundo do texto, seja pelos elementos verbais, mencionados no parágrafo anterior, seja pelos elementos visuais: ilustrações do ambiente escolar com seus atores fundamentais – professora e alunos, dos personagens infantis e de amostras de comprimidos dos medicamentos nomeados.

A estratégia de recorrer ao conhecimento linguístico também se aplica na formulação de hipótese de interpretação do próprio cartaz do evento, acima em destaque, pois eu mesma não sabia a diferença entre os termos MEDICALIZAR e MEDICAR, a qual é apresentada em outro material de divulgação do evento através do seguinte esquema gráfico:

Esquema gráfico de diferenciação entre os termos

Esquema gráfico de diferenciação entre os termos

Para quem já possui familiaridade com as discussões produzidas em torno do tema, o conceito de MEDICALIZAÇÃO faz parte de seu conhecimento de mundo, ou seja,  o processo em que pontos da vida social e política, de ordem complexa, multifatorial e particularizados por meio da cultura e do tempo histórico, são subestimados e limitados à lógica médica, pela qual o comportamento desajustado às normas sociais relaciona-se supostamente à causalidade orgânica, cuja manifestação se dá através de doenças no indivíduo (MOYSÉS, 2013).

Pelo que foi possível entender até aqui, existe uma espécie de mobilização coletiva ou movimento contra a medicalização que questiona e combate a “lógica médica”, não aceita a subestimação de condutas supostamente anormais de alunos e outros sujeitos nem a rotulação dessas condutas pelo diagnóstico de patologia passível de ser medicada. A produção de textos com tais construções de sentido leva-me a concluir que tudo isto parece ser fonte de incompreensões por vários setores da sociedade e é preocupante pelo fato de muitos não saberem o que fazer ou pensar a respeito, como eu que estou aqui tentando construir meu entendimento. Sem dúvidas os textos que selecionei foram produzidos por quem tem interesse em chamar a atenção para a questão da medicalização e sinalizar que este processo não pode ser visto como algo banal . A urgência de esclarecimento a respeito aparece nos demais textos a seguir:

Anúncio publicitário

Anúncio publicitário do Conselho Federal de Psicologia

História em quadrinhos com diálogos adaptados.

Quadrinhos do personagem infantil Calvin com diálogos adaptados

calvin-e-haroldo-final

Versão original da história em quadrinhos de Calvin e Haroldo

transtornos psiquiátricos da infancia

Charge com referência a transtornos psiquiátricos da infância e a lógica médica

Charge em referência ao uso de medicamento para controlar a hiperatividade.

Charge com referência ao uso de medicamento para controlar a hiperatividade

Folder do Fórum sobre Medicalização da Educação e Sociedade

Folder do Fórum sobre Medicalização da Educação e Sociedade

Charge em inglês contra a medicalização.

Charge em inglês contra a medicalização

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

KOCH, Ingedore Villaça e ELIAS, Vanda Maria. Ler e compreender: os sentidos do texto. 2.ed. São Paulo: Contexto, 2008.

MARCUSCHI, Luiz Antonio. Produção textual, análise de gêneros e compreensão. São Paulo: Parábola Editoria, 2008.

MOYSÉS, Maria Aparecida Affonso. Medicalização na educação infantil e no ensino fundamental e as políticas de formação docente. Disponível em: <http://www.anped.org.br/reunioes/31ra/4sessao_especial/se%20-%2012%20-%20maria%20aparecida%20affonso%20moyses%20-%20participante.pdf. >Acesso em: 03 jul. 2013.

Algo más acerca de los estudios sobre el metalenguaje

scielo

De la función metalingüística al metalenguaje: Los estudios sobre el metalenguaje en la lingüística actual
From metalinguistic function to metalanguage: Studies of metalanguage in current linguistics

Óscar Loureda

Universidad de Heidelberg
Alemania

Dirección para correspondencia


RESUMEN

En este trabajo llevo a cabo un breve recorrido por los hechos metalingüísticos que constituyen un complemento actual de aquella orientación primera de los estudios que tiene su base en los conocidos trabajos de Jakobson. Se trata de manifestaciones de la dimensión reflexiva del lenguaje que: a) o ‘hablan del’ lenguaje (discursos sobre el lenguaje); b) o presentan distinciones en el ámbito ‘real’ del lenguaje (léxico, fraseología, etc.); c) o son trozos de lenguaje presentados en el texto sobre los que se habla (uso metalingüístico); d) o son signos lingüísticos que para ser comprendidos por completo explícitamente necesitan la ‘objetivación’ de otros signos (enunciados-eco). Además de mostrar una tipología de los hechos, propongo una clasificación funcional dentro de una teoría del lenguaje ‘realista’.

Palabras Clave: Metalenguaje, metadiscurso, reflexividad del lenguaje.


ABSTRACT

In this article I will draw a short overview over the metalinguistic facts that form a complement to Jakobson’s early works. It will deal with the manifestations of the reflexive dimension of language, which a) either ‘speak about’ language (discourse about language); b) or present distinctions on the ‘real’ level of language (lexicon, phraseology etc.); c) are pieces of language represented in texts that are spoken about (metalinguistic use); d) or are linguistic signs that in order to be understood completely and explicitly need the ‘objectivation of other signs (eco utterances). Apart from presenting a typology of the facts, I will propose a functional classification within a ‘realistic’ language theory.

Key Words: Metalanguage, metadiscourse, language reflexivity.


INTRODUCCIÓN

Con una rápida revisión de la bibliografía podemos advertir que el conjunto de hechos que se consideran bajo el concepto de ‘metalenguaje’ es ya, lejos de la relativa homogeneidad inicial, notablemente plural. Se someten a examen, por ejemplo, refranes y dichos que predican algo del lenguaje o del hablar, como ‘Donde dije digo, digo Diego, ‘Al pan, pan, y al vino, vino’ o ‘A buen entendedor, pocas palabras bastan’; también se considera otro tipo de discurso, no histórico o no tradicional, como ‘Ese quizás me sonó a un no‘ o Sócrates es un nombre, bien en lo que concierne a las propiedades semióticas de las unidades ‘mencionadas’, bien en lo que concierne a la predicación misma (= al comentario propiamente dicho), como en el análisis (‘metapragmático’, se dice) que implica la famosa frase de Voltaire: “Cuando un diplomático dice un ‘sí’ quiere decir un ‘quizás’, cuando dice un ‘quizás’ quiere decir un ‘no’, y si dice un ‘no’ no es un diplomático”; o en la identificación/interpretación de los valores que conlleva la célebre anécdota del rey Carlos V, quien una vez declaró que él hablaba en español con Dios, en italiano con los hombres, en francés con las mujeres y en alemán (probablemente, en flamenco) con los caballos.

Se habla de ‘metalenguaje’ también en el ámbito del léxico, para referirse a numerosos términos con que las lenguas distinguen formas de hablar, como ‘mentir’, ‘acusar’, ‘susurrar’, ‘declarar’, ‘decir’ o ‘conversar’; cualidades de las personas en tanto que hablantes, como ‘locuaz’, ‘badulaque’ o ‘bienhablado’, o de los discursos como tales, por ejemplo, ‘lapidario’, ‘conciso’, ‘escueto’ o ‘sucinto’; o modos de presentarse los textos, como ‘explicación’, ‘charla’, ‘comentario’, ‘conversación’, ‘noticia’, ‘justificación’, ‘diálogo’, ‘discusión’, ‘carta’, etcétera.

Referencias a lo metalingüístico se hallan, asimismo, en estudios sobre el ‘discurso repetido’ (Coseriu, 1981), en concreto en estudios sobre aquel discurso repetido que no puede reducirse a textos, sino a unidades de nivel inferior, esto es, en unidades fraseológicas equivalentes a sintagmas e incluso a palabras Coseriu (2007) (véase también la Nota 1):

“hablar como un papagayo, hablar como un descosido, hablar por los codos, hablar más que un sacamuelas; hablar en plata; hablar/decir en cristiano, hablar uno en romance, hablar en román paladino; hablar cara a cara, decir a los cuatro vientos, decir(se)lo (incluso) al lucero del alba, decir para sí, decir entre nosotros” (Coseriu, 2007: 112).

Más aún, a la investigación gramatical, además de las estructuras metalingüísticas que se emplean en el nivel (sub)oracional, le resultan interesantes los procedimientos regulados específicamente por cada idioma que operan en el nivel del texto. Y además de hacer explícita la gramática del uso metalingüístico, resulta particularmente importante dar cuenta de sus empleos y motivaciones en el hablar corriente (Vigara, 1992). Muchas veces, en efecto, se emplean los signos relacionándolos conscientemente con otros signos, de la propia lengua o de otra, o con otros textos o fragmentos de textos más o menos conocidos: creamos, en una palabra, ‘evocaciones.’ En los chistes este recurso metalingüístico sirve para generar desenlaces cómicos, por ejemplo en ‘¿Cómo se llama el director de una clínica japonesa? Dr. Sekuro Ketekura’. ‘¿Y el jefe de urgencias de esa misma clínica? Dr. Takurado Yamimo’. En estos casos, en la configuración de los signos se imita la forma sonora de los significantes del japonés, o más bien lo que culturalmente se interpreta como la forma sonora del japonés. Análogos procesos se desencadenan en la modificación de frases hechas, en la publicidad, como en ‘No compre sin Thom ni Son (por sin ton ni son)’ o en ‘Familia Philips, familia feliz’; o también en traducciones literales, como en ‘Las aves del César murieron por falta de salud’, traducción de ‘Ave Cesar morituri te salutant’, feliz, por ejemplo, desde el punto vista de un chiste.

Existe, finalmente, y por ahora sin ánimo de ser exhaustivo, distintos hechos y procedimientos propiamente ‘metadiscursivos’. Los denomino de este modo porque solo caben en el nivel del discurso (= en el texto o en el hablar) y porque exigen, tanto en la fase de construcción como en la de interpretación, la puesta en marcha de una conciencia lingüística reflexiva (Lucy, 1993). Me refiero, por ejemplo, a la atenuación y a la intensificación del decir y de lo dicho -nótese la diferencia entre ‘Lee este trabajo mío y dime qué te parece’ y ‘Soy un pesado, ya sé, pero si pudieras, y digo solo si pudieras, leerme este trabajito y decirme qué te parece’-, o a los tipos de intertextualidad, como la cita o la ironía- enunciados-eco, como la ironía: cuando en la película ‘El padrino’ el protagonista dice: “Mi padre fue la segunda vez con Luca Brasi y le hizo una oferta que no pudo rechazar”, todos entendimos el enunciado irónico… y con ello, de qué clase de ‘oferta’ se trataba. De todos los hechos y procedimientos metadiscursivos se ocupa la pragmática, o la ‘lingüística del texto’, pues tienen lugar en el hablar, aunque en cierta medida pueden estar determinados por la gramática textual de cada idioma1.

Por lo tanto, se ha producido una extensión en los estudios sobre el metalenguaje. Una extensión doble, incluso: cuantitativa y cualitativa. Los tratados que inauguran el estudio de lo metalingüístico enseñan que en el hablar sobre la realidad y en el hablar sobre el lenguaje los signos se emplean de distinta manera. La lógica escolástica medieval estableció la distinción entre significatio, el concepto, y suppositio, el modo en que los nombres hacen referencia a las cosas y agregó a la lógica de Aristóteles, y de sus famosos continuadores Porfirio y Boecio, un nuevo capítulo, de terminorum proprietatibus, o de las propiedades de las palabras. La doctrina de la suppositio empleó este término para denotar los varios modos regulares en que un nombre puede usarse para denotar objetos diferentes (Urban, 1952). Los modos en que un signo se aplica a las cosas deslindan ante todo lo que pertenece al lenguaje de lo que no (San Agustín, De Magistro, 1970). A estas modalidades de referencia Shyreswood (1937) las denomina, respectivamente, suppositio materialis y suppositio formalis:

“Est igitur suppositio quaedam materialis, quaedam formalis. Et dicitur materialis, quando ipsa dictio supponit vel pro ipsa voce absolute vel pro ipsa dictione composita ex voce et significatione, ut si dicamus: homo est dissillabum, homo est nomen. Formalis est, quando dictio supponit suum significatum” (San Agustin, 1970: IV, 7-8).

La lógica neopositivista del Círculo de Viena recupera estas distinciones porque las necesita para construir un lenguaje de orden superior y formalizado que fundamente y sea capaz de interpretar el valor de verdad de las proposiciones del lenguaje científico:

“We have to use two different languages in discussing the problem of the definition of truth and, more generally, any problem in the field of semantics. The first of these languages is the language which is ‘talked about’ and which is the subject matter of the whole discussion; the definition of truth we are seeking applies to the sentences of this language. The second is the language in which we ‘talk about’ the first language, and in terms of which we wish, in particular, to construct the definition of truth for the first language” (Tarski, 1944: 349)2.

Aunque fue Hjelmslev (1971), en sus ‘Prolegómenos a una teoría del lenguaje’, quien transvasó a la lingüística el término ‘metalenguaje’ (o como él prefiere, ‘metasemiótica’), la expresión ‘función metalingüística’ o ‘glosadora’ procede de los trabajos de Jakobson (1984) que toma el concepto de la lógica, pero lo extiende y supera. Por una parte, concibe el metalenguaje en relación con las funciones o dimensiones del lenguaje3: “Cuando el destinador y/o el destinatario quieren confirmar que están usando el mismo código, el discurso se centra en el código: entonces realiza una función metalingüística” (Jakobson, 1984: 357); y, por otra, no cree que se trate solamente de una herramienta ‘científica’ (del lenguaje de lógicos o lingüistas) y ‘formalizada’ (= artificial) para la descripción del lenguaje-objeto: “También juega un papel importante en el lenguaje de todos los días”. En síntesis, la principal contribución de Jakobson (1984) reside en la interpretación del ‘lenguaje descriptivo’ de la lingüística como un metalenguaje4 y, sobre todo, en el reconocimiento de la presencia de operaciones metalingüísticas en el llamado lenguaje ‘natural’ como un recurso de los hablantes para objetivar (= para transformar en objeto del decir) los signos.

Después de Jakobson (1984), y sobre todo después del trabajo de Rey-Debove (1997), la lingüística abandonó en buena medida la idea de que el metalenguaje constituye un lenguaje formalizado; de hecho ‘juega un papel importante en el lenguaje de todos los días’5. Desde entonces ha desarrollado, por un lado, la investigación en campos ya explorados desde el punto de vista de la lógica, como son la organización del modo de hablar sobre lo lingüístico (esto es, las relaciones entre el lenguaje primario y metalenguaje) y las propiedades de los signos sobre los que se predica algo (= los signos ‘mencionados’, ‘autónimos’ o ‘usados metalingüísticamente’)6, y, por otro lado, ha puesto de relieve otras manifestaciones de lo metalingüístico que confirman la importancia de la dimensión reflexiva del lenguaje7.

En este trabajo realizo una breve revisión de hechos metalingüísticos que constituyen un complemento de esa orientación inicial de los estudios. Se trata de manifestaciones del metalenguaje o de la dimensión reflexiva del lenguaje (‘lenguaje en el lenguaje’ o ‘lenguaje sobre el lenguaje’): a) o ‘hablan del’ lenguaje (discursos sobre el lenguaje), b) o presentan distinciones en el ámbito ‘real’ del lenguaje (léxico, fraseología, etc.), c) o son trozos de lenguaje presentados en el texto sobre los que se habla (uso metalingüístico), d) o son signos lingüísticos que para ser comprendidos por completo explícitamente necesitan la ‘objetivación’ de otros signos (enunciados-eco). Además de mostrar una rápida tipología de los hechos (muy sintética, eso sí) intentaré proponer su clasificación funcional en una teoría del lenguaje realista. Esta teoría del lenguaje es de Coseriu (1973). Una de las más difundidas distinciones Coseriu, basada en planteamientos clásicos, separa tres niveles en el hablar: el ‘universal’, el ‘histórico’ y el ‘individual’. En su ‘Competencia lingüística’ (Coseriu, 1992) explica que el lenguaje nace de una capacidad general del hombre para expresarse; reconoce, además, que se acompaña, a veces, de una actividad gestual que incide en el contenido de lo que se expresa; e indica, asimismo, que presenta una dimensión puramente biológica. Pero, subraya, ninguno de los tres planos anteriores aporta la verdadera y esencial dimensión del hablar: también en los animales se aprecia cierta capacidad de expresión, hábitos gestuales y una disposición psíquico-física para producir y captar mensajes. El lenguaje (casi huelga decirlo, humano) es cualitativamente diferente por su dimensión cultural. Coseriu (1992: 86) lo define en este sentido como:

“una actividad humana universal que es realizada individualmente en situaciones determinadas por hablantes individuales como representantes de comunidades lingüísticas con tradiciones comunitarias del saber hablar”.

Por lo tanto, el hablar es una actividad ‘universal’, común a todos los hombres; también es ‘histórica’, pues quien habla emplea, por lo menos, una lengua; y es ‘individual’ porque habla un individuo (también en el diálogo, alternativamente) y porque tiene lugar en un ‘entorno’ determinado. En cada uno de estos niveles existe una manifestación de lo metalingüístico.

NOTAS

1 Las lenguas pueden tener procedimientos específicos (= una gramática) para la inserción e identificación en el hablar de tales hechos. En este sentido, partiendo de los niveles del lenguaje -universal, histórico, individual-, Coseriu (2007) distingue dos conceptos de texto: el texto como nivel autónomo de lo lingüístico y el texto como nivel de estructuración idiomática superior a la oración. Esta distinción funcional, añade, exige dos disciplinas distintas: una lingüística del nivel histórico, la gramática del texto, que estudie los procedimientos estrictamente idiomáticos para la construcción de los textos y una disciplina del nivel individual, una lingüística del texto capaz de revelar y justificar el sentido de todos los discursos. Coseriu (2007) entiende, pues, que la lingüística del texto no coincide en absoluto con la sintaxis que va más allá de la oración, nacida para describir tres tipos de hechos: los que pueden extenderse a lo largo de varias oraciones (como las citas o las enumeraciones), los que son característicos de una determinada clase de texto (como la elipsis en los telegramas o en los SMS) y los que funcionan en la oración pero apuntan más allá de sus límites (como los mecanismos de cohesión).

2 Como dice Lara (2001: 98), “un ‘metalenguaje’ es, para los lógicos que siguen a Hilbert y a Tarski, un lenguaje cuya única finalidad y función es fundamentar el valor de verdad de las proposiciones que se hagan con un determinado ‘lenguaje-objeto’, sea este la matemática (Hilbert) o cualquier otro lenguaje científico (Tarski & Carnap); en segundo lugar, el ‘metalenguaje’ es una construcción controlada que define lo que puede tener sentido en el ‘lenguaje-objeto’ y las reglas con que se pueden producir proposiciones con sentido en él; en tercero, un ‘metalenguaje’ es ‘esencialmente más rico’ que su ‘lenguaje-objeto’, por cuanto contiene variables de un tipo lógico superior al de las variables de este”.

3 Unas funciones del lenguaje que, por lo demás, se presentan como una extensión del modelo de órganon de Bühler (1967).

4 Sobre la idoneidad (o según el autor, sobre la falta de idoneidad) del adjetivo ‘metalingüístico’ aplicado al hablar sobre el lenguaje, en tanto que lenguaje de observación y descripción. Véase Lara (2001).

5 Sin embargo, continúa la discusión sobre cómo se construye el lenguaje de descripción (= secundario, convencional) de la lingüística o de disciplinas dependientes de la lingüística, como la lexicografía (por ejemplo, en Lara, 2001) o la gramática, pues constituyen ‘metalenguajes’ o modos de hablar científicos.

6 Carnap (1934) llamó ‘autónimos’ a los signos que se designan a sí mismos, opuestos a aquellos signos que designan las cosas (‘heterónimos’). Quine (1968), desde el punto de vista lógico, introdujo la oposición entre ‘uso’ y ‘mención’ (‘signos usados/signos mencionados’).

7 Sigo mi exposición en Loureda (2001).

Continuar leyendo en la Revista signos, 2009, 42(71), 317-332.

 

Os textos no mundo sempre em constituição, sempre levando todo tipo de conhecimento, sempre iluminando nossas vidas.

Assim começo, um tanto poética talvez para falar de uma estratégia de marketing em que a exploração da textualidade atinge de forma surpreendente determinado público-alvo. Falo de iniciativa da concessionária de energia AES Eletropaulo através da campanha publicitária “Mensagens que Brilham”, criada pela agência Dim&Cazian.

E qual é a ideia? Postes de iluminação receberam dispositivos com lentes que por meio da luz projetam pequenos textos – previamente selecionados – para contar histórias de pessoas comuns, ocorridas nas proximidades dos postes. Desse encontro inesperado entre  tecnologia e comunicação surgiu uma “mídia para contar histórias”.

A primeira etapa da campanha foi implementada na cidade de Barueri/SP e este é o vídeo de apresentação do projeto:

A montanha de notícias veiculadas pela mídia a respeito dos manifestos que ocorreram em diversas capitais brasileiras em 17/06/2013 pode render uma bela aula de interpretação de textos.

Para auxiliar nesta tarefa convoco o professor Luiz Antonio Marcuschi, porque ele escreveu sobre verbos introdutores de opinião e observou o seu  funcionamento especificamente “no noticiário político dos jornais diários” (MARCUSCHI, 2007. p. 146). A tentativa é  responder de forma breve a duas questões colocadas pelo autor:

1) “será possível informar opiniões sem manipulá-las?”

2) “qual a estratégia usada pelos jornais na informação de opiniões?”

A notícia selecionada foi publicada pelo site do jornal Zero Hora, de Porto Alegre/RS, em 18/06/13, na seção Geral e diz respeito a pronunciamento do governador do estado (Tarso Genro) acerca dos protestos ocorridos na noite de segunda-feira (17/06) na capital gaúcha.  A manchete e o respectivo lide são os seguintes:

Tarso: “A orientação era reagir para defender a integridade física das pessoas”

Governador defendeu a atuação da Brigada Militar nos protestos da noite desta segunda-feira

tarso

Os dois pontos e a inserção aspeada em produções textuais exemplificam dois recursos linguísticos empregados com a finalidade de relatar opiniões, os quais entram sobretudo na composição de manchetes como a que fora apresentada acima. A opção do produtor da notícia demonstra uma estratégia para jogar a responsabilidade pela informação ao seu próprio emissor (Tarso).

Quanto aos verbos, destaco a seleção de “reagir” e “defender”, os quais indicam, pela classificação de Marcuschi, retomadas opositivas e organizam aspectos conflituosos. Logo, na opinião expressa com as palavras exatas do governador, os protestos noticiados são tomados predominantemente como situação de conflito, mesmo que parcela mínima de manifestantes seja responsabilizada por isto: “Uma pequena parte dos manifestantes queria a depredação” (fala reproduzida de Tarso Genro), “uma minoria depredou uma concessionária de motos” (descrição do jornalista).

Já no lide, com o uso do verbo “defendeu” o produtor resume a notícia atribuindo ao governador o papel de defensor das ações tomadas pela polícia, as quais foram orientadas por quem?? A partir do momento em que há necessidade de defender uma posição ou ação é porque esta provavelmente gera controvérsia. E a justificativa da defesa pode ser esta observação nada inocente do jornal: “A Tropa de Choque da Brigada Militar reagiu com bombas de efeito moral para [dispersar] os manifestantes e houve confronto.”

Por fim, encerro a análise destacando o quanto pode ser transformador para o aluno ter a oportunidade de desenvolver e aprimorar a habilidade de leitura crítica, coisa que a Linguística Textual oferece com bastante propriedade, e lembrando ainda que:

é muito difícil informar sem manipular, por melhores que sejam as intenções. Portanto, as estratégias jornalísticas para relatar opiniões não são uma mera questão de estilo, pois as palavras são instrumentos de ação e não apenas de comunicação (MARCUSCHI, 2007, p. 168).

Leia mais em: MARCUSCHI, Luiz Antônio. A ação dos verbos introdutores de opinião. In: ______. Fenômenos da linguagem: reflexões semânticas e discursivas. Rio de Janeiro: Lucerna, 2007. p. 146-168.

Ajustando o foco de estudo para os textos

Estudar as funcionalidades da língua através dos textos é a proposta que trago comigo desde a graduação. Era a isto que me referia quando comentei no blog sobre o uso de texto humorístico da tirinha do Rômulo – Metonímia com Rômulo, o pedante.  Defini o foco para meus estudos linguísticos a partir do trabalho Fronteira entre texto e exercício gramatical, fruto das discussões com o grupo do projeto de iniciação científica, também já mencionado aqui. O trabalho foi divulgado em dois eventos e o resumo publicado nos respectivos anais:

– I Mostra da Produção Universitária/FURG;

21ª Semana de Letras/UFSM.