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Reproduzo o comunicado recebido do editor desta revista portuguesa, Tiago Lima, bem como
recomendo a leitura dos artigos, cujos temas principais são comunicação, mídia, internet
e afins. De modo especial, interessei-me pela proposta do trabalho: "Problematizar para
intervir: rádio online e educação para os media como estratégia de inclusão de jovens", 
produzido por Maria José Brites, Sílvio Correia dos Santos, Ana Jorge e	Catarina Navio.

Crédito: © mapoli-photo

Crédito: © mapoli-photo

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Dear Colleagues,
 
We are pleased to announce that (OBS*) Observatorio journal's latest issue
is now available.
 
Vol 8 No 1 (2014), including contributions from scholars from Spain, Sweden,
Portugal, Colombia, Australia, Pakistan, Greece and Cyprus, published in
English, Spanish and Portuguese, is now available to any interested reader,
free of charge – simply go to the website
[http://obs.obercom.pt/index.php/obs] and register.
 
OberCom, Observatory for the Media, is one of Portugal’s premier centres
on media research. Its peer-review journal, Observatorio(OBS*), is an
online, multimedia, open access, academic character publication. It is an
interdisciplinary e-journal which, although focused in communication, is
opened to the contributions of other subjects which claim themselves as part
of the Communication Studies’ areas, from academia to the business-related
world.
 
Observatorio (OBS*) e-journal is a publication with international character,
which accepts and publishes texts written in Portuguese, Spanish, Catalan,
Galician, Italian, French and English.
 
We hope you will find this project of interest to your research activity and
that, in a near future, we will be able to count with your work among the
authors published at Observatorio (OBS*) journal.
 
Gustavo Cardoso and Rita Espanha
Editors
 
Tiago Lima (Tiago.lima@obercom.pt)
Journal Manager
___________________________________________________
Caros colegas,
 
É com satisfação que anunciamos o lançamento do mais recente número da
revista académica Observatorio (OBS*).
 
O Vol 8 No 1 (2014) inclui contribuições de investigadores de Portugal,
Suécia, Colômbia, Espanha, Austrália, Paquistão, Grécia e Chipre. Os
textos presentes neste volume encontram-se publicados em Inglês, Castelhano
e Português, disponíveis para consulta por parte dos leitores interessados
– bastando, para tal, navegarem até
[http://obs.obercom.pt/index.php/obs].
 
OberCom, Observatório da Comunicação, é um dos centros portugueses de
investigação em comunicação. A sua revista Observatorio (OBS*) é uma
publicação online, multimédia, em open access, e de características
académicas. Trata-se de uma revista interdisciplinar que, embora focada na
comunicação, se encontra aberta às contribuições de outras áreas que
se reclamem parte dos estudos da comunicação, desde a academia até ao
mundo empresarial.
 
Observatorio (OBS*) e-journal é uma publicação de alcance internacional,
que aceita e publica textos escritos em Português, Inglês, Francês,
Italiano, Castelhano, Catalão e Galego.
 
Esperamos que este projecto editorial seja de interesse para o seu trabalho
de investigação e que, num futuro próximo, possamos contar com trabalhos
seus entre os autores publicados pela Observatorio (OBS*).
 
Gustavo Cardoso e Rita Espanha
Editores
 
Tiago Lima
Journal Manager, OBS
 
Observatorio (OBS*)
Vol 8, No 1 (2014)
Table of Contents
http://obs.obercom.pt/index.php/obs/issue/view/40
 
Articles
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Framing the Financial Crisis: An unexpected interaction between the
government and the press
	Kajsa Falasca
 
A clearer picture: Towards a new framework for the study of cultural
transduction in audiovisual market trades.
	Enrique Uribe-Jongbloed,	Hernán David Espinosa-Medina
 
A mediatização da dengue na imprensa portuguesa:  Os casos do Público,
Expresso, Jornal de Notícias e Diário de Notícias
	Felisbela Lopes,	Rita Araújo
 
Tendencias de uso de YouTube: optimizando la comunicación estratégica de
las universidades iberoamericanas
	Alba Patricia Guzmán,	Maria Esther Del Moral
 
Inevitabilidade Digital: O Poder dos Laços Fracos, Convergência e
Curiosidade na Disseminação do Stuxnet
	Hugo Filipe Ramos
 
Mediating the voice of personal blogging: an analysis of Chinese A-list
personal blogs
	Jianxin Liu
 
Problematizar para intervir: rádio online e educação para os media como
estratégia de inclusão de jovens
	Maria José Brites,	Sílvio Correia dos Santos,	Ana Jorge,	Catarina Navio
 
Service Quality of News Channels: A Modified SERVQUAL Analysis
	Muhammad Mursaleen,	Mubashir Ijaz,	Muhammad Kashif
 
Las prácticas auto-promocionales en el discurso periodístico de TVE
	Marina Santín Durán
 
The Internet as a source of information. The social role of blogs and their
reliability
	Maria Keskenidou,	Argyris Kyridis,	Lina P. Valsamidou,	Alexandra-Helen
Soulani
 
 
__________________________________
Observatorio(OBS*)
http://obs.obercom.pt/index.php/obs
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Respeito

O que está sendo feito
Pode ser de outro jeito
O que já se fez e bem feito
O que está sendo feito
Pode não estar direito
O que passou é perfeito
O que está acontecendo
Pode ter defeito
O que já foi eu aceito
O que está acontecendo
Pode ser de outro jeito
O que passou merece
Respeito

(Arnaldo Antunes)

Crédito: Carolina Santos

Crédito: Carolina Santos

Ser Diferente É Normal

Todo mundo tem seu jeito singular
De crescer, aparecer e se manifestar
Se o peso na balança é de uns quilinhos a mais
E daí, que diferença faz?

Todo mundo tem que ser especial
Em seu sorriso, sua fé e no seu visual
Se curte tatuagens ou pinturas naturais
E daí, que diferença faz?

Já pensou, tudo sempre igual?
Ser mais do mesmo o tempo todo não é tão legal
Já pensou, sempre tão igual?
Tá na hora de ir em frente:
Ser diferente é normal!

(Preta Gil)

Continuação…

É o que faz com que ela não seja nem curta, nem longa demais, mas que seja intensa, verdadeira, pura enquanto durar. Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina.

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Mascarados

Saiu o Semeador a semear
Semeou o dia todo
e a noite o apanhou ainda
com as mãos cheias de sementes.
Ele semeava tranquilo
sem pensar na colheita
porque muito tinha colhido
do que outros semearam.
Jovem, seja você esse semeador
Semeia com otimismo
Semeia com idealismo
as sementes vivas
da Paz e da Justiça.

Cora Coralina

O poema acima, inédito em livro, foi publicado pelo jornal “Folha de São Paulo” — caderno “Folha Ilustrada”, edição de 04/07/2001. (http://www.releituras.com/coracoralina_mascarados.asp)

O exercício da autoria através das tecnologias e do que a mídia pode proporcionar é o que tento fazer neste blog, seja produzindo textos e conteúdos, seja compartilhando textos e produções alheias.

Por indicação de uma amiga, tomei conhecimento de interessante projeto que incentiva tal prática autoral. Refiro-me ao Festival de Vídeo Estudantil e à Mostra de Cinema, realizados em Guaíba, cidade da região metropolitana de Porto Alegre/RS.  O festival é gratuito, voltado às comunidades estudantil e geral, conta com etapas preparatórias durante o ano e divulgação em escolas da rede básica de ensino. Aproxima-se agora a etapa final que acontecerá de 25 a 30 de novembro de 2013.

Não poderia deixar de destacar o texto de apresentação que consta no site do evento, pois considero ser uma fonte propulsora de realidades, ideias e produções sobretudo (e não exclusivamente) para professores do Brasil inteiro:

“A proposta do Festival de Vídeo Estudantil e Mostra de Cinema – Guaíba/RS, além de firmar-se como um evento que revela a capacidade de alunos da rede básica de ensino de lidar com a linguagem da mídia e exercitar sua autoria utilizando a tecnologia para expressar-se, é de expandir-se como experiência pedagógica de sucesso, partilhando uma metodologia de formação de leitores e produtores de mídia televisiva com educadores e estudantes de pedagogia. As oficinas que oferecem referências básicas da linguagem e noções técnicas da utilização do equipamento de captação e edição de imagens são programadas como atividades preparatórias, visando estimular a participação qualificada de alunos e professores que desejam realizar suas produções para o Festival de Vídeo.

Numa cidade que não possui sequer uma sala de exibição, a Mostra de Cinema oportuniza o acesso de toda a comunidade de Guaíba a filmes nacionais, além de revelar especificidades da linguagem, produção e montagem na área do cinema, contemplando aos interessados em ampliar seus conhecimentos com palestras e oficinas.”

Mais informações:
E-mail: festival@festvideoguaiba.com.br
Página no Facebook: https://www.facebook.com/festestudantil
Endereço para correspondência: Instituto Estadual de Educação Gomes Jardim, Rua Dr. José Montaury, 289 – Centro – Guaíba/RS – Cep 92500-000

Para entendermos a metalinguagem devemos pensar primeiro como se define a linguagem. Todos nós como falantes de língua portuguesa podemos desenvolver habilidades de expressão verbal através da língua e não verbal por meio de outros modos de expressar uma informação com finalidades diversas.

A soma dos modos de expressão verbal e não verbal constitui a linguagem que, na visão do filósofo Mikhail Bakhtin, é uma atividade social e interacional, justamente porque os falantes que vivem em sociedades usam tais modos de expressão em ações conjuntas com diversos objetivos, dentre eles, a comunicação, a troca de experiências, a busca do conhecimento. Não só a língua, mas também sons, imagens estáticas ou em movimento, elementos gráficos, movimentos corporais, etc. são modos de expressão que realizam atividades sociais, isto é, são modalidades de linguagem.

O linguista Roman Jakobson afirma que o estoque de conhecimento linguístico do falante permite que este fale em sua língua e também fale de/sobre sua língua. Um exemplo prático para entender as maneiras diferentes de usar a língua é imaginar uma pessoa que coloca a cabeça para fora de um veículo em movimento e fica olhando para quem está dentro do carro. Evidentemente é uma atitude arriscada, porém serve para mostrar o que é feito quando se usa a metalinguagem. Isto quer dizer que ocorre um posicionamento externo de quem se expressa para tratar da língua ou de outra modalidade de linguagem. Que outros exemplos de metalinguagem nós temos? O matemático que usa os próprios números para fazer os cálculos; o gramático que usa a própria língua para produziras regras; o falante que usa a própria língua para confirmar se entendeu o que outro falou fazendo a seguinte pergunta: “O que é que você quer dizer?”.

Jakobson também observa que praticamos a metalinguagem desde criança em nossas primeiras experiências de expressão verbal e isto se mantém pela vida toda, tanto que usamos a metalinguagem às vezes sem perceber a inversão de posição para falar da linguagem através dela mesma. Há casos em que a prática da metalinguagem é intencional, mas se tratam de situações específicas cujo objetivo é explorar os significados que o uso metalinguístico pode provocar. Na sequência, teremos contato com outras produções em que a metalinguagem se apresenta.

Materiais sugeridos para desenvolver atividades voltadas ao Ensino Médio:

– vídeo da canção Versos Simples;

– letra da canção Versos Simples;

exercícios.

metalinguagem

Referências bibliográficas

BAKHTIN, M. Estética da criação verbal. Trad. de P. Bezerra. 4. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2003 [1979].

JAKOBSON, R. Linguística e comunicação. 22.ed. Tradução de  Izidoro Blikstein; José Paulo Paes. São Paulo: Cultrix, 2010.

1. Linhas gerais da proposta de estudo

As implicações de novas tecnologias no contexto social são inegáveis, sobretudo, ao considerar as opções para estabelecer interações sociais surgidas desde a disseminação de inovações como a internet. Na ótica de Crystal (2005), o advento desse novo meio de comunicação afetou toda a sociedade e dispõe de caráter revolucionário concernente a aspectos linguísticos, tecnológicos e sociais.

Ao atribuir um caráter revolucionário à internet, o linguista irlandês conduz à percepção de mudanças de ordem linguística verificadas, por exemplo, em bate-papos virtuais, fóruns de discussão, e-mail. Nesses eventos de comunicação, realiza-se a prática social de estabelecer vínculos (pessoais, comerciais, educacionais, profissionais, etc.) através de uma prática discursiva: a troca de textos escritos em diversos gêneros com traços de oralidade e associados a elementos visuais e sonoros.

A inovação de tal mídia deve-se ao status ser a maior rede mundial de computadores, para Crystal, a principal mudança tecnológica, além do compartilhamento de dados entre computadores, cuja velocidade de processamento depende da configuração atualizada de equipamentos e programas específicos. Por sua vez, o dinamismo e a interatividade, propiciados pela conexão com a rede mundial, estendem-se à comunicação interpessoal feita em ambiente digital ou ao que a literatura linguística e de teorias da comunicação propõem como comunicação mediada por computador (CMC).

Na perspectiva social, o mesmo linguista ressalta mudanças comportamentais decorrentes da CMC, pois, em interação à distância, pessoas contatam amigos, clientes, professores, familiares e inclusive desconhecidos do mundo inteiro. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)[1] confirmavam em 2005 a reconfiguração do comportamento social, exemplificada por: uso concentrado de internet entre jovens de 15 a 17 anos (33,9%), a predominância de usuários pertencentes à população ocupada e estudantil (39,1%) e a constatação de que a comunicação com outras pessoas e educação/aprendizado eram na época as duas principais finalidades de acesso à internet.

Partilhamos da ideia de que a interação social na internet se dá pela troca de textos escritos em diversos gêneros, dentre os quais, destacamos o gênero depoimento publicado na versão brasileira do site de relacionamentos Orkut. Inclusive é possível encontrar em textos dessa variedade traços de outros gêneros digitais, como e-mail, blog e bate-papo virtual. Foi essa consideração empírica que conduziu ao interesse de verificar o comportamento dos depoimentos do Orkut, enquanto gênero que integraria o conjunto de gêneros textuais identificados em situação emergente no contexto da tecnologia de comunicação digital. Para tanto, situamos inicialmente nossa proposta na perspectiva de estudos vislumbrada por Marcuschi (2005: 13):

Os gêneros emergentes nessa nova tecnologia são relativamente variados, mas a maioria deles tem similares em outros ambientes, tanto na oralidade como na escrita. Contudo, sequer se consolidaram, esses gêneros eletrônicos já provocam polêmicas quanto à natureza e proporção de seu impacto na linguagem e na vida social. Isso porque os ambientes virtuais são extremamente versáteis e hoje competem, em importância, entre as atividades comunicativas, ao lado do papel e do som. Em certo sentido, pode-se dizer que, na atual sociedade da informação, a Internet é uma espécie de protótipo de novas formas de comportamento comunicativo. Se bem aproveitada, ela pode tornar-se um meio eficaz de lidar com práticas pluralistas sem sufocá-las […]

Acrescentamos que o interesse em promover o debate na comunidade acadêmica sobre a interferência de novas tecnologias digitais em manifestações linguísticas decorre da possibilidade de examinar um aspecto significativo do processo de reformulação cultural pelo qual passa a sociedade contemporânea, cujo agente principal é a internet. Assim, as mudanças comportamentais – de cunho social e linguístico – são observadas como alterações sujeitas a aspectos da cibercultura, na acepção de Lévy (1999: 17): “o conjunto de técnicas (materiais e intelectuais), de práticas, de atitudes, de modos de pensamentos e de valores que se desenvolvem juntamente com o crescimento do ciberespaço”[2].


[1] Esses dados constam do suplemento da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – PNAD de 2005 sobre acesso à Internet e posse de telefone móvel celular para uso pessoal, um levantamento realizado pelo IBGE em parceria com o Comitê Gestor da Internet no Brasil – CGI.bra.
[2] Ciberespaço é o espaço da Internet, segundo Crystal (2005: 77): “um mundo de informação, presente ou possível, em forma digital (chamado anteriormente de information superhighway)”.
folder-REA

Disponível em: http://rea.net.br/site

Eu cresci junto com essa história, sou filha de professora da rede pública estadual, estou perto dos 40 anos e a minha impressão é que a valorização do trabalho dos professores gaúchos parece ter virado lenda! O jeito é fazer piada como na charge de Latuff. Pode ser que mudando o gênero textual se consiga ao menos sinalizar que enquanto esse “tempo feio” não mudar haverá sempre a previsão de dias de luta pela melhoria, seja por meio de palavras, seja por meio de ações.

Latuff Cartoons

Ver o post original

sinônimos

Nesta charge, o personagem infantil questiona quanto ao uso referencial dos nomes “CARTEL”, “GANG”, “TUCANO”, “QUADRILHA”, “PRIVATARIA” e a relação léxico-semântica de cossignificação entre os nomes. Ou seja, a fonte do humor vem da tentativa de atribuir uma significação compartilhada para itens linguísticos que, a princípio, categorizam (ou introduzem no texto ) objetos de discurso/referentes textuais com diferentes traços semânticos. A fala do “VOVÔ” autoriza essa leitura e aí reside todo o sentido da piada que também envolve relações metalinguísticas, pois a compreensão requer:

(i) o reconhecimento inicial de que o texto multimodal (produzido com a combinação de linguagens verbal e não verbal) representa uma interação entre sujeitos que expressam hipóteses sobre o uso da língua;

(ii) a recuperação de um conhecimento enciclopédico e possivelmente compartilhado entre os personagens da charge (e leitores), da definição de sinônimo, da interseção entre significados que há na relação de sinonímia;

(iii) o deslocamento de sentidos dos elementos linguísticos do texto para o campo metafórico, pois não se trata de mera conversação sobre o uso de certas palavras da língua, porque assim temos apenas uma leitura entre os níveis superficial e médio;

(iv) a análise da referência a “TUCANO” – termo designador do símbolo do partido PSDB e dos seus filiados – como remissiva a uma temática focada em avaliação depreciativa do cenário político do país (considerando os traços semânticos negativos que se pode atribuir aos outros termos entre aspas na pergunta), e assim atingimos uma possível leitura profunda do sentido crítico que a charge carrega.

Quanto aos elementos não verbais, uma coisa interessante de notar é a caracterização dos personagens e os significados que revelam. Temos de um lado um menino provavelmente na faixa dos 6 a 8 anos, usando vestimentas informais e coloridas indicadas para estação quente, inclusive come um picolé sentado de modo descontraído no chão. Todos esses ícones apontam para a leitura de um perfil relacionado à juventude, através do personagem infantil demonstra-se a voz, o olhar simplificador e o posicionamento generalizante da juventude, neste caso, em relação à política nacional. De outro lado, está caracterizado um homem idoso, que ao contrário do menino não sente a mesma sensação térmica por estar vestindo uma roupa que cobre todo seu corpo, além disso o personagem idoso usa óculos, quer dizer que tem problemas de visão, e está sentado confortavelmente numa cadeira de balanço em movimentação.

O que se depreende do conjunto icônico descrito? É possível afirmar que a charge veicula uma crítica social a fim de expor a mudança social na maneira de compreender o cenário político entre diferentes gerações e os ícones mais representativos do contraste são a referência ao problema de visão do idoso e a representação das posições espaciais dos dois personagens. Também o recurso gráfico de colocar algumas palavras entre aspas sinaliza que a significação lançada no texto não é de natureza literal. Para captar o efeito de humor que acompanha a crítica, é preciso reconhecer essa quebra semântica no funcionamento discursivo dos termos destacados através da relação complementar entre significados associados aos itens verbais e não verbais.

Para quem acompanha as publicações do blog mundotexto, pode parecer evidente o quanto gosto de produzir ou republicar textos em que a significação linguística seja trabalhada de uma maneira inovadora. Isto explica minha predileção por questões de:

– metalinguagem (quando usamos a língua ou outras modalidades de linguagem para falar dela mesma, como estou fazendo agora);

– construção de sentidos em charges, cartoons, textos humorísticos, histórias em quadrinhos, mensagens e/ou dizeres que circulam na web (nesses gêneros textuais geralmente é onde mais se exploram reversões de significação, da semântica dos textos);

– desdobramento, reversão e multiplicidade de significados agregados aos itens linguísticos de textos poéticos (um trabalho exemplar do que me refiro está exposto no blog Pirosfera Candida – As piroses poéticas mais enológicas em (pre)textos).

Por assim dizer, compartilho um breve texto publicado na revista Carta Capital e pelo qual me interessei justamente por conter todas essas características que citei.  A felicidade do dizer, tomando emprestada uma noção da pragmática, recai sobre a forma de explorar a significação do item linguístico “semântica”.

Semântica classista
Os ricos chamam de custo de vida aquilo que a classe média denomina como inflação e os pobres excomungam como carestia.
São muitos os nomes. Mas o dragão é um só.”

por Mauricio Dias, Carta Capital.