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ler é dificil

Quantos professores deparam-se com alunos que apresentam dificuldades de leitura não resolvidas na fase de alfabetização?

Quantos estudantes chegam à fase adulta e atuam profissionalmente tendo que driblar essas dificuldades sem saber exatamente do que se trata?

Quantas percepções leigas e diagnósticos são produzidos de forma equivocada sobre déficit de leitura?

Quantos estigmas estão por aí incrustados na vida de quem tem dificuldades de leitura e não recebeu o devido apoio para superá-las?

Com a leitura de coluna desta semana da revista Veja – As pupilas da sra. Irlen, assinada por Claudio de Moura Castro – recordei-me de reflexões em torno dos questionamentos acima expostos, muitos dos quais fizeram parte das discussões de que participei no núcleo de pesquisa “Aquisição e Funcionamento da Linguagem: implicações para a clínica fonoaudióloga”, da Universidade Tuiuti do Paraná durante o ano de 2009.

O que me proponho a destacar é que quando alguém apresenta dificuldade de leitura, o déficit a princípio pode ser tomado como dislexia que, em linhas gerais (pois são abundantes as nomenclaturas e definições na literatura), trata-se de um problema cognitivo de rendimento inferior da habilidade de leitura em relação à idade, inteligência e escolaridade da pessoa (FARIA, 2013), uma desordem da leitura de palavras e da fluência da leitura,  uma disfunção intelectual para a leitura.

Como sempre há o outro lado da história, há casos que podem ser explicados por um problema oftalmológico denominado síndrome de Irlen e assim definido:

A Síndrome de Irlen (S.I.) é uma alteração visuoperceptual, causada por um desequilíbrio da capacidade de adaptação à luz que produz alterações no córtex visual e déficits na leitura. A Síndrome tem caráter familiar, com um ou ambos os pais também portadores em graus e intensidades variáveis. Suas manifestações são mais evidentes nos períodos de maior demanda de atenção visual, como nas atividades acadêmicas e profissionais que envolvem leitura por tempo prolongado, seja com material impresso ou computador (MAGALHÃES, 2013).

A psicóloga Helen Irlen foi quem descobriu a síndrome que, dentre outras características, envolve o desordenamento da movimentação das pupilas. No Brasil, o Hospital de Olhos de Minas Gerais conta com uma equipe de oftalmologistas que se dedica à pesquisa da patologia, ao esclarecimento de profissionais de diferentes áreas sobre a questão e ao desenvolvimento de programa para tratamento dos casos.

Para os portadores da síndrome de Irlen, as letras do texto tremem, pulsam e até desaparecem.

Para os portadores da síndrome de Irlen, as letras do texto tremem, pulsam e até desaparecem.

Implicações decorrentes da falta de identificação correta desse problema que limita o processo de aprendizagem são, por exemplo, o diagnóstico equivocado de casos de Dislexia, DTA e TDAH, a indicação de medicamentos desnecessários, o comprometimento da vida escolar e profissional dos portadores, a percepção inconsciente do portador em relação às suas dificuldades de leitura, como alerta a Dra. Marcia Guimarães, para quem as disfunções aparecem muito mais quando se lê:

(…) sob excesso de luzes fluorescentes, contraste, cores fortes, muito volume de texto por página, letras menores e impressão em papel brilhante. O mais preocupante é que esta é exatamente a situação em que se aplica a prova do ENEM – centenas de estudantes com Síndrome de Irlen não identificada terão seu desempenho prejudicado pelo estresse visual e hipersensibilidade à luz, cansaço progressivo e dificuldade de manter a atenção por tempo prolongado, com erros na transferência de gabaritos e falta de compreensão por déficits na eficiência visual.

Para conhecer mais sobre o assunto, acesse: http://www.dislexiadeleitura.com.br