Posts com Tag ‘formação de leitores’

Acaba de sair nova edição da Entrepalavras, revista de Linguística do Departamento de Letras Vernáculas da Universidade Federal do Ceará (UFC).  A edição conta com seções de Estudos do Texto e do Discurso, Teoria e Análise Linguística, Linguística Aplicada, Relatos de Experiência e Resenhas.

O relato sobre o Projeto de leitura Livro Aberto, desenvolvido em uma escola pública de Minas Gerais,  apresenta ações simples e não menos relevantes para a formação de leitores. Com isso fica a lição: é possível sim formar leitores, basta agir! Eu acredito e recomendo a leitura do texto Oficina de leitura: uma alternativa prática no domínio da linguagem para abrir novos caminhos.

Percebe-se que novos leitores são formados na interação com os materiais de leitura de qualidade, bem como estabelecem contato com outros leitores experientes quando o espaço para a efetivação dessa interação é agradável. Pensando assim, o prentrepalavrasojeto Livro Aberto busca conduzir o trabalho com leitura de forma satisfatória. É um projeto que consta de espaços múltiplos: há momentos em que a leitura se realiza na biblioteca, em rodas de leitura no pátio da escola, em sala de aula sob a orientação do professor, ou, quando for necessário, em qualquer outro ambiente que propicie um momento para sua realização – tudo isso dentro do planejamento, claro. (LOPES, 2013, p. 363)
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Tomei conhecimento desta data comemorativa da pior forma possível, foi através de   certo e-mail de marketing de um site de compras ou e-commerce.

Originalmente a data refere-se ao aniversário de morte de Luiz  de Camões.

O objetivo do texto publicitário não se limita a informar fortuitamente que hoje é o “Dia da língua portuguesa”, logicamente junto a essa informação vem a sugestão de compra de determinada “seleção de livros incríveis.” Conforme está sinalizado no próprio assunto do e-mail: Dia da língua portuguesa – seleção de livros incríveis.

Claro que também não poderiam faltar enunciados imperativos de convite ao consumo como este: Celebre a língua que figura entre as 10 mais faladas do mundo. Até fiquei curiosa para saber quais eram as sugestões incríveis e minha expectativa como leitora caiu por terra ao verificar que, salvo pela indicação de uma obra de Jorge Amado – Gabriela, Cravo e Canela -, não tinha como eu celebrar nossa língua materna através dos livros anunciados. Agora me perguntem por quê???

Como já me manifestei em outro post – Hahahaha… olha como ele fala!! -,  a única coisa que um livro intitulado Guia Prático do Português Correto poderá fazer é disseminar visões limitadas da competência comunicativa de um falante de português língua materna, pois não há português correto!  O que dá pra dizer que existe é uma convivência entre variedades de língua:

(i) padrão – é um recorte da língua usada em dado momento histórico e por determinado grupo social, representa um modelo artificial de língua, pois não admite a variação linguística, ao contrário, adota as regras prescritas nas gramáticas tradicionais ou normativas, produzidas com base em textos de literatura clássica, ditos como exemplares de usos consagrados da língua (?!); na verdade apresenta regras de “certo e errado”, que em muitos casos representam usos obsoletos da língua materna, como é o caso do pronome “vós” e suas flexões verbais.

(ii) culta – é falada por quem possui curso superior e mora em centros urbanos, conforme Faraco (2002, p. 39), trata-se da variedade empregada por falantes que mantém contato maior com a modalidade de língua escrita, o que lhes propicia manter uma fala mais próxima dessa modalidade; isto não quer dizer que o sujeito tem mais cultura, mas sim mais tempo de estudo formal e, por isso, mais oportunidade de acesso a textos da cultura escrita.

(iii) coloquial – é a fala comum do dia a dia, das conversas informais, através dela falamos de modo espontâneo e despreocupados com a gramática normativa.

O e-mail também indicava uma Gramática da Língua Portuguesa, segundo o remetente, “ideal para concursos, vestibulares, Enem, colégios técnicos”. Para quem me pede uma sugestão de boa gramática para essa mesma finalidade, sempre falo da gramática de Evanildo Bechara.

modernagramaticaportuguesa

Se a necessidade for conhecimentos sobre variação linguística, diferença entre normas culta e padrão, temas que estão aparecendo cada vez mais nos concursos públicos, a melhor escolha é por obras publicadas pelos linguistas  Marcos Bagno, Carlos Alberto Faraco, Mario Perini, Stella Maris Bortoni-Ricardo.

Ainda havia a indicação de leitura de um livro de Paulo Coelho, que não vou comentar longamente, pois não sou fã desse escritor.

PARA quem quiser conferir, segue o e-mail que eu recebi: DIA DA LG PORTUGUESA

Leia mais sobre o assunto em: FARACO, Carlos Alberto. Norma-padrão brasileira: desembaraçando alguns nós. In: BAGNO, Marcos (org.). Linguística da norma. São Paulo: Loyola, 2002. cap.3. p. 37-61.

Por acaso, topei com este vídeo sobre a formação de leitores no Brasil. Para pensar: o que tanto as pessoas leem que não se reverte positivamente para o país. O que falta?

Assistam ao vídeo para ter ideia de uma breve resposta.

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Um manifesto a favor da literatura.

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Musica: Quiet Company – How do you do it

Produção: Pele de Cordeiro
Roteiro: Aline Valek
Fotografia e Edição: Marcos Felipe
Ilustração: Douglas Reis

Contamos com as mãos cheias de dedos de: Cavi Loos, Douglas Reis e Aline Valek