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Desde o último 20 de novembro até ontem (05/12/2013) quando soube da morte de Nelson Mandela vinha acumulando observações relacionadas à importância do elemento afro-brasileiro que não se dá espontaneamente em nosso país. Foram tantas questões debatidas, tantos textos que li sobre:

– a validade de decretar feriado em Curitiba no dia da consciência negra ou no aniversário de morte de Zumbi dos Palmares, reduzida a pó com uma liminar concedida à Associação Comercial do Paraná (sugestão de leitura para o Ensino Médio: O Mordomo da Casa Branca e o feriado cancelado em Curitiba);

– os 10 anos da Lei 10.639/03 que tornou obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira e africana do Ensino Fundamental ao Médio, sem que essa prática ocorra de modo consistente (sugestão de leitura para professores de todas as áreas: Lei que obriga ensino da história afro-brasileira faz 10 anos);

– o racismo e outros preconceitos empacotados no stand-up comedy de Danilo Gentili, porque humorista da categoria dele não arranca meu riso comparando um monte de merda com o personagem Cirilo do Carrossel, pior do que ouvir isso num espetáculo em Curitiba foram as gargalhadas que se seguiram (sugestão de leitura para quem não ri tão à toa: [RACISMO] O “humorismo” racista de Danilo Gentili);

– por último a polêmica em escola paulista sobre o cabelo black power de uma criança de 8 anos!!!! como se a diferença fosse o fim da picada  (sugestão de leitura para educação infantil: O Cabelo de Lelê).

“É próprio da imaginação histórica edificar mitos que, muitas vezes, ajudam a compreender antes o tempo que os forjou do que o universo remoto para o qual foram inventados.” Alfredo Bosi, Dialética da colonização.

Nelson Mandela não é um mito edificado pela história africana, ao contrário é uma pessoa de atitude que marcou a história mundial, assim como foi Zumbi dos Palmares na história afro-brasileira. Deixou-nos este grande exemplo de resistência que mereceu receber um prêmio Nobel da Paz e não por acaso hoje pode servir como tema para muitas aulas de língua portuguesa, literatura, história, arte, geografia, matemática, biologia pelo país afora. A desculpa de que falta material didático sobre história e cultura afro-brasileira não cola mais, talvez ainda falte atitude…

Assim demonstro minha posição diante de todas essas questões, que me foi cobrada por uma pessoa muito especial: Alex Sandro, meu companheiro de vida, incansável na valorização de sua diferença étnica e admirador de Mandela.

Em Linguística textual: memória e representação, a professora Leonor Lopes Fávero – uma pesquisadora dedicada à área de Linguística Textual  (LT) da Universidade de São Paulo e Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – apresenta um retrospecto da disciplina no que diz respeito aos primeiros trabalhos publicados no país de autoria de Ignácio Antônio Neis, Luiz Antonio Marcuschi e, por fim, a produção conjunta de Leonor Lopes Fávero e Ingedore Villaça Koch. Dentre os tópicos contemplados estão:

(i) os estudos de conceituação e propriedades do texto,

(ii) a passagem da teoria da frase à teoria do texto,

(iii) as causas do aparecimento da teoria do texto,

(iv) outras questões relevantes para a LT.

A leitura completa do artigo pode ser feita através do link no final deste post.

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Linguística textual: memória e representação

por Leonor Lopes Fávero, Filolologia e Linguística Portuguesa e-ISSN 2176-9419.

Resumo: A Linguística Textual inicia-se no Brasil na década de 80 do século XX. O primeiro
trabalho de que se tem notícia é de 1981 , de autoria do Prof. Ignácio Antônio Neis,  intitulado Por uma gramática textual, ao qual se seguiram dois outros, em 1983:  Linguística textual: o que é e como se faz, do Prof. Luiz Antônio Marcuschi e Linguística textual: introdução de Leonor Lopes Fávero e Ingedore Villaça Koch. O prof. Neiss mostra como as tentativas iniciais da linguística textual estavam, de modo geral, ligadas às gramáticas estruturais e gerativas. A obra do Prof. Marcuschi concentra-se na análise de algumas definições de texto e no estudo de aspectos teóricos em função de sua aplicabilidade. Já Leonor Lopes Fávero e Ingedore V. Koch têm como objetivo apresentar ao leitor brasileiro uma visão da linguística textual na Europa, então um recente ramo da ciência da linguagem. O trabalho insere-se na História das Ideias Linguísticas, parte da História Cultural, que procura identificar o modo como em diferentes momentos, uma realidade social é construída, pensada, dada a luz (Chartier, 1990).

Palavras-chave: linguística textual – causas do surgimento – conceituação de texto – linguística textual no Brasil

Leia o artigo na íntegra em: Filol. linguíst. port., n. 14(2), p.225-233, 2012.