Posts com Tag ‘história’

Published 23/02/2014 | By IPOL

A língua pomerana tem sido o foco de importantes políticas linguísticas no Brasil. Tornou-se cooficial em cinco municípios no Espírito Santo (Santa Maria de Jetibá, Laranja da Terra, Pancas, Vila Pavão e Domingos Martins) e em Canguçu, no Rio Grande do Sul; e desde 2005 entrou nos programas educacionais das escolas desses municípios através do PROEPO – Programa de Educação Escolar Pomerana. Além disso, Santa Maria de Jetibá, em parceria com o IPOL, realizou o primeiro censo linguístico do município evidenciando a vitalidade e principais funções dessa língua ao lado de outras faladas na região. A instrumentalização, que acontece com a elaboração de dicionários, gramáticas, materiais didáticos diversos,  entre outros, em diálogo com essa expansão política, assume importante papel na consolidação dessa língua.

Projeto Pomerando tem repercussão na região
Foto: Divulgação

Foto: Divulgação  

O Livro “Projeto Pomerando: língua pomerana na escola Germano Hübner” recebeu um espaço na seção “Livros Raros e de Valor” da Biblioteca Pública Pelotense

Em um projeto realizado pelo professor Danilo Kuhn, na Escola de Ensino Fundamental Germano Hübner, o “Projeto Pomerando”, com a intenção de resgatar parte da escrita da língua pomerana, ainda bem enraizada em São Lourenço através da língua falada, começou a tomar forma através da publicação de um livro, com notas gramaticais, conjugações verbais, análises e até mesmo um pequeno dicionário. O resultado, além da repercussão na cidade, colocou em destaque a escrita pomerana, um dialeto da extinta Pomerânia, localizada na Alemanha.

Recentemente, Kuhn apresentou o projeto no I Seminário “Qualidade e Compromisso com a Educação em São Lourenço do Sul – RS: Vivências e Experiências Pedagógicas”, da Secretaria Municipal de Educação, Cultura e Desporto, tendo o livro lançado e autografado nas Feiras do Livro de São Lourenço do Sul e Pelotas. Além de o projeto ter sido exposto em eventos como o III POMERbr, em Pomerode, Santa Catarina, ele também recebeu destaque no Congresso Internacional de História Regional da Universidade de Passo Fundo (UPF), no Encontro da Associação Sul-Rio-Grandense de Pesquisadores em História da Educação realizado na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), no Simpósio Internacional em Memória e Patrimônio da UFPel, sendo publicado em formato de artigo no periódico Cadernos do Lepaarq da universidade. [continue lendo …]

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Para quem se interessa por história da literatura brasileira e seus enlaces com a educação, recomendo a leitura do texto “A alfabetização por grandes autores” de Leon Sanguiné, publicado no jornal Diário Popular de Pelotas (RS) em 01/01/2014. O texto destaca o trabalho de uma pesquisadora que recupera a produção de escritores gaúchos voltada para alfabetização.

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A alfabetização por grandes autores

Descobertas de pesquisadora pelotense reabrem discussão sobre a alfabetização brasileira

Cristina Maria Rosa encontro Meu ABC, cartilha de alfabetização escrita por Érico Veríssimo (Foto: Paulo Rossi - DP)

Cristina Maria Rosa encontro Meu ABC, cartilha de alfabetização escrita por Érico Veríssimo (Foto: Paulo Rossi – DP)

Antes do século 20 a literatura infanto-juvenil brasileira não era verde e amarela. Majoritariamente constituídos de traduções de estrangeiros para o português da terra de Pedro Álvares Cabral, os livros chegavam ao Brasil apenas após todo este processo, com alto preço e destinados a poucos. Não havia no país editoras especializadas ou que dessem atenção às produções brasileiras dedicadas ao público infantil.

O lançamento, em 1921, de A menina do narizinho arrebitado por Monteiro Lobato mudaria historicamente estes rumos. O Estado Novo de Getúlio Vargas, entre os anos 1930 e 1940, representou um período paradoxal de ao mesmo tempo tensa ditadura e aproximação com os regimes autoritários de Alemanha e Itália e desenvolvimento econômico e cultural. Este último ocasionou grande demanda por literatura, materializada em livros estrangeiros, nacionais e locais. Surgiu um grupo de autores responsável por obras de grande qualidade narrativa e literária. Érico Verissimo entre eles. Além de ter trazido ao mundo maravilhas como O tempo e o vento, Música ao longe e Luis Fernando Verissimo, o escritor gaúcho também foi mestre em escrever para os pequenos.

Dentre tantas produções do autor neste gênero – foram 11 obras entre 1935 e 1939 lançadas pela Editora Globo -, uma destas foi esquecida. Meu ABC, que não tem a assinatura de Érico, mas sim do boneco Nanquinote, passou décadas perdido em meio à Biblioteca Lucília Minssen, da Casa de Cultura Mario Quintana, em Porto Alegre e não era de conhecimento nem mesmo do filho do autor. Até que a pesquisadora Cristina Maria Rosa o resgatou, após incessante busca pelo Rio Grande do Sul.

Onde está meu ABC?
Cristina documentou toda essa pesquisa em um livro, lançado no ano passado pela editora da UFPel e contando ainda com os 25 vocábulos presentes no abecedário de Érico Verissimo. A autora de Onde está meu ABC? conta que o processo de descoberta foi possível através de uma ampla rede de informações, como Acervo Literário Érico Verissimo (ALEV), hoje depositado no Instituto Moreira Sales. [continue lendo…]

por Aldo Bizzocchi

Que Natal tem a ver com nascimento, todos sabemos. No entanto, estamos tão acostumados a ver essa palavra associada ao nascimento de Jesus Cristo que a longa história desse termo acaba obscurecida. Por isso, vale a pena revisitá-la.

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O latim natalis surgiu como adjetivo derivado do substantivo natus, “nascimento”, mediante o sufixo -alis. Portanto, significava “relativo ao nascimento”. Exemplos desse uso são as expressões natalis humus (“terra natal”) e natale solum (“solo natal”), ambas referentes à pátria (também chamada de natio, “nação”, do mesmo radical). Nesse mesmo sentido, temos também dies natalis, o dia do nascimento de alguém (por isso, o aniversário natalício, que aqui no Brasil reduzimos para “aniversário”, chama-se em Portugal “natalício”). Finalmente, natale astrum é o astro que preside ao nascimento, portanto relacionado aos signos do zodíaco.

Continue lendo: A história da palavra Natal | Revista Língua Portuguesa.

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A partir dos anos 30 com a organização dos cursos de Letras nas Faculdades de Filosofia, Ciências e Letras começaram a ser ministrados alguns conteúdos linguísticos especialmente a linguística histórica nas disciplinas …

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Prova Objetiva: 321 – Técnico em Assuntos Educacionais

Edital: 169/2009 – PRHAE

Banca: Núcleo de Concursos Universidade Federal do Paraná (NC – UFPR)

Conhecimentos: Português

Questões comentadas: 1ª parte (1 a 4)

Os comentários são breves e dizem respeito a observações necessárias tanto para selecionar a resposta correta quanto para eliminar as demais inadequadas a partir de informações extraídas do texto utilizado na prova de português. As quatro questões iniciais podem ser resolvidas com base em relações semânticas, coesivas e de coerência que se estabelecem no texto. Por essa escolha, é possível afirmar que a banca explora a competência linguística do candidato ou sua habilidade de reflexão e análise linguísticas em vez de mera localização de contextos aplicáveis para regras gramaticais e ortográficas. Neste caso, então se torna interessante exercitar muito mais a capacidade de depreender relações de sentido, significação e organização de ideias no texto do que se preocupar somente com regras que não serão abordadas diretamente.

Texto 1

Texto 1

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História da escrita tipográfica: O 19º século francês

por Jacques André e Christian Laucou

História da escrita tipográfica – O 19º século francês complementa os três volumes anteriores da coleção criada por Yves Perrousseaux. No mesmo espírito, ele conta a história dos “caracteres de imprensa”, de seus usos e envolvimento oculto na cultura ocidental.

A tipografia do século XIX sofreu com toda a força os efeitos de todas as revoluções deste período turbulento, mas, sobretudo, os da “revolução industrial”. Menos por causa das repercussões técnicas incontestáveis do que pelas novas exigências e as necessidades que emergem: necessidade de publicidade, então de anúncios e novos caracteres, grandes e atrativos; necessidade de livros mais baratos e em número maior, portanto o desenvolvimento da estereotipia e de pesquisas sobre as máquinas de composição ou sobre os caracteres de tamanho menor; necessidade de aproximar as pequenas oficinas de gravura ou de fundição; necessidade de criação, de modernismo, e mesmo de fantasia, em reação ao rigor clássico.

O 19º século tipográfico é assim marcado pela abundância e o excesso, pelas oposições de austeridade e extravagância, pela coexistência de livros românticos e de livros industriais, o nascimento de novas obras de arte que são os exemplares de fundição e de novos códigos de uso da tipografia. Mais do nunca, durante este século, a tipografia torna-se uma arte.

Para mostrar toda a riqueza deste período, os autores escolheram contar as aventuras sucessivas: os ingleses com a invenção dos caracteres negritos, os egípcios e os sem serifa; a fundição Gillé, que se torna a de Balzac depois de De Berny e que se juntará, no alvorecer do século XIX, àquela de Peignot; a saga dos Didot, do rigor de Firmin à extravagância de Jules; a Imprensa real, depois imperial e nacional, seus caracteres orientais e os de trabalho, que continuarão enquanto houver chumbo; Louis Perrin, que reinventa os elzevirs; as grandes fundições francesas, que concorrem por invenção e cópias, e, enfim, as evoluções técnica de todo o século.

E como nos volumes anteriores, as “pausas”, menos cronológicas, ampliando ou completando o campo puramente tipográfico: a xilogravura, as caixas de imprensa, os caracteres negritos, os manuais de tipografia, os caracteres de fantasia e as letras desenhadas.

Uma obra de cultura geral cuja riqueza iconográfica (mais de 400 ilustrações) e a quantidade de informações se destinam também a um público mais amplo do que os especialistas ou profissionais de tipografia e edição.

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Histoire de l’écriture typographique : Le XIXe siècle français, ANDRÉ Jacques LAUCOU Christian, Histoire de l’écriture typographique – Le XIXe siècle français vient compléter les trois tomes précédents de la collection créée par Yves Perrousseaux.

En lire plus: www.adverbum.fr

A história da escrita recebe mais um capítulo em terras chinesas!

Recente descoberta arqueológica na China (em Zhuangqiao, na cidade de Pinghu, Província de Zhejiang) pode ser considerada a maior feita até hoje. Dentre  objetos retirados de um túmulo estão símbolos e parte de um texto original que deve ter em torno de 5000 anos, o qual mostra como os homens da cultura Liangzhu iniciaram a usar uma forma de escrita, prática que levou a nação chinesa à era da civilização.

O professor Li Boqian, especialista em cronologia de dinastias antigas do Instituto de Arqueologia e de Museologia da Universidade de Pequim, afirmou que as inscrições descobertas desta vez contém signos que podem ser interligados para formar frases, assim se diferenciando de outras em que os símbolos aparecem isolados.

Conforme os relatórios, há símbolos gravados em traços pouco profundos com estilo um pouco diferente sobre os dois machados de terra desenterrados; o estilo de outros símbolos é parecido, comprovando uma certa padronização na gravura e no traços desses elementos gráficos.

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Découverte de textes encore plus anciens que les jiaguwen dans le Zhejiang

( le Quotidien du Peuple en ligne )

11.07.2013 à 15h34

Une découverte archéologique majeure vient d’être faite à Zhuangqiao, dans la ville de Pinghu, dans la Province du Zhejiang : sur des objets extraits d’une tombe figurent un grand nombre de symboles et une partie d’un texte original dont les experts pensent que c’est le plus ancien jamais découvert en Chine à ce jour. Il daterait d’il y a environ 5 000 ans et montre que les hommes de la culture de Liangzhu ont alors commencé à utiliser une forme d’écriture, faisant entrer la nation chinoise dans l’ère de la civilisation.

Les experts estiment que ces symboles exhumés d’une tombe de la culture Liangzhu à Zhuangqiao sont en effet le texte original de loin le plus ancien découvert en Chine. Li Boqian, professeur à l’Institut d’archéologie et de muséologie de la Peking University et expert en chef d’Etat en chronologie des dynasties anciennes, a dit avec une grande joie que ce texte original, à la différence d’autres inscriptions où les symboles apparaissent isolés, contient des signes qui peuvent être reliés entre eux pour former des phrases.

En lire plus: http://french.peopledaily.com.cn/Culture/8322212.html.

O americano Noam Chomsky é o próximo linguista a quem faço referência ressaltando uma característica especial de seu trabalho. Além de teórico da sintaxe, do gerativismo e do programa minimalista (versão atual da gramática gerativa), o cientista da linguagem assume importante posição como ativista no cenário geopolítico. Não poderia ter sido melhor encontrar este texto (adaptado abaixo) que enfoca seu posicionamento crítico no momento, pois é uma notícia de 17/06/2013 que ainda apresenta um pouco de sua atuação como linguista.

Chomsky: “Estou com os manifestantes do Brasil”

por Camila Nobrega do Canal Ibase
Enviada a Bonn (Alemanha)

Cercado de jornalistas e curiosos de pelo menos 30 países, na noite desta segunda-feira (17/6), o linguista e crítico político de renome mundial Avram Noam Chomsky, de 84 anos, caminhava lentamente para se retirar da plenária após sua palestra no Forum Global de Midia, em Bonn (Alemanha). Estava acompanhado de seguranças e assessores que tentavam manter todos afastados e não parecia disposto a responder mais indagações. Em uma fileira formada ao lado dele, consegui gritar uma pergunta. Ao ouvir as palavras “Turquia” e “Brasil”, Chomsky virou-se para mim, respondendo-a:

– Embora sejam protestos diferentes e com suas peculiaridades, as manifestações nos dois países são tentativas de o povo recuperar a participação nas decisões. É uma forma de ir contra o domínio dos interesses de grupos econômicos. Acho ambos muito importantes e posso dizer que estou com os manifestantes – disse o linguista, entusiasta do movimento “Occuppy”, declarando apoio ao movimento que toma as ruas de cidades brasileiras e também aos manifestantes turcos.

(…)

– Trata-se de um movimento global contra a violência que ameaça a liberdade em diferentes países. As pessoas estão indo as ruas para defender bens comuns, aqueles que são compartilhados dentro das sociedades. O capitalismo baseado na massificação de privatizações não compreende a gestão coletiva, aí esta o problema. Os movimentos que ocorrem neste momento são legítimos, na tentativa de recuperar a participação popular na gestão destes bens.

(…)

Autor de mais de 70 livros e considerado um dos principais intelectuais vivos atualmente (a quantidade de vezes que ele aparece em citações bibliográficas nos dias de hoje se assemelha a de grandes filósofos, como Platão), Noam Chomsky é, na verdade, um grande defensor da capacidade humana de criar e de se libertar de estruturas de dominação. Seus pensamentos vieram a público no início da década de 1960, quando ele fez uma crítica aberta a outros linguistas, atacando a noção de behaviorismo, segundo a qual o ser humano aprende apenas por imitação. Chomsky defendia, já àquela época, a existência de uma capacidade inata do ser humano de se expressar, de diferentes formas.

Ao longo dos anos, ele foi adaptando este pensamento a um contexto político e se tornou um dos mais vorazes críticos do sistema político-econômico e também cultural dos Estados Unidos. Nascido na Filadélfia, ele se tornou uma voz dissonante dentro do território norte-americano.

Frente a uma plateia composta de pessoas vindas de todo o mundo para a conferência em Bonn, mas majoritariamente de europeus, o discurso de Chomsky pareceu soar um pouco anacrônico. Foi o que se ouviu nos corredores. Não foi essa a interpretação, porém, de participantes vindos de países africanos em desenvolvimento. Não houve também anacronismo para os representantes turcos que estão por aqui, ou de outras pessoas vindas da região que vive hoje a Primavera Árabe. Para estes grupos, nos quais o Brasil parece se incluir, uma fala de Chomsky ecoou:

– O termo democracia pode parecer óbvio para alguns, e aí está a ameaça. Há vários tipos de democracia, várias formas de aplicação deste conceito. O que podemos pensar é: este tipo de democracia onde a esmagadora maioria da população não tem participação alguma é a que queremos?

Leia na íntegra em: http://www.canalibase.org.br/chomsky-estou-com-os-manifestantes-do-brasil/