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Na edição temática do primeiro semestre de 2014, a Revista Raído: ISSN 1984-4018, avaliada como B1, vai abordar o Estágio Supervisionado nas licenciaturas. O volume tematizará contribuições de abordagens teóricas e metodológicas, desenvolvidas na Linguística Aplicada, para os estágios supervisionados obrigatórios das licenciaturas, os quais serão concebidos como contextos de investigação científica nos estudos da linguagem.

Os artigos científicos devem focalizar a construção de objetos de pesquisa (inter/trans)disciplinares, informados pelo trabalho com a linguagem na formação inicial de professores, podendo considerar possíveis articulações dessa disciplina acadêmica com a educação básica. Serão concebidos como dados de pesquisa textos acadêmicos (nas modalidades falada e escrita da língua), materiais didáticos, documentos oficiais, além de outros usos da linguagem no referido contexto de instrução.
Serão aceitos textos em português, inglês, espanhol e francês. A organização do volume ficará a cargo de Adair Vieira Gonçalves (UFGD/CNPq) e Wagner Rodrigues Silva (UFT/CAPES).

Wagner Rodrigues Silva

Universidade Federal do Tocantins – UFT
Campus Universitário de Araguaína
Programa de Pós-Graduação em Letras: Ensino de Língua e Literatura
Mestrado e Doutorado

Site da revista: http://www.periodicos.ufgd.edu.br/index.php/Raido/index

Caros leitores,

A Domínios de Lingu@gem publicará um número especial em 2014:
"Migração, linguagem e subjetividade". Artigos podem ser enviados para a revista até 30/04/2014. 
A ementa segue abaixo.

DR Guilherme Fromm
UFU
revistadominios@ileel.ufu.br
Crédito: stockfreeimages.com

Crédito: stockfreeimages.com

 
Número especial 2014 - Migração, linguagem e subjetividade

Um dos efeitos da globalização é a intensificação dos movimentos
migratórios. Impulsionadas pelas mais variadas razões, pessoas deixam sua terra
natal para viverem em outro país, qualificado como “de acolhida”.
Nessa empreitada, o contato com o estrangeiro parece ser o que se afigura como
sendo mais desafiador. Esse contato pode se materializar de forma mais pungente
no processo de se ver falado e falar a língua do outro, estrangeira. Acomodar o 
novo sem abrir mão das ancoragens que constituem aquele que migra, enfrentar o 
diferente, incorporá-lo ou não, estranhar-se diante do estranho que 
surpreendentemente parece familiar, confirmar ou desconstruir estereótipos são
algumas das empreitadas com as quais o sujeito que migra se vê envolvido. 
Aquele que “acolhe”, designado “nativo”, também se vê afetado pelos movimentos
migratórios, em especial, no que diz respeito à língua que ele acredita seja sua,
língua “primeira” que recebe os efeitos da hibridização e da pluralidade culturais.
O pressuposto, portanto, que embasa a temática proposta para este número é que os
acirrados movimentos migratórios, característicos de um mundo imerso na 
globalização, acarretam desdobramentos para a subjetividade dos imigrantes e 
daqueles que os recebem. Em especial, interessa-nos incrementar a discussão da 
função da língua e da linguagem nessa problemática. A relevância da proposição 
está em congregar pesquisas que refletiram acerca dos efeitos dos processos 
migratórios na subjetividade dos migrantes e nos processos de ensino e aprendizagem
de línguas materna e estrangeira. Dessa forma, este número acolherá trabalhos que
se inscrevam em perspectivas teórico-metodológicas diversas a partir das quais a
temática em tela seja contemplada.

Migration, Language and Subjectivity

One of the effects of globalization is the rising in the migration
movements. Impelled by a variety of reasons, people leave behind their
native land to live in another country, nominated as “receiving
country”. The most challenging part in this process seems to be
encountering and facing the stranger. This encounter can be poignantly
materialized in the process in which migrants are talked about and speak themselves in
the other’s language, that is, in the stranger’s idiom. 
Accommodating the new without leaving behind the migrant’s ties to home, confronting
what is different and then assimilating it or not, marvelling at the strangeness of the
stranger while at the same time finding him surprisingly familiar and confirming or 
dismantling stereotypes are some of the tasks a migrant faces. The person who “receives” 
the migrant, denominated “native”, also is affected by migration, especially with regard 
to the language he or she believes to be theirs, their “mother tongue”, which is affected 
by hybridization and cultural plurality. We are considering migration as any experience of 
human mobility between countries, concerning both sending and receiving people not only for
extended periods, but also for short periods of time, as for studying or work.

The premise of this present issue is that the escalation in migration
movements, a consequence of globalization, brings with it  developments not only in migrants’
subjectivity but also in that of the natives who receive them. With these developments in mind,
it is especially interesting to consider the influence and the role of language in the process. 
The relevance of this proposal is found in gathering works that discuss the effects of 
migration on the subjectivity of migrants and on the teaching and learning mother and foreign
languages. Therefore, this issue welcomes research from diverse theoretical and methodological 
perspectives in order to consider the subject presented.

Migration, langage et subjectivité
L’un des effets de la mondialisation est l’intensification des
mouvements migratoires. Motivées par des raisons diverses et variées,
certaines personnes quittent leur terre natale pour vivre dans un autre pays, qualifié 
« d’accueil ». Dans ce processus, le contact avec l’étranger semble être l’aspect le plus
compliqué. Ce contact peut se matérialiser de façon plus significative à travers le fait
que l’on nous parle et que l’on doit parler dans la langue de l’autre, étrangère. S’accommoder
au nouveau sans abandonner les ancrages qui le constituent, faire face à ce qui est différent,
l’incorporer ou pas, s’étonner face à l’étranger qui paraît singulièrement familier,
confirmer ou déconstruire des stéréotypes sont quelques unes des tâches dans lesquelles l’individu
migrant se voit impliqué. Celui qui «accueille », appelé « natif », se voit également affecté par
les mouvements migratoires, en particulier en ce qui concerne la langue qu’il croit être la sienne,
« première » langue, qui reçoit les effets de l’hybridation et de la pluralité culturelles. Aussi,
le présupposé sur lequel se base la thématique proposée dans ce numéro est que les mouvements
migratoires intenses, caractéristiques d’un monde immergé dans la mondialisation, entraînent des
conséquences pour la subjectivité des immigrants et de ceux qui les reçoivent. Nous souhaitons 
notamment développer la discussion au sujet de la fonction de la langue et du langage dans cette
problématique. L’intérêt de cette proposition est de rassembler des recherches sur les effets des
processus migratoires dans la subjectivité des migrants et dans les processus d’enseignement et 
d’apprentissage des langues maternelles et étrangères. Ainsi, ce numéro regroupera des travaux 
s’inscrivant dans des perspectives théorico-méthodologiques variées, à partir desquelles la 
thématique - en question sera contemplée.

Guilherme Fromm - Editor
Domínios de Lingu@gem
http://www.seer.ufu.br/index.php/dominiosdelinguagem

por Aldo Bizzocchi

Que Natal tem a ver com nascimento, todos sabemos. No entanto, estamos tão acostumados a ver essa palavra associada ao nascimento de Jesus Cristo que a longa história desse termo acaba obscurecida. Por isso, vale a pena revisitá-la.

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O latim natalis surgiu como adjetivo derivado do substantivo natus, “nascimento”, mediante o sufixo -alis. Portanto, significava “relativo ao nascimento”. Exemplos desse uso são as expressões natalis humus (“terra natal”) e natale solum (“solo natal”), ambas referentes à pátria (também chamada de natio, “nação”, do mesmo radical). Nesse mesmo sentido, temos também dies natalis, o dia do nascimento de alguém (por isso, o aniversário natalício, que aqui no Brasil reduzimos para “aniversário”, chama-se em Portugal “natalício”). Finalmente, natale astrum é o astro que preside ao nascimento, portanto relacionado aos signos do zodíaco.

Continue lendo: A história da palavra Natal | Revista Língua Portuguesa.

3ª CHAMADA DE TRABALHOS – Nº. 2, Vol. 2,  2º semestre de 2013

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A Revista Letras Raras, periódico da Unidade Acadêmica de Letras (UAL) da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), lança sua terceira chamada para publicação de artigos científicos e demais trabalhos acadêmicos. Na Literatura, o tema é a Produção Literária Feminina e outros aspectos atinentes à Presença da Mulher na Literatura. Na Linguística, a proposta de reflexão recai sobre o ensino de línguas, línguas adicionais, língua portuguesa (materna ou como língua adicional) ou ainda línguas conhecidas como Clássicas.

Além desses cadernos temáticos, a Revista Letras Raras acolhe textos que proponham diálogos com o domínio das Letras, assim produções artístico-literárias, traduções, resenhas e ensaios também são recebidos.

A submissão do trabalho deve ser feita com o encaminhamento de arquivo para a plataforma eletrônica da revista.  Se houver problemas, o encaminhamento também poderá ser feito para o e-mail: letrasrarasufcg@gmail.com.  Vale lembrar que os textos deverão atender a todas as orientações da Política Editorial e das Normas de Submissão da revista.

Período de submissão: de 07 de novembro a 08 de dezembro de 2013.

Os trabalhos enviados fora do prazo de qualquer uma das chamadas serão avaliados junto com as demais submissões para a publicação seguinte.

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Janeiro, 2014

10 a 13
12th Annual Hawaii International Conference on Arts & Humanities
Honolulu, Hawaii

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Fevereiro, 2014

06 e 07
Agreement in Honor of Maria Denilda Moura
Local: Recife, Brasil
10 a 14
9º Congresso Internacional de Educação Superior
Local: Havana, Cuba
 

17 a 19
Congresso Internacional “A Violência no Mundo Antigo e Medieval”
Local: Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa
17 a 21

Conferência Nacional de Educação (CONAE/2014) – O PNE na Articulação do Sistema Nacional de Educação: Participação Popular, Cooperação Federativa e Regime de Colaboração

Local: Brasília
19 a 22
Terceiro Congresso Internacional de Investigação sobre escrita: Writing Research Across Borders III
Local: Paris, França
 

Março, 2014

13 a 17
XI Encontro Internacional de Escritoras: Viva Cecília Meireles
Local: Brasília
22 a 25
2014 Conference of the American Association of Applied Linguistics (AAAL)
Local: Portland, USA


Abril, 2014

09 a 12
Gruppo di Studi sulla Comunicazione Parlata (GSCP) International Conference
Local: Estocolmo, Suécia
28 a 30
II Congresso Internacional Vertentes do Insólito Ficcional – (Re) Visões do Fantástico: do centro às margens; caminhos cruzados
Local: UERJ (RJ)


Junho, 2014

05 a 07
8th International Gender and Language Association Conference (IGALA 8) –Shifting visions: gender, sexuality, discourse and language
Local: Vancouver, Canadá
16 a 18
11th International Conference on Actionality, Tense, Aspect, Modality/Evidentiality
Local: Pisa (Scuola Normale Superiore) – Itália


Julho, 2014

14 a 19

XVI Congresso Internacional da Associação de Linguística e Filologia da América Latina

Local: João Pessoa (UFPA)

21 a 25
XI Congresso da Associação Internacional de Lusitanias (XI AIL)
Local: São Vicente, Cabo Verde

23 a 27

15th International Bakhtin Conference – “Bakhtin as Praxis: Academic Production, Artistic Practice, Political Activism”
Local: Stockolm, Sweden

29 a 02/08

VIII Congresso Brasileiro dos(as) Pesquisadores(as) Negros(as) – Ações afirmativas: cidadania e Relações Étnico-Raciais

Local: Belém

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Agosto, 2014

10 a 15
17th World Congress of the International Association of Applied Linguistics (AILA World Congress 2014)
Local: Brismane, Austrália

25 a 29
13th International Conference on the History of the Language Sciences (ICHoLS XIII)
Local: Vila Real, Portugal


Setembro, 2014

01 a 03
Fifth International Conference Critical Approaches to Discourse Analysis across Disciplines
Local: Budapeste, Hungria

08 a 12
17th International Conference on Text, Speech and Dialogue (TSD)
Local: Brno, Czech Republic


Outubro, 2014

07 a 10
III Congresso Internacional de Dialetologia e Sociolinguística: Variação, atitudes linguísticas e ensino
Local: Londrina, Paraná


Pour en savoir plus Scoop.itPer linguam

Récompensé par le prix du meilleur film, le prix du meilleur réalisateur, la meilleure musique de film et le meilleur décor à la cérémonie des Césars en mars 2002, le film a été un succès mondial… Amélie, jeune fille timide, travaille comme serveuse dans un bar à Montmartre. Un jour, elle découvre par hasard une petite boîte en métal pleine de souvenirs d’enfance. Elle se met à la recherche de son propriétaire, un certain M. Bredoteau… La réapparition de cette boîte change la vie de cet homme. Cette fois-ci, Amélie a compris quelle sera sa mission dans la vie : elle rendra les gens heureux. Et peut-être en chemin, trouvera-t-elle le bonheur…

De nombreux professeurs de français, d’abord fascinés par le film, l’ont aussi conseillé à leurs élèves et fait enter dans leur classe. Nous vous présentons ici quelques propositions pédagogiques présentées par les collègues (Fiche du TV5Monde ici).

En lire plus ticsenfle.blogspot.fr

NOVEMBRO
06 a 08 – XXIV Colóquio Internacional de Literatura Mexicana e Hispanoamericana

7 a 8 – I Colóquio “Linguagem e Cognição em Interação”, IEL/Unicamp.

07 a 09 – I Colóquio de Professores de Inglês da Região Oeste do Pará – A formação continuada de professores de Inglês da Educação Básica: desafios e perspectivas

11 a 14 – 7º Seminário Educação e Leitura

13 a 15 – 5º Simpósio Hipertexto e Tecnologias na Educação & 1º Colóquio Internacional de Educação com Tecnologias: Aprendizagem móvel dentro e fora da escola foto-programa-644x320
20 a 22 – XIV Simpósio Nacional  de Letras e Linguística e IV Simpósio Internacional de Letras e Linguística (Silel)

21 a 23 – I Simpósio Regional de Estudos Linguísticos e Literários do Médio Solimões

25 a 29 – Congresso Brasileiro de Informática da Educação (CBIE 2013) – Informática na Educação: da pesquisa à ação                                                            

DEZEMBRO

02 a 04 – 4th New Zealand Discourse Conference

02 a 13 – II Simpósio Internacional e VI Simpósio Nacional de Literatura e Informática

11 a 13 – I Congresso Linguagem e Direito: Construindo Pontes

26 e 27 – Third International Conference on Advances in Information Technology and Communication (AIT 2013)

Para entendermos a metalinguagem devemos pensar primeiro como se define a linguagem. Todos nós como falantes de língua portuguesa podemos desenvolver habilidades de expressão verbal através da língua e não verbal por meio de outros modos de expressar uma informação com finalidades diversas.

A soma dos modos de expressão verbal e não verbal constitui a linguagem que, na visão do filósofo Mikhail Bakhtin, é uma atividade social e interacional, justamente porque os falantes que vivem em sociedades usam tais modos de expressão em ações conjuntas com diversos objetivos, dentre eles, a comunicação, a troca de experiências, a busca do conhecimento. Não só a língua, mas também sons, imagens estáticas ou em movimento, elementos gráficos, movimentos corporais, etc. são modos de expressão que realizam atividades sociais, isto é, são modalidades de linguagem.

O linguista Roman Jakobson afirma que o estoque de conhecimento linguístico do falante permite que este fale em sua língua e também fale de/sobre sua língua. Um exemplo prático para entender as maneiras diferentes de usar a língua é imaginar uma pessoa que coloca a cabeça para fora de um veículo em movimento e fica olhando para quem está dentro do carro. Evidentemente é uma atitude arriscada, porém serve para mostrar o que é feito quando se usa a metalinguagem. Isto quer dizer que ocorre um posicionamento externo de quem se expressa para tratar da língua ou de outra modalidade de linguagem. Que outros exemplos de metalinguagem nós temos? O matemático que usa os próprios números para fazer os cálculos; o gramático que usa a própria língua para produziras regras; o falante que usa a própria língua para confirmar se entendeu o que outro falou fazendo a seguinte pergunta: “O que é que você quer dizer?”.

Jakobson também observa que praticamos a metalinguagem desde criança em nossas primeiras experiências de expressão verbal e isto se mantém pela vida toda, tanto que usamos a metalinguagem às vezes sem perceber a inversão de posição para falar da linguagem através dela mesma. Há casos em que a prática da metalinguagem é intencional, mas se tratam de situações específicas cujo objetivo é explorar os significados que o uso metalinguístico pode provocar. Na sequência, teremos contato com outras produções em que a metalinguagem se apresenta.

Materiais sugeridos para desenvolver atividades voltadas ao Ensino Médio:

– vídeo da canção Versos Simples;

– letra da canção Versos Simples;

exercícios.

metalinguagem

Referências bibliográficas

BAKHTIN, M. Estética da criação verbal. Trad. de P. Bezerra. 4. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2003 [1979].

JAKOBSON, R. Linguística e comunicação. 22.ed. Tradução de  Izidoro Blikstein; José Paulo Paes. São Paulo: Cultrix, 2010.

Nihil est in lingua quod non prius fuerit in oratione, assim Émile Benveniste anuncia o começo da linguagem, cujo significado aproxima-se do que se veicula no título deste artigo.

Apesar do nome de origem francesa, Benveniste era um sujeito de origem síria, batizado com o nome Ezra Benveniste em 1902. No ano de 1924, após sua naturalização como francês, incorporou o Émile.  Foi aluno de Antoine Meillet, um dos discípulos de  Saussure, e entrou como professor no Collége de France no final da década de 30.

Seus trabalhos de especialista em indo-europeu e comparatista de línguas obtiveram reconhecimento depois que Problemas de Linguística Geral I  (1966) foi publicado. Atribui-se a seus estudos o começo da Linguística da Enunciação e de discussões acerca da subjetividade e intersubjetividade, dentre outras questões.  Em 1976 ocorreu a morte do linguista.

O site Benveniste Online, um projeto da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), aponta na produção benvenistiana pelo menos três maneiras de tratar da linguagem:

  1. pelas “reflexões linguísticas stricto sensu, incluindo as comparatistas e, em especial, as referências à obra de Ferdinand de Saussure” (abordagem epistemológica);
  2. pelo “fazer interdisciplinar das ciências do homem em que a linguagem tem papel fundamental. É o diálogo teórico posto em prática” (abordagem interdisciplinar);
  3. pela “prospecção de uma NOVA Linguística: a Linguística da Enunciação” (abordagem enunciativa).

Suas obras principais são:

Problèmes de linguistique générale, 1, Paris, Gallimard, 1966. (Edição brasileira: Problemas de linguística geral I, Tradução: Maria da Glória Novak e Maria Luisa Néri, 1995.).

Problèmes de linguistique générale, 2, Paris, Gallimard, 1974. (Edição brasileira: Problemas de Linguística Geral II. Tradução: Eduardo Guimarães et al., 1989.).

Releituras de Benveniste:

BARBISAN, L. B. e FLORES, V. N. Sobre Saussure, Benveniste e outras histórias da linguística. In: NORMAND, C. Convite à linguística. Trad. de Cristina de Campos Velho Birck et al. São Paulo: Contexto, 2009. p. 7-22.

FLORES, V. N. Por que gosto de Benveniste? (Um ensaio sobre a singularidade do homem na língua). Letras de Hoje. Porto A|legre, v. 39, n. 4, p. 217-230, dez. 2004.

FLORES, V. N. A enunciação e os níveis da análise linguística.  In: SITED- Seminário Internacional de Texto, Enunciação e Discurso, 2011, Porto Alegre. Anais do SITED– Seminário Internacional de Texto, Enunciação e Discurso. Porto Alegre: Edipucrs, 2011. v. 1. p. 396-402.

NORMAND, C. Leituras de Benveniste: algumas variantes sobre um itinerário demarcado. Letras de Hoje. Porto Alegre, v. 44, n. 1, p. 12-19, jan./mar. 2009.

TROIS, J. F. M. O “retorno a Saussure” de Benveniste: a língua como sistema de enunciação. Letras de Hoje. Porto Alegre, v. 39, n. 4, p. 33-43, dez. 2004.

O professor Ataliba de Castilho respondeu à essa questão na aula inaugural em 10/08/2013 do evento  Letras Debate: Linguagem e Ensino, promovido pela Faculdade de Letras da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Pelo que se depreende dos dados apresentados por Castilho, uma questão inovadora e relevante para o ensino atual é o aumento da marcação prefixal no português brasileiro. Vejamos uma nuvem de palavras chave com alguns usos do PB nessas condições:

A marcação prefixal do PB no começo do século XXI conforme descrição de Ataliba de Castilho

Marcação prefixal do PB no começo do séc. XXI conforme descreve Ataliba de Castilho

Com relação ao sistema pronominal, são reconhecidas alterações nas formas de todas as pessoas na variedade informal do PB. Para ilustrar, reproduzo um quadro comparativo  entre o PB formal e informal (Quadro 1), originalmente publicado na Nova Gramática do Português Brasileiro da autoria do professor da USP.

Alterações no sistema de pronomes pessoais

Alterações no sistema de pronomes pessoais

Embora muitos possam se recusar a admitir a aceitabilidade de tais construções devido à postura purista que assumem em relação à língua, acrescento que não é difícil encontrar esses usos informais na língua falada por aí afora. Assim considero porque eu mesma uso a maioria desses pronomes da variedade informal e interajo com outros falantes que os empregam.  Provavelmente devem ocorrer na escrita de gêneros informais como SMS, chats, comentários em redes sociais. Esta seria uma questão interessante de investigar: será que também encontramos esses usos na língua escrita? de quais gêneros textuais? por força de algum fator específico?

Voltando à questão do aumento da marcação prefixal, compartilho outro quadro em que se demonstram diferentes casos de marcação de pessoas do verbo em PB:

prefixos em PBOs exemplos do quadro anterior indicam a transformação de pronomes pessoais do caso reto em morfemas verbais número-pessoais no PB informal, ou seja, pronome e verbo fundem-se em forma única que incorpora os traços indicativos das flexões de número e pessoa do verbo.  Há outros tipos de marcações prefixais que produzem transformações morfológicas (na forma das palavras), dentre as quais, Castilho destaca:

1)  ozóme, essas coisarada bonito (Amaral 1977: 48) = plural nominal ou de substantivos

2) vofalá = tempo futuro

3) popará, quepará? = modo verbal

4) tafalano  = aspecto[1] imperfectivo

5) tafalado = aspecto perfectivo

6) Disque vai chover = modalização sentencial asseverativa (gramaticalização[2] de verbos afirmativos)

7) Áxki vai chover = modalização sentencial dubitativa (gramaticalização de verbos evidenciais)


[1] Definição de Castilho (1968: 14): “visão objetiva da relação entre o processo e o estado expressos pelo verbo e a ideia de duração ou desenvolvimento”.
[2]  Mudança de características sintáticas, semânticas ou discursivo-pragmáticas de elementos da língua, segundo Weinreich, Labov e Herzog em “Fundamentos empíricos para uma teoria da mudança linguística” (1968).