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Um momento da aula de português brasileiro em que dificuldades de aprendizado aparecem bastante é durante a produção de texto, até mesmo para alunos que, a princípio, não requerem atendimento especial. Para essa situação, considero viável a aplicação da teoria da “inteligência plena”, conforme propõem Sternberg e Grigorenko (2003, p. 113), pela qual a adequação das atividades ao que o aluno tem de melhor torna-se uma habilidade a ser buscada, por exemplo, valorizando mais o conteúdo do texto do que a correção ortográfica e gramatical, que requerem um trabalho mais específico para aprendizado.

Um exemplo de atividade apresentado por Sternberg e Grigorenko (2003, p. 115) consiste na produção de poesias com a opção de fazer um haicai (estilo de poema japonês com 3 linhas) para quem não consegue escrever muito. Imagino que poderia ser também uma poesia concreta, que explore a forma e o significado das palavras, sendo indicado para quem gosta de desenhar e brincar com o sentido das palavras. Desse modo, a atividade não se restringiria ao formato convencional de poesia em estrofes com 4 versos ou linhas, talvez melhor alternativa para quem consegue escrever com alguma facilidade.

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No que diz respeito à prática pedagógica, passei pela experiência de auxiliar dado grupo de alunos do 9º ano (três eram supostamente hiperativos e um apresentava déficit de atenção) em atividade de produção de texto opinativo. Esses estudantes não queriam fazer a atividade porque: não gostavam de escrever, não sabiam como começar nem relacionar uma ideia com outra para expressar suas opiniões de um jeito organizado. A dificuldade eu já sabia qual era e a capacidade de cada um também foi identificada, pois todos apresentavam boa competência comunicativa em linguagem falada, só faltava ajuda para expressarem-se no papel em linguagem formal e incentivo para que se mantivessem focados na tarefa.

A estratégia foi atender tanto individualmente, quanto em duplas, enquanto o restante da turma produzia. Primeiramente conversamos sobre o tema proposto de modo descontraído para que conhecessem opiniões diferentes, comparassem com alguma vivência anterior e formulassem oralmente certas conclusões sobre o assunto, até que percebessem qual era a própria opinião. Houve momentos mais complicados em que precisei conduzir mais o processo de escrita, sugerindo ideias relacionadas ao tema, apresentando palavras-chaves para estimular a criatividade e a associação com outras informações já conhecidas. Aos poucos foi saindo o texto, demorou bastante, construímos algumas frases juntos e outras por conta dos alunos. Foi exigido mais envolvimento da professora, mas foi bom ver o quanto ficaram contentes e motivados por receberem esse tipo de atenção.

No relato desse processo de ensino é possível reconhecer a atuação conjunta dos princípios da inteligência plena, conforme destaca Mendonça (2014, p. 18) ao abordar a teoria concebida por Robert Sternberg. Em outras palavras, houve a realização de: análise com a discussão e comparação de ideias adequadas ao tema do texto; criatividade quando surgiram ideias a partir das palavras-chaves sugeridas e conclusões a partir do que foi conversado; prática com a escolha de determinado vocabulário, formulação de frases e expressão por escrito de opiniões.

 

Referências:
MENDONÇA, Fernando Wolff. Dificuldades de aprendizagem e distúrbios de aprendizagem: leitura, escrita e matemática. Maringá – PR: UniCesumar – NEAD, 2014.

STERNBERG, Robert J.; GRIGORENKO, Elena L. Inteligência plena: ensinando e incentivando a aprendizagem e a realização dos alunos. Trad. Maria Adriana Veríssimo Veronese. Porto Alegre: Artmed, 2003.

A seguir reproduzo o sumário com os trabalhos publicados no volume 1 da edição nº 15
da revista Cadernos de Linguagem e Sociedade (L&S) que está vinculada ao Programa de
Pós Graduação em Linguística da UnB.

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Sumário
http://seer.bce.unb.br/index.php/les/issue/view/909
 
Editorial
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EDITORIAL do volume 15(1)2014 de L&S (5)
	Denize Elena Garcia da Silva
 
Artigos de pesquisa
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Palavras e imagens na educação de pessoas jovens e adultas. Onde está o
sujeito? Apontamentos para a pesquisa. (7 - 21)
	Maria Rosa R Martins de Camargo
Uma análise de deslocamento cultural na obra de William Foote Whyte
“Sociedade de Esquina” (22 - 35)
	Damaris Fabiane Storck,	Henrique Evaldo Janzen
Luta de Línguas: Panorama Histórico-Cultural da Língua Portuguesa no
Brasil do Século XVI (36 - 49)
	Maurício Silva,	Maurício Silva
Narrativas de “choque” e “fascinação” no Colégio Pedro II (50 -
68)
	Tatyana Marques de Macedo Cardoso
Discurso na mídia: construção simbólica de ideologia e poder (69 - 83)
	Vicentina Maria Ramires,	Izabela Pereira Fraga
Gerenciamento de vozes no discurso midiático: Caros Amigos x Época (84 -
100)
	Daniele de Oliveira
Variaciones del léxico de especialidad en contextos extrajudiciales de
resolución de conflictos en español (101 - 116)
	Francisco J. Rodríguez-Muñoz,	Susana Ridao Rodrigo
Estado de excepción y políticas de emergencia: su impacto sobre la
construcción simbólica del espacio habitacional (117 - 140)
	Mariana Marchese
Do discurso mítico ao discurso publicitário na propriedade da
equivalência (141 - 151)
	Dina Maria Martins Ferreira
 
Resenhas
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BAKHTIN, M. Questões de estilística no ensino da língua. Tradução,
posfácio e notas de Sheila Grillo e Ekaterina Vólkova Américo;
apresentação de Beth Brait; organização e notas da edição russa de
Serguei Botcharov e Liudmila Gogotichvíli. São Paulo: Edit (152 - 155)
	Anderson Cristiano da Silva
Resenha crítica (156-160)
	Anna Clara Viana de Oliveira
FAIRCLOUGH, Norman. Analysing discourse: the critical study of language. 2.
ed. UK: Pearson Education, 2010. (161 - 165)
	Denise Silva Macedo
 
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Papers on Language and Society
http://seer.bce.unb.br/index.php/les

Aproveitando o gancho do assunto do momento – a Copa do Mundo – experimentei utilizar uma canção que tratasse de futebol e do significado desse esporte para os brasileiros, para então estimular discussões nas turmas de 9º ano a respeito de estereótipos e clichês que estão associados ao tema e, consequentemente, viabilizar a percepção crítica de como é construída nossa identidade nacional. Além do tema transversal, tinha como objetivo explorar usos de linguagem informal e orações subordinadas adjetivas na letra da canção.

A canção escolhida foi “País do Futebol”, um rap composto por MC Guimê, a qual foi apresentada em sala por meio de videoclipe disponível no site Youtube. A opção pareceu interessante porque o vídeo inclui cenas de um filme gravado em favelas do Rio de Janeiro e São Paulo (Pelada, futebol na favela, dirigido por Fred Ouro Preto), explora diversas realidades sociais e expõe depoimentos pessoais acerca de possibilidades de ascensão social no Brasil para quem faz parte de classe social menos favorecida economicamente.

Segue o vídeo reproduzido em sala de aula:

Link de impresso com letra da canção.

Exemplos de atividades propostas:

1) A canção “País do futebol”, composta por MC Guimê, retrata realidades diferentes, que tomam como possibilidade de transformação social (ou melhoria de vida) a construção de carreira profissional na área do esporte, como o futebol,  e das artes. Você concorda com essa percepção? Você considera que somente o futebol e a vida artística são caminhos para superar a pobreza na sociedade brasileira, conforme a mídia divulga frequentemente? Exponha sua opinião através de um breve comentário que responda aos dois questionamentos.

2) Retire do texto partes em que o compositor trata de situações de ascensão social ou mudança de classe social.

3) O que o compositor quer diz através dos seguintes versos?

No flow**, por onde a gente passa é show
Fechou, e olha onde a gente chegou
Eu sou… País do Futebol Nego
Até gringo sambou, tocou Neymar é gol!

Podemos afirmar que MC Guimê fala em nome de um grupo que mudou de vida ou conquistou algo importante? Se sim, indique que grupo é esse e o que foi conquistado. (Para ampliar sua compreensão, procure os significados de gírias e termos estrangeiros utilizados.)

4) Observe este trecho da letra da música: “Ô minha pátria amada e idolatrada“. Você conhece outra composição musical que contenha um trecho parecido com este? Qual?

5) A letra do rap apresenta diversos termos e expressões que são próprios de modalidade informal do português brasileiro. Explique o significado ou como você entende as expressões abaixo destacadas:

a- “por onde a gente passa é show

b- “De nave do ano tô na passarela”

c- “Maloqueiro

d- “Pra fazer a quebrada cantar “memo””

6) Vamos recuperar alguns dizeres do vídeo?
– Para isto, indique quem diz cada uma das orações adjetivas abaixo (EMICIDA – NEYMAR – MC GUIMÊ).
– Circule os pronomes relativos e sublinhe seus antecedentes.

a- “Isso é uma coisa que eu sempre acreditei.”

b- “A música foi a ferramenta que eu encontrei pra mostrar pro mundo a minha verdade.”

c- “A gente tem que acreditar no sonho que a gente quer.”

d- “E a menina que sonha em ser uma atriz de novela”.

e- “Tu que venceu a desnutrição”.
** Palavra utilizada no contexto linguístico do rap e grafite, a qual pode ser entendida como “prazer em executar aquilo que se propõe a fazer”. Leia mais em: O FLOW (Blog Grafite em Movimento BH).

 

Os Cadernos de Semiótica Aplicada (CASA), Qualis B1, têm como objetivo divulgar e debater análises e reflexões teóricas sobre a linguagem, com a finalidade de promover o desenvolvimento científico e institucional das várias correntes metodológicas que estudam o texto e o discurso, com ênfase nas teorias semióticas contemporâneas.

Prazo para submissão até 15/08/2014 (Vol. 12, n. 2 – Dezembro de 2014)

Informações: http://seer.fclar.unesp.br/casa/index

 

RevistaVocábulo: Revista de Letras e Linguagens MidiáticasISSN: 2237-3586 (Qualis B4), publicada pelo curso de Letras do Centro Universitário Barão de Mauá.

Chamada aberta para submissão de originais até 31/05/2014.

Área temática: estudos literários e estudos linguísticos.

Trabalhos devem ser remetidos ao e-mail  revistavocabulo@baraodemaua.br, com cópia para o e-mail revistavocabulo@yahoo.com.br. Obtenha maiores detalhes no site da Revista Vocábulo.

 

Revista de Estudos Linguísticos VEREDAS Online (Qualis A2)

Está aberta a chamada para volume atemático 18 nº 2, da Revista de Estudos Linguísticos Veredas, a ser publicado no segundo semestre deste ano. Prazo para submissão até 26/05/2014.

Informações: http://www.ufjf.br/revistaveredas/2014/02/10/chamada-volume-18-no-2/

 

Revista do GEL (Qualis A2) recebe trabalhos em fluxo contínuo e com eles organiza números semestrais. A Comissão Editorial, ao comunicar a aprovação de um texto a seu(s) autor(es), indica também o número da revista em que ele deverá ser publicado.

Informações pelo link: http://www.gel.org.br/novo/revista-gel/index.php

 

Revista Signótica, Revista do Programa de Pós-Graduação em Letras e Linguística da Faculdade de Letras – UFG (Qualis B1). Volume 25. Nº 2. Chamada aberta para  submissão de trabalhos até 01/07/2014.

Tema: Estudos Linguísticos.

Maiores informações no site da Revista Signótica.

 

Revista Desenredo

Volume 10, n. 2, jul./dez. 2014

Chamada aberta para submissão de originais até 08/08/2014.

Tema: Leitura, produção discursiva e multimodalidade.

Obtenha maiores informações pelo email:  mestradoletras@upf.br e no site da Revista Desenredo.

 

Caderno Seminal Digital

Chamada aberta para nº 21 até 27/04/2014.

Tema: Homorrepresentações ficcionais, sob organização dos Professores Doutores Flavio García (UERJ) e Fabio Figueiredo Camargo (UFU).

Chamada aberta para nº 22 até 20/06/2014.

Dossiê: Estudos do léxico português

Editores: Prof.ª Dr.ª Darcilia Simões (UERJ-Seleprot/BR) e Prof.ª Dr.ª Helena Valentim (UNL/PT)

Maiores informações: http://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/cadernoseminal/index

 

International Journal of Research in Education Methodology

Chamada aberta para publicação de artigos, resenhas, caso de estudo e relatórios.

Maiores informações no site: http://www.cirworld.com/index.php/IJREM/index

 

Revista EID&A – Revista Eletrônica de Estudos Integrados em Discurso e Argumentação

Prazo para submissão de artigos: 01/08/2014

Previsão de publicação da revista nº7 em dezembro de 2014.

Para mais informações: http://www.uesc.br/revistas/eidea/index.php?item=conteudo_normas.php
 

Revista Linguagem em Foco

Vol. 6, n. 1 – número diversificado com prazo para entrega do material até 30/04/14.

Vol. 6, n. 2 – número temático sobre “Variação Linguística e Léxico”, com prazo para entrega do material até 30/06/14.

Normas e outras informações no site da Revista Linguagem em Foco. http://www.uece.br/linguagememfoco/

 

Revista Caracol, uma publicação semestral da Área de Língua Espanhola e Literaturas Espanhola e Hispano-Americana do Departamento de Letras Modernas da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo.

Chamada aberta para submissão de artigos até 20/06/2014.

Tema “Música e Linguagens”.

Consulte normas e outras informações.

 

Cadernos do Tempo Presente

Chamada de artigos e resenhas (fluxo contínuo).

Os textos devem ser enviados por e-mail: caderno@getempo.org.

A resposta para a candidatura será divulgada em até 180 dias.

 

Bakhtiniana. Revista de Estudos do Discurso.

Volume 9/Número 2 – a ser publicada em novembro de 2014

Tema: Letramento e contemporaneidade

Prazo prorrogado para submissão dos originais: 28/04/2014

Volume 10/Número 1 – a ser publicada em junho de 2015

Tema: Discurso literário: diálogo entre arte e cotidiano

Prazo para submissão dos originais: 10/08/2014

Normas de submissão e maiores informações.

 

Revista Miscelânea

Aberta chamada para publicação de artigos até 25/04/2014.

Dossiê: “Revolução e independências: nos 40 anos do 25 de abril”

Normas e outras informações.

 

Millenium. Revista do Instituto Politécnico de Viseu (Portugal)

Aberta chamada de colaborações de tema livre em fluxo contínuo.

Normas e outras informações: http://www.ipv.pt/millenium/

 

Revista Carandá

Aberta chamada para publicação de artigos em fluxo contínuo.

Normas e outras informações: http://cpan.ufms.br/old/index.php?option=com_content&view=category&layout=blog&id=48&Itemid=205

 

Revista Línguas & Letras, publicação semestral do Programa de Pós-Graduação em Letras, vinculado ao Centro de Educação, Comunicação e Artes da Unioeste — Campus de Cascavel.

Aberta chamada para publicação de artigos nas áreas de Estudos Linguísticos e Estudos Literários, em fluxo contínuo.

Normas e outras informações em: http://e-revista.unioeste.br/index.php/linguaseletras

 

Revista EUTOMIA – Revista De Literatura e Linguística (Qualis B1)

Chamada de trabalhos – n.13, v. 01, 2014

Dossiê de Linguística:“Contribuições do Interacionismo Sociodiscursivo para o ensino e a aprendizagem de línguas”

O interacionismo sociodiscursivo, que tem por fundamento a atividade de linguagem como a base das relações sociais e como fator decisivo do desenvolvimento psicológico humano, vem se consolidando como um quadro teórico-metodológico importante para o ensino e a aprendizagem de línguas. Como forma de homenagem ao seu mentor Jean-Paul Bronckart, convidamos docentes, pesquisadores e pós-graduandos para apresentarem artigos que mostrem diferentes utilizações desse quadro teórico em situações de ensino e de aprendizagem de línguas. O objetivo desta publicação é compor um amplo repertório de contribuições que enfatizem a solidez do interacionismo sociodiscursivo. Os artigos e ensaios devem ser interpretativos e analíticos. Aceitam-se contribuições em português, inglês, espanhol e francês.

Dossiê de Literatura: “Osman Lins, 90 Anos”

Em comemoração aos 90 anos de Osman Lins, em julho de 2014, convidamos docentes, pesquisadores, pós-graduandos e críticos literários para apresentarem artigos sobre as diferentes facetas de sua obra e sobre sua atuação como intelectual nos anos de 1960 e 1970. O objetivo desta publicação é compor um amplo quadro de recepção do autor, que enfatize a solidez e a atualidade de sua obra literária, dramática e ensaística. Os artigos e ensaios devem ser interpretativos e analíticos.

Prazo para submissão até 30/06/2014.

Informações pelo link: http://www.repositorios.ufpe.br/revistas/index.php/EUTOMIA/announcement/view/15


Revista Linha D’Água (Qualis B2)

Chamada: Número 27 /2 a ser publicado em dezembro de 2014

Tema: Léxico, Discurso e Ensino

As discussões em torno das concepções do léxico da língua portuguesa do ponto de vista discursivo estão centradas nas várias perspectivas teórico-analíticas e também se abrem para as discussões relacionadas ao ensino.

Prazo limite para entrega dos originais: 30/08/2014

Chamada: Número 28 /1 a ser publicado em junho de 2015

Tema:Tecnologias contemporâneas no ensino de língua portuguesa

Discussões relacionadas a práticas diversas de ensino e aprendizagem da língua portuguesa em ambiente digital: material didático em várias mídias, ferramentas de autoria e escrita colaborativa, objetos de aprendizagem, atividades práticas e demais análises sobre as singularidades discursivas advindas da utilização da tecnologia digital no ensino de língua materna e estrangeira.

Prazo limite para entrega dos originais: 30/03/2015

Informações pelo link: http://www.revistas.usp.br/linhadagua

 

Cadernos de Linguagem e Sociedade – eISSN 2179-4790 – ISSN 0104-9712, (Qualis B1)

Chamada para o vol. 15(1)2014

Para o primeiro volume de 2014, Cadernos de Linguagem e Sociedade abre espaço para artigos de distintas abordagens teórico-metodológicas, mas que contemplem a dimensão discursiva de linguagem. Data prevista para publicação: 11 de julho de 2014.

Prazo limite para submissão: 11/05/2014

Informações: http://seer.bce.unb.br/index.php/les/announcement/view/213

 

Bakhtiniana: Revista de Estudos do Discurso, ISSN 2176-4573

Chamada para o Vol. 9/Número 2 – a ser publicado em novembro de 2014

Tema: Letramento e contemporaneidade

A necessidade de compreensão e produção dos diferentes letramentos tem se imposto aos estudiosos nos últimos tempos, e não apenas na área pedagógica. Considerando tanto a importância do tema quanto o fato de que o próprio Círculo de Bakhtin teria contribuições para o estudo da questão, convidamos pesquisadores e docentes que trabalham com a linguagem a submeterem artigos sobre LETRAMENTO E CONTEMPORANEIDADE para o vol.9, n.2 de Bakhtiniana (Qualis A1), que será publicado em novembro de 2014.

Prazo limite para submissão dos originais: 28/04/2014

Chamada: Volume 10/Número 1 – a ser publicado em junho de 2015

Tema: Discurso literário: diálogo entre arte e cotidiano

Bakhtin e os demais membros do chamado Círculo tiveram uma sólida formação literária, aspecto que está refletido, de diferentes maneiras, na maioria dos trabalhos que constituem a perspectiva dialógica da linguagem.

Prazo limite para submissão dos originais: 10/08/2014

Informações: http://revistas.pucsp.br/bakhtiniana

Crédito: stockfreeimages.com

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Revista Signo, publicação do Departamento de Letras e Priograma de Pós-Graduação em Letras da UNISC (Qualis B2).

Chamada de trabalhos:volume 39, nº 67, 2014

O objetivo desse número é reunir linhas de pesquisa em Linguística Cognitiva, tendo como foco as metodologias científicas empregadas nas investigações.

Prazo para submissão até 11/08/2014.

Informações: http://online.unisc.br/seer/index.php/signo/index

 

A Revista DLCV – Língua, Linguística & Literatura da Universidade Federal da Paraíba tem como objetivo divulgar estudos de caráter teórico, experimental ou aplicado, na área de conhecimento em Linguística e Letras e suas diversas interfaces, priorizando contribuições inéditas de autores vinculados a programas de pós-graduação. A revista publica artigos, ensaios, traduções e resenhas elaborados por profissionais vinculados ao ensino e à pesquisa nas áreas em questão, além de textos produzidos por alunos de pós-graduação. (Qualis B3)

O processo de submissão é contínuo e os artigos aceitos serão publicados de acordo com o fechamento de cada volume. São publicados 2 volumes por ano e 1 volume impresso.

Informações: http://periodicos.ufpb.br/ojs/index.php/dclv/index

 

A revista Estudos da Língua(gem), ISSN 1808-1355 – versão impressa ISSN: 1982-0534 –versão online (Qualis B1) é um periódico editado sob a responsabilidade do Grupo de Pesquisa em Estudos da Língua(gem) (Gpel/CNPq) e do Grupo de Pesquisa em Análise de Discurso (GPADis/CNPq), ligados à Área de Linguística do Departamento de Estudos Linguísticos e Literários, da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. Publica textos (resultados de estudos teóricos ou aplicados), preferencialmente, originais e inéditos, de interesse das áreas do domínio das Ciências da Linguagem e interfaces, em português, inglês, francês e espanhol.

Estão abertas chamadas para publicação dos seguintes volumes e números:

Vol. 12, n.2 (dezembro de 2014) – Prazo para submissão: 30/07/2014.

Vol.12, n.3, número especial (teses e dissertações) – Prazo para submissão: 30/07/2014.

Informações: http://estudosdalinguagem.org/seer/index.php/estudosdalinguagem/about/editorialPolicies#custom1

 

A revista Navegações (Qualis B3) é uma publicação semestral do Programa de Pós-Graduação em Letras da PUCRS e do Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias da Universidade de Lisboa e tem por objetivo a divulgação de trabalhos inéditos relacionados com as diversas literaturas de língua portuguesa e com as culturas dos países em que elas são produzidas.

Artigos submetidos entre 01/05 e 31/10 serão publicados no 1º semestre do ano seguinte.
Artigos submetidos entre 01/11 e 30/04 serão publicados no 2º semestre do ano em curso (última data).

Informações: http://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/navegacoes

 

Revista Linguagem & Ensino

Chamada para publicação de artigos até 20/06/2014.

Tema: “Linguagem, Sociedade e Tecnologia”

Maiores informações AQUI.

 

Revista fragmentum, ISSN 1519-9894, Eissn 2179-2194, Qualis B3

Fragmentum 42. Jul-Set de 2014. Literatura.

Tema: A Poesia e a Arte de William Blake e sua Recepção no Brasil

Prazo de envio até 30/06/2014.

Fragmentum 43. Out-Dez de 2014. Entrevista.

Ementa: Este número é dedicado à história de vida de Maria da Glória Bordini, uma das maiores estudiosas de literatura. O volume contará com uma entrevista da pesquisadora e, ademais, serão aceitos textos que discutam as contribuições de Maria da Glória Bordini no âmbito da pesquisa, da docência e da orientação acadêmica.

Prazo de envio até 30/09/2014.

Fragmentum 44. Jan-Mar de 2015. Linguística.

Tema:Linguagem e Sentido 

Ementa: Tratar da linguagem a partir dos modos como os sentidos nela são produzidos implica estabelecer relações entre questões semânticas, questões enunciativas e questões discursivas de diferentes ordens, de acordo com os pressupostos das teorias implicadas em nossas análises.

Prazo de envio até 30/12/2014.

Informações: http://cascavel.ufsm.br/revistas/ojs-2.2.2/index.php/fragmentum/pages/view/Chamadas

 

A Revista Educação em Questão (Qualis B1)é um periódico semestral do Centro de Educação e Programa de Pós-Graduação em Educação da UFRN, com contribuições de autores do Brasil e do exterior. Publica trabalhos de Educação sobre a forma de artigo, resenha de livro e documento histórico. Fluxo contínuo.

Informações: http://www.revistaeduquestao.educ.ufrn.br/apresentacao.html
A Revista Linguasagem, ISSN 1983-6988 (Qualis B3), está com chamada aberta para textos na área de estudos linguísticos e literários, além de seção para textos literários. As edições não possuem temas específicos. Edições ou dossiês temáticos possuem “chamadas” específicas.

Os trabalhos devem ser enviados (em fluxo contínuo, ou seja, em qualquer época do ano) por e-mail.

Informações: http://www.letras.ufscar.br/linguasagem/edicao20/

O homem e seu carnaval

Crédito: © Michael Flippo - Fotolia

Crédito: © Michael Flippo

Deus me abandonou
no meio da orgia
entre uma baiana e uma egípcia.
Estou perdido.
Sem olhos, sem boca
sem dimensões.
As fitas, as cores, os barulhos
passam por mim de raspão.
Pobre poesia.

O pandeiro bate
é dentro do peito
mas ninguém percebe.
Estou lívido, gago.
Eternas namoradas
riem para mim
demonstrando os corpos,
os dentes.
Impossível perdoá-las,
sequer esquecê-las.

Deus me abandonou
no meio do rio.
Estou me afogando
peixes sulfúreos
ondas de éter
curvas curvas curvas
bandeiras de préstitos
pneus silenciosos
grandes abraços largos espaços
eternamente.

 Gênero Ópera falada | Livre

Datas/horários

Teatro da Reitoria

Esta é a história de um professor napolitano de linguística que sofre um insólito acidente e perde – junto ao público – a memória dos fatos. Há, então, de reconstruir toda sua vida. Até onde sabemos, nosso herói negou-se a corrigir a tese de uma aluna. Depois disso, um email de spam, chegado da Malásia e intraduzível, envolve-o em uma aventura formidável entre tradutores de Google e a busca por um dicionário extinto da antiga Mesopotâmia, permeada por fantasmas de Caravaggios e ruínas perdidas. Espetáculo com legendas em português.

Indicado não somente para professores de espanhol por ser um belo material para discurtir temas transversais dentro do eixo de valores éticos como Respeito Mútuo, Justiça, Diálogo, Solidariedade. Sendo assim, o tema do curta-metragem espanhol cabe para qualquer área da educação. Embora tenham retirado do YouTube, consegui o link de outro local, de um site português:

http://videos.sapo.pt/NpaSnzJBRH55PLLm1kFY

Falando em Literatura...

Há alguns dias, vi esse vídeo lindíssimo, o curta- metragem que ganhou o Goya 2014 (que é a maior premiação do cinema espanhol). “Cordas” (“Cuerdas”) é baseado em fatos reais, vale a pena ver os quase 11 minutos. É uma criação de Pedro Solís, um desenhista que tem dois filhos: Alejandra, que quando tinha seis anos nasceu seu irmão Nicolás com paralisia cerebral, ele não se movimenta. O amor pelo irmão e as brincadeiras de Alejandra com ele inspiraram a criação dessa história. No final do vídeo, o pai o dedica à família: “à minha filha Alejandra, obrigado por inspirar- me essa história; ao meu filho Nicolás, quem dera nunca ter me inspirado essa história; à Lola, por tudo que você nunca chorou diante de mim.”

Eu fiz as legendas em português e coloquei no meu canal do Youtube, e para minha surpresa, espalhou feito pólvora, em três dias 117.774 visualizações! (até…

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Nesta breve reflexão, exponho tópicos relacionados ao tratamento da linguagem coloquial e linguagem culta no ensino de português brasileiro. Dentre os tópicos contemplados neste texto estão: heterogeneidade da língua, influências das regras de escrita, adequação da linguagem, preconceito linguístico, distinção entre padrões culto/escrito, atividades de produção/reflexão linguística, contínuo de monitoramento, processos de gramaticalização, retextualização das modalidades de linguagem.

Norma culta charge-surfista
O ambiente de uma instituição de ensino constitui espaço ideal para se observar a convivência entre diferentes usos da língua. Conforme a sociolinguística laboviana, tal fato linguístico decorre de diversidade social, escolaridade, origem geográfica, isto é, decorre da heterogeneidade que particulariza a comunidade linguística de qualquer universidade, faculdade ou centro de ensino superior. Indo mais além, presumo que a convivência linguística tenha se intensificado nos últimos anos em decorrência da adoção do sistema de inclusão social para ingresso de estudantes.
Não deve ser difícil ouvir pelos corredores das instituições um conjunto de falas em certo contraste: “tu podes x tu pode”, “chegamos x chegamo”, “vina x salsicha”, “caRta com R aspirado x carta com r caipira”. O conjunto dessas falas representam variedades linguísticas, ou melhor, são amostras da realidade heterogênea, mutável e variável da fala. Apesar das diferenças sintáticas, morfológicas, lexicais e fonéticas, os usuários dessas variedades conseguem se comunicar sem dificuldades quando se encontram, quer pela linguagem coloquial, quer pela linguagem culta.
Difícil pode ser passar por cima de uma “confusão de conceitos” que, para Faraco e Tezza (no livro Prática de texto para estudantes universitários) levam à suposição de que a homogeneidade define a língua real. Segundo os dois linguistas, toda confusão vem das compreensões da língua apenas como código de escrita e da gramática enquanto fonte de regras corretas da língua, o que gramáticos tradicionais e leigos tomam como parâmetro para estimar o quanto um sujeito falante domina a linguagem culta. Subjacente a esse tipo de avaliação linguística está o preconceito de que só domina a linguagem culta quem fala exatamente conforme se escreve em registros documentais e literários, como se a linguagem espontânea ou coloquial resultasse de comportamento desviante do falante e fosse desprovida de regras.
Não é isto que sustenta, por exemplo, Heronides Moura no livro O direito à fala, em artigo intitulado “A língua popular tem razões que os gramáticos desconhecem” e diria que na esteira do normativismo colocam-se muitos falantes a discriminar usuários da língua na ilusão de que temos necessidade de usar a linguagem culta em todos os momentos de interação social. É nesse sentido que, na minha condição de professora de português brasileiro, estarei disposta a mostrar aos estudantes que a língua é falada antes de qualquer gramática publicada para prescrever regras e as diferenças existentes não representam desvios do padrão convencionado para a escrita, ao contrário, são variedades adequadas a diferentes usos, situações, motivos e necessidades.
Em A sombra do caos, Luiz Percival Leme Brito conscientiza quanto à força da atividade normativa nos ambientes letrados em decorrência da incorporação do prescritivismo pela tradição escrita, escola e todas as instâncias de prática linguística. É um comportamento usual em qualquer comunidade de fala, para determinar os usos adequados e valorar as formas linguísticas, recorrer a normas e atribuí-las à língua, pois a todo instante procuramos ajustar o que falamos, assim como julgamos os falares de outras pessoas.
Dentre os motivos que incidem no monitoramento da linguagem em uso, a sociolinguística variacionista de Labov elenca fatores de ordem geográfica, social, escolar (nível de contato com a cultura escrita ou letramento), situacional (onde, para quem, por que, quando e como falar). No entanto, o fato de o monitoramento ser usual não me isenta do papel de mediadora na desconstrução de julgamentos, se porventura ocorrerem em sala de aula no sentido de provocar exclusão social, que às vezes se torna quase imperceptível pela sutileza das atitudes e contrapõe a postura ética esperada de qualquer sujeito em formação para entrar no mercado de trabalho.
Outra confusão conceitual que vale a pena sublinhar recai sobre a indistinção entre norma da linguagem culta e norma da linguagem escrita. De modo geral, pode-se afirmar que a norma culta corresponde ao conjunto de regras da gramática prescritivista, enquanto padrão de língua culta ideal está presa à representação da escrita. Por outro lado, o autor de A sombra do caos defende que a norma da língua culta oral, representativa da fala usada em camadas de prestígio social, não traduz o padrão escrito, embora compartilhe algumas das regras de correção.
Já a norma explícita da língua escrita representa uma convenção social, reúne regras ortográficas, de concordância, regência e usos lexicais das variedades de prestígio, é o que se encontra em gramáticas escolares ou pedagógicas, dicionários, manuais de estilo e redação de jornais. Além disso, outro argumento apresentado por Brito para desfazer o equívoco é a contribuição das pesquisas de sociolinguística e gramática de língua falada na comprovação de que a norma da língua escrita não demonstra graficamente nenhuma modalidade oral nem aquela tomada por linguagem culta.
De posse dos conhecimentos e esclarecimentos mencionados até aqui, considero-me em condições de propor atividades de produção oral e escrita que explorem de maneira produtiva o inventário linguístico do aluno, começando com a valorização de sua linguagem coloquial ou vernacular, como denomina Labov, até chegar a produções típicas de linguagem culta. Algo que não pode faltar na sala de aula é a conscientização sobre os erros, cujo melhor tratamento é como diferenças entre variedades linguísticas. Essa postura pedagógica é sugerida por Bortoni-Ricardo na obra Educação em língua materna, visto que as diferenças refletem todo um contexto histórico e cultural, sendo inadmissível se tornarem alvo de exclusão e preconceito linguístico.
Em termos de produção oral, considero que as propostas de Faraco e Tezza dão conta não só a produção, mas também da reflexão sobre variações linguísticas. Destaco algumas atividades que adaptei a fim de comparar linguagens culta e coloquial, dentre elas, a realização de discussões em torno de amostras de fala em diferentes variedades e contextos interativos. Como mediador, o professor pode apresentar questões para a turma: avaliar a aceitabilidade das amostras como unidades constituintes do português brasileiro, estimar a adequação dessas falas quanto ao grau de formalidade, identificar prováveis causas para as diferenças, descrever a reação frente a uma fala inadequada no que diz respeito à situação de interação ou a uma fala de usuário de outra comunidade linguística.
Observações de como programas humorísticos exploram o trânsito entre linguagem culta e linguagem coloquial para provocar o riso é outro exemplo de atividade centrada no “contínuo de monitoração estilística”. Trata-se de escala que, para Bortoni-Ricardo, situa interações desde o nível de espontaneidade total (coloquial) até aquelas previamente planejadas que exigem mais atenção do falante (culta). Inclusive um desses programas pode ser exibido em sala para alimentar as reflexões.
Em outra etapa podem entrar atividades de reflexão sobre processos de gramaticalização da língua coloquial em sua modalidade oral, os quais mudam características sintáticas, semânticas ou discursivo-pragmáticas de elementos da língua (Weinreich, Labov e Herzog em Fundamentos empíricos para uma teoria da mudança linguística). Exemplificam tais mudanças alguns usos pronominais (a alternância entre “a gente” e “nós”), verbais (passagem de verbo pleno para verbo auxiliar, “vive cantando”, “anda fazendo”, etc.) e de deslocamento sintático à esquerda (em orações relativas: O teatro, eu não sei onde fica bilheteria dele/Eu não sei onde fica a bilheteria do teatro.)
Quanto à produção escrita, parece-me válido desenvolver propostas que derivem daquelas realizadas com ênfase na produção oral. Como justificativa da integração, vislumbro a oportunidade de relacionar as configurações possíveis entre as modalidades. Ainda que a escrita não represente a língua oral, cabe o trabalho de retextualização da língua falada para a língua escrita, sugerido por Marcuschi em Da fala para a escrita por propiciar uma visão abrangente acerca do processamento diferenciado de textos em linguagens coloquial e culta, ambas com as correspondências de oralidade e escrita.
No caso do texto oral, temos como característica principal a elaboração online em que reformulações, interposições e expansões ocorrem simultaneamente à produção, enquanto que no texto escrito não há todas essas operações nem sempre no mesmo momento de criação, uma vez que o caráter parcialmente estático do texto escrito (exceto hipertexto por sua volatilidade) possibilita revisões posteriores. Quais seriam as propostas de produção escrita? Produzir um relatório sobre as discussões, escrever uma peça de teatro em que personagens usem variedades coloquiais e cultas, produzir comentários sobre publicações na mídia que se reportem a questões de linguagens culta e coloquial, observando se há exposição de opiniões equivocadas nas publicações.
Enfim, propostas diversas podem ser idealizadas com o objetivo de tornar o aluno um sujeito consciente quanto à heterogeneidade da língua e de todas as implicações dessa conduta. Há como avaliar o desenvolvimento dessa postura pela manifestação da aceitabilidade, pela incorporação da noção de adequação linguística e pelo aprimoramento da competência linguística, uma consequência do contato com produções em níveis diversificados de linguagem coloquial e linguagem culta.

Respeito

O que está sendo feito
Pode ser de outro jeito
O que já se fez e bem feito
O que está sendo feito
Pode não estar direito
O que passou é perfeito
O que está acontecendo
Pode ter defeito
O que já foi eu aceito
O que está acontecendo
Pode ser de outro jeito
O que passou merece
Respeito

(Arnaldo Antunes)

Crédito: Carolina Santos

Crédito: Carolina Santos

Ser Diferente É Normal

Todo mundo tem seu jeito singular
De crescer, aparecer e se manifestar
Se o peso na balança é de uns quilinhos a mais
E daí, que diferença faz?

Todo mundo tem que ser especial
Em seu sorriso, sua fé e no seu visual
Se curte tatuagens ou pinturas naturais
E daí, que diferença faz?

Já pensou, tudo sempre igual?
Ser mais do mesmo o tempo todo não é tão legal
Já pensou, sempre tão igual?
Tá na hora de ir em frente:
Ser diferente é normal!

(Preta Gil)

Os buracos do espelho
Arnaldo Antunes
O Globo: 27/07/2009

o buraco do espelho está fechado
agora eu tenho que ficar aqui
com um olho aberto, outro acordado
no lado de lá onde eu caí

pro lado de cá não tem acesso
mesmo que me chamem pelo nome
mesmo que admitam meu regresso
toda vez que eu vou a porta some

a janela some na parede
a palavra de água se dissolve
na palavra sede, a boca cede
antes de falar, e não se ouve

já tentei dormir a noite inteira
quatro, cinco, seis da madrugada
vou ficar ali nessa cadeira
uma orelha alerta, outra ligada

o buraco do espelho está fechado
agora eu tenho que ficar agora
fui pelo abandono abandonado
aqui dentro do lado de fora