Posts com Tag ‘mídia’

Existe um canal no  site Youtube, chamado Nossa Língua, em que são publicados vídeos diversos sobre tópicos linguísticos, sobretudo com relação à etimologia do português. Dentre tantas opções, encontrei uma sequência de 3 vídeos que abordam o uso de palavras de origem estrangeira no português, assim como as diferenças entre o português brasileiro e o português europeu. Veja a seguir o material selecionado:

 

 

 

*** Atividade de compreensão de texto audiovisual (para ser feita enquanto se assiste aos vídeos).

vídeo nossa língua

 

 

 

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Reproduzo o comunicado recebido do editor desta revista portuguesa, Tiago Lima, bem como
recomendo a leitura dos artigos, cujos temas principais são comunicação, mídia, internet
e afins. De modo especial, interessei-me pela proposta do trabalho: "Problematizar para
intervir: rádio online e educação para os media como estratégia de inclusão de jovens", 
produzido por Maria José Brites, Sílvio Correia dos Santos, Ana Jorge e	Catarina Navio.

Crédito: © mapoli-photo

Crédito: © mapoli-photo

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Dear Colleagues,
 
We are pleased to announce that (OBS*) Observatorio journal's latest issue
is now available.
 
Vol 8 No 1 (2014), including contributions from scholars from Spain, Sweden,
Portugal, Colombia, Australia, Pakistan, Greece and Cyprus, published in
English, Spanish and Portuguese, is now available to any interested reader,
free of charge – simply go to the website
[http://obs.obercom.pt/index.php/obs] and register.
 
OberCom, Observatory for the Media, is one of Portugal’s premier centres
on media research. Its peer-review journal, Observatorio(OBS*), is an
online, multimedia, open access, academic character publication. It is an
interdisciplinary e-journal which, although focused in communication, is
opened to the contributions of other subjects which claim themselves as part
of the Communication Studies’ areas, from academia to the business-related
world.
 
Observatorio (OBS*) e-journal is a publication with international character,
which accepts and publishes texts written in Portuguese, Spanish, Catalan,
Galician, Italian, French and English.
 
We hope you will find this project of interest to your research activity and
that, in a near future, we will be able to count with your work among the
authors published at Observatorio (OBS*) journal.
 
Gustavo Cardoso and Rita Espanha
Editors
 
Tiago Lima (Tiago.lima@obercom.pt)
Journal Manager
___________________________________________________
Caros colegas,
 
É com satisfação que anunciamos o lançamento do mais recente número da
revista académica Observatorio (OBS*).
 
O Vol 8 No 1 (2014) inclui contribuições de investigadores de Portugal,
Suécia, Colômbia, Espanha, Austrália, Paquistão, Grécia e Chipre. Os
textos presentes neste volume encontram-se publicados em Inglês, Castelhano
e Português, disponíveis para consulta por parte dos leitores interessados
– bastando, para tal, navegarem até
[http://obs.obercom.pt/index.php/obs].
 
OberCom, Observatório da Comunicação, é um dos centros portugueses de
investigação em comunicação. A sua revista Observatorio (OBS*) é uma
publicação online, multimédia, em open access, e de características
académicas. Trata-se de uma revista interdisciplinar que, embora focada na
comunicação, se encontra aberta às contribuições de outras áreas que
se reclamem parte dos estudos da comunicação, desde a academia até ao
mundo empresarial.
 
Observatorio (OBS*) e-journal é uma publicação de alcance internacional,
que aceita e publica textos escritos em Português, Inglês, Francês,
Italiano, Castelhano, Catalão e Galego.
 
Esperamos que este projecto editorial seja de interesse para o seu trabalho
de investigação e que, num futuro próximo, possamos contar com trabalhos
seus entre os autores publicados pela Observatorio (OBS*).
 
Gustavo Cardoso e Rita Espanha
Editores
 
Tiago Lima
Journal Manager, OBS
 
Observatorio (OBS*)
Vol 8, No 1 (2014)
Table of Contents
http://obs.obercom.pt/index.php/obs/issue/view/40
 
Articles
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Framing the Financial Crisis: An unexpected interaction between the
government and the press
	Kajsa Falasca
 
A clearer picture: Towards a new framework for the study of cultural
transduction in audiovisual market trades.
	Enrique Uribe-Jongbloed,	Hernán David Espinosa-Medina
 
A mediatização da dengue na imprensa portuguesa:  Os casos do Público,
Expresso, Jornal de Notícias e Diário de Notícias
	Felisbela Lopes,	Rita Araújo
 
Tendencias de uso de YouTube: optimizando la comunicación estratégica de
las universidades iberoamericanas
	Alba Patricia Guzmán,	Maria Esther Del Moral
 
Inevitabilidade Digital: O Poder dos Laços Fracos, Convergência e
Curiosidade na Disseminação do Stuxnet
	Hugo Filipe Ramos
 
Mediating the voice of personal blogging: an analysis of Chinese A-list
personal blogs
	Jianxin Liu
 
Problematizar para intervir: rádio online e educação para os media como
estratégia de inclusão de jovens
	Maria José Brites,	Sílvio Correia dos Santos,	Ana Jorge,	Catarina Navio
 
Service Quality of News Channels: A Modified SERVQUAL Analysis
	Muhammad Mursaleen,	Mubashir Ijaz,	Muhammad Kashif
 
Las prácticas auto-promocionales en el discurso periodístico de TVE
	Marina Santín Durán
 
The Internet as a source of information. The social role of blogs and their
reliability
	Maria Keskenidou,	Argyris Kyridis,	Lina P. Valsamidou,	Alexandra-Helen
Soulani
 
 
__________________________________
Observatorio(OBS*)
http://obs.obercom.pt/index.php/obs

Para tratar do tema ensino de gramática e ortografia no Ensino Médio, explicito de antemão que além de elencar certas visões teóricas sobre a questão com as quais me alinho, tentarei me apropriar desses conhecimentos de modo a traçar um caminho pedagógico para atuação como docente. Ressalto ainda que não pretendo produzir uma exposição exaustiva do tema, o que não quer dizer que será menos profícua em termos de conteúdo.

Como especialista em Linguística Textual defendo que a informatividade de um texto não depende da profusão de palavras, pois desse modo há o risco de tornar a produção prolixa. Assim, minha exposição cercará o tema proposto, não necessariamente nesta ordem, a partir de aspectos relacionados a: tradição histórica, relações com a escrita, referências oficiais de ensino, concepções de linguagem, padronização, influências da mídia, variação linguística, reflexão linguística e prática de ensino.

Desde a publicação dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNS) para o Ensino Médio, cujo eixo temático Linguagem, Códigos e suas Tecnologias cobre questões de língua materna, ou bem próximo desse momento no final da década de 90, a Linguística tem se ocupado em debater o tema ensino de gramática e inserido nessa discussão está o conhecimento de ortografia. Dentre as publicações, são emblemáticos os livros Por que não ensinar gramática na escola? de Sírio Possenti, A sombra do caos de Luiz Percival Leme Brito, Sofrendo a gramática de Mario Perini e, a meu ver, talvez o mais crítico da lista: Linguagem, escrita e poder de Maurizio Gnerre.

Um contato superficial com a literatura produzida nessa linha de pensamento pode levar ao equívoco de que os autores propõem o abandono definitivo de qualquer estudo gramatical, como boa parte da mídia às vezes veicula quando se remete a tais concepções linguísticas. É inegável que o debate centra-se na validade da prática pedagógica de ensinar gramática, todavia, o propósito é outro. O que se questiona é a insistência em manter a tradição do ensino descontextualizado de teoria gramatical com viés prescritivo num momento em que muitas das pesquisas com viés descritivista compõem as recomendações dos documentos oficiais para o ensino de português brasileiro.

O abandono implicado no debate recai sobre as ligações históricas do prescritivismo com teorias filológicas e literatura clássica que tornam as gramáticas normativas uma opção ineficiente por prescrever usos artificiais da língua que pouco se aproximam da realidade das comunidades linguísticas, bem como por admitir apenas a reflexão linguística dos gramáticos. E não é isto que os PCNs colocam como prática esperada do professor de português, tampouco como habilidade e competência a ser desenvolvida pelo aluno. Conforme consta no documento oficial, não há nada contra o ensino de regras gramaticais, já que o ponto crítico é como ensinar essas noções sem prevalecerem classificações e terminologias apriorísticas.

Em A cor da língua, Sirio Possenti relembra que a própria história da língua explica fatos de variação linguística e, consequentemente, de variação das regras gramaticais e grafias de palavras. Segundo a visão do linguista, não podemos esquecer que a língua natural é a falada por nós e não aquela escrita por literatos e sujeitos prestigiados, conforme gramáticos, filólogos e dicionaristas dão a entender em suas obras. Outra observação do linguista destaca que nem mesmo a grafia é natural, é produto de convenção que muitas vezes tem a motivação perdida na história de evolução das línguas. Além disso, incompreensões de regras normativas e de justificativas para certas grafias, que tanto dificultam o ensino de gramática, na opinião de Possenti, podem ser esclarecidas por meio de documentos históricos e da comparação entre línguas.

Parece-me válido inclusive realizar tais consultas junto com os alunos, utilizando exemplos dados pelo autor de termos que constam em documento do ano de 1725 e de usos pronominais da língua espanhola, todos produzidos de acordo com a norma escrita padrão e nos quais aparecem estruturas morfossintáticas e grafias que no português brasileiro são hoje tomadas como desvios da norma padrão. Entre os exemplos estão: “apartir”, “seachar”, “nemseatreve”, “asperigozas” e “encontrámonos” do espanhol atual, usos que Possenti descreve como “foto feita de outro ângulo”, ou seja, representam outra opção de escrita.

Crédito: Carolina Santos

Crédito: Carolina Santos

Em publicações de Faraco (Linguística histórica), Tarallo (Tempos linguísticos) e diversas de Marcos Bagno é possível encontrar mais exemplos semelhantes para aulas com o objetivo de comparar as gramaticalizações e grafias de diferentes épocas. Essa é uma interessante opção para oferecer ao aluno oportunidade de reflexão sobre variações das regras de língua escrita e também dos acordos que convencionam a grafia adotada em determinado período histórico de uma comunidade de fala.

Em relação às tentativas de legitimar um padrão ideal para a língua, retomando um dizer de Gnerre em Linguagem, escrita e poder, as discussões em torno do estabelecimento de acordos ortográficos ilustram o quanto ainda permanece arraigada na sociedade a ideia de que a escrita representa a fala. Ideia esta que, de modo geral, os meios de comunicação massivos como canais de televisão e imprensa jornalística não deixam de disseminar, coisa que não fariam se buscassem subsídios na visão da Linguística. É no melhor estilo sensacionalista que essas mídias enfocam, por exemplo, assuntos ligados à grafia de palavras, como tem ocorrido em relação à suposta influência negativa da internet na escrita em outros ambientes interacionais e ao “Novo Acordo Ortográfico” de 1990, cuja vigência foi adiada para 2016. Atribuo sensacionalismo às informações veiculadas porque chegam ao cúmulo de publicar que a língua falada vai mudar pela interferência desses fatos ou que os estudantes terão dificuldade de ler/compreender as poucas palavras escritas com a grafia do novo acordo que retira elementos sem funcionalidade (hífen, trema, acento circunflexo de palavras terminadas em “êem” e “ôo”, etc.).

Em A cor da língua, Possenti também se posiciona a respeito das supostas mudanças linguísticas que o acordo ortográfico não faz, sendo categórico na afirmação de que lei não consegue mudar uma língua, não modifica a pronúncia, nem dificulta a leitura, já que a fala e a escrita permanecem iguais, exceto em algumas grafias. Então o que de fato muda é um pequeno conjunto de regras de escrita. Todavia, o estudioso assinala que por trás da padronização da escrita que se tenta determinar na forma de lei encontram-se falsas demonstrações de patriotismo, como se a língua fosse um símbolo nacional a ser preservado, e interesses comerciais e industriais, o que justificaria negociações das datas de vigência das alterações para conter prejuízos de tais setores da economia.

Faraco reconhece em Linguagem escrita e alfabetização que as dificuldades com a ortografia em língua portuguesa decorrem da inexistência de critérios uniformes para definir como se escrevem as palavras. É relevante a consideração do teórico para a definição da postura do professor de português brasileiro diante de questionamentos recorrentes de alunos que tentam entender por que determinados fonemas apresentam mais de uma grafia, como ocorre com o /s/ que é escrito de oito modos diferentes. Para o ex-professor da UFPR, as motivações para definição da forma gráfica de palavras da língua portuguesa dispõem de naturezas diversas, ora pela “transparência fonológica” (a correspondência entre som e letra), ora pela etimologia (origem geográfica da palavra), ora por motivo arbitrário em certos momentos da história (quando houve atribuições de padrão ortográfico por meio de analogias). Neste caso, complica-se o trabalho de tornar o aluno competente e hábil para refletir sobre elementos como estes de sua língua materna, sobretudo se o professor concebe a linguagem como expressão do pensamento ou instrumento de comunicação, atuando pela “mecanização da palavra”, conforme Rui Barbosa (citado por Geraldi em Linguagem e ensino) definiu no século 19.

São incisivas as críticas de Geraldi às práticas de ensino que se fundam na concepção de linguagem como expressão do pensamento e dotada de natureza homogênea. Em seu livro Linguagem e ensino, considera inadmissível sistematizar uma reflexão linguística como se fosse prévia, dada pela escola, pelas gramáticas normativas. Outro aspecto criticado pelo pesquisador é a apresentação de conteúdos sem uma sequência organizada que capacite o aluno a obter sua visão geral da teoria gramatical. A sugestão de Geraldi direciona-se ao aproveitamento das atividades epilinguísticas no ensino de gramática, ou seja, das práticas naturais do falante com as quais avalia os recursos selecionados ao usar a língua, estimando se um termo é adequado à situação, verificando se expressa o que pretende, dosando a informação dita.

Vejamos um exemplo dado pelo professor da Unicamp para abordagem de questão ortográfica nesse sentido. A recomendação é partir dos textos dos alunos e levantar as ocorrências de grafia inadequada, já que a adequação, a princípio, indica que houve assimilação da regra. Parece produtivo explorar palavras homófonas (“xá/chá”, “xeque/cheque”, “xarada/charada”) e ambiguidades ortográficas (“enxergar/enchergar”, “enxada/enchada”, enxame/enchame”). Depois de reunidas as ocorrências, o passo seguinte é sua apresentação aos alunos a fim de tentarem construir uma regra para uso de “x” e “ch”, é um exercício reflexivo para gerar hipóteses sobre a língua. A primeira delas poderia ser: usar X sempre que há “n”. Na sequência cabe apresentar elementos para derrubar a proposição: “gancho”, “rancho”, “inchume”. Com isso, é hora de reformular a regra: usar X sempre que há “en” antes. Novas refutações: “enchente”, “encharcado”, “encheção” e nova regra: usar X sempre que há “en” antes, exceto quando já existia a palavra escrita antes com”ch”.

A derivação dos termos “enchente” (de cheio), encharcado (de charco) e encheção (de encher) comprova a hipótese e, como única exceção, há a palavra “enxova”. Um trabalho conduzido dessa forma, por mais complexas que sejam as explicações para a ortografia, aproveita o comportamento natural do falante de avaliar usos linguísticos (as atividades epilinguísticas) e o conhecimento implícito do aluno sobre a língua, parte das dificuldades apresentadas nos textos (de aspecto ortográfico que de fato precisa ser tratado com auxílio do professor) e encaminha para o estudo de questão morfológica, no exemplo dado, processos de formação de palavras.

No que tange à teoria gramatical, trabalhar com paradigmas classificatórios constitui outra prática de difícil justificativa para o professor de português e igualmente difícil é responder aos alunos para que servem as classificações das palavras. Portanto, se estiver disposto a transpor as indicações dos PCNS para a sala de aula, o professor tem na verdade o compromisso de desenvolver atividades de explicitação de regras gramaticais através da reflexão e análise linguística e, acima de tudo, tornar o aluno um produtor de textos. Em outra publicação intitulada O texto na sala de aula, Geraldi adverte que a “prática de análise linguística” não se restringe a mera higienização do texto do estudante com a eliminação de inadequações gramaticais e ortográficas. Não se trata de correção, mas de reescrita para aprimorar a competência linguística do produtor em suas interações sociais e profissionais. De acordo com o conteúdo abordado a partir da análise textual, podem ser propostas atividades para explorar a sistematização da língua sem enfatizar nomenclaturas. Ou seja, o mais relevante é a compreensão do aluno sobre o fenômeno linguístico.

E qual seria a vantagem de usar textos dos alunos no ensino de gramática? Acredito que a mais coerente seria atribuir uma finalidade real para o estudo de determinada dificuldade gramatical ou ortográfica, quer pelo estranhamento que pode causar no texto, quer pelo compromisso como professor de promover a reflexão sobre a aceitabilidade de fatos da língua. O que mais fazer no Ensino Médio? Retomar os textos, reler com a turma, propor a reescrita com apoio das reflexões, de dicionários e de gramáticas, digitar as produções em editores de textos usando o recurso de corretor gramatical e sempre que possível trabalhar em grupos.

O exercício da autoria através das tecnologias e do que a mídia pode proporcionar é o que tento fazer neste blog, seja produzindo textos e conteúdos, seja compartilhando textos e produções alheias.

Por indicação de uma amiga, tomei conhecimento de interessante projeto que incentiva tal prática autoral. Refiro-me ao Festival de Vídeo Estudantil e à Mostra de Cinema, realizados em Guaíba, cidade da região metropolitana de Porto Alegre/RS.  O festival é gratuito, voltado às comunidades estudantil e geral, conta com etapas preparatórias durante o ano e divulgação em escolas da rede básica de ensino. Aproxima-se agora a etapa final que acontecerá de 25 a 30 de novembro de 2013.

Não poderia deixar de destacar o texto de apresentação que consta no site do evento, pois considero ser uma fonte propulsora de realidades, ideias e produções sobretudo (e não exclusivamente) para professores do Brasil inteiro:

“A proposta do Festival de Vídeo Estudantil e Mostra de Cinema – Guaíba/RS, além de firmar-se como um evento que revela a capacidade de alunos da rede básica de ensino de lidar com a linguagem da mídia e exercitar sua autoria utilizando a tecnologia para expressar-se, é de expandir-se como experiência pedagógica de sucesso, partilhando uma metodologia de formação de leitores e produtores de mídia televisiva com educadores e estudantes de pedagogia. As oficinas que oferecem referências básicas da linguagem e noções técnicas da utilização do equipamento de captação e edição de imagens são programadas como atividades preparatórias, visando estimular a participação qualificada de alunos e professores que desejam realizar suas produções para o Festival de Vídeo.

Numa cidade que não possui sequer uma sala de exibição, a Mostra de Cinema oportuniza o acesso de toda a comunidade de Guaíba a filmes nacionais, além de revelar especificidades da linguagem, produção e montagem na área do cinema, contemplando aos interessados em ampliar seus conhecimentos com palestras e oficinas.”

Mais informações:
E-mail: festival@festvideoguaiba.com.br
Página no Facebook: https://www.facebook.com/festestudantil
Endereço para correspondência: Instituto Estadual de Educação Gomes Jardim, Rua Dr. José Montaury, 289 – Centro – Guaíba/RS – Cep 92500-000

PIADA LINGUÍSTICA 2007

De modo geral, a mídia presta o desfavor de disseminar a ideia de que “fala bem” a língua quem fala conforme as regras da língua escrita ou usa um vocabulário “difícil”, “rebuscado”. Ninguém precisa exclusivamente de tais recursos para conseguir se comunicar e ninguém fala “bem ou mal” a sua língua materna. O que se pode afirmar é que há usuários mais ou menos competentes, só isso. E sob o intuito de formar opiniões, em algumas vezes a mídia tem disseminado julgamentos negativos sobre a competência linguística dos falantes, confundindo a cabeça de todo mundo ao colocar fala e escrita no mesmo ponto de observação. Fazer o quê? O linguista é sempre a último sujeito consultado quando a mídia se propõe a falar da língua, pois a preferência é por outros “pseudo-especialistas”, como jornalistas, escritores, gramaticistas…

O curioso é que se o assunto for saúde, médicos são entrevistados, se for futebol, jogadores e técnicos são procurados, se for lei, advogados são consultados. Agora, quanto à língua, chama qualquer um!! Na verdade, é até melhor que nem consultem linguistas mesmo, porque no final das contas as concepções da Linguística acabam distorcidas. Volta e meia vejo a divulgação de discursos sobre “o caos” que poderia se estabelecer se passássemos a respeitar os diferentes jeitos de falar das pessoas ou ainda a perguntinha redutora de opinião: “então quer dizer que pela Linguística pode tudo?”.

Falta ainda atingir a consciência de que as regras de escrita são ensinadas na escola  simplesmente para que possamos compartilhar um padrão mínimo e comum de língua escrita e através dele ter condições de interagir como cidadãos na sociedade letrada, que formaliza boa parte de seus atos por meio de produções escritas. Falta compreender que existem momento e local adequados para usar as variedades da língua. Nem tanto ao céu, nem tanto à terra, é nesse sentido que apontam os parâmetros curriculares nacionais (PCNS) para o ensino de português, porém nem todos os profissionais envolvidos conseguem trabalhar dessa forma, muitas vezes porque entendem a língua como sistema estático a ser preservado e sobretudo pelo desconhecimento da teoria linguística que fundamenta os PCNS.

No meu caso, como professora de português, com algum conhecimento de Linguística, e autora deste blog,  não faria o menor sentido escrever aqui em um padrão coloquial, técnico demais ou regional, porque não me disponho a estabelecer “o caos” conforme a mídia insiste em atribuir ao trabalho do linguista. Mais do que isto, quero ser compreendida pelo maior números de leitores e entendo que o emprego da variante padrão é justificável neste contexto. As minhas escolhas são bem diferentes em interações familiares, nos bilhetes que escrevo para meu filho, nas conversas informais (escritas) através de redes sociais e mesmo nos comunicados redigidos ou oralizados por mim em meu ambiente de trabalho. No blog busco manter certa credibilidade como autora diante do público a que me dirijo e por isso assumo a necessidade de manter determinada postura não só como usuária, mas também como estudiosa da língua.

Além do mais, se cada pessoa desenvolvesse e usasse regras de escrita próprias ou se limitasse a regras em desuso ou obsoletas para falar e escrever, as interações e a compreensão seriam dificultadas. É com a finalidade de possibilitar a comunicação que se estabelecem padrões para a variedade escrita de uma língua, os quais não deveriam ser confundidos com as diferentes variedades de fala. O emprego adaptado das variedades da língua às situações, ao público e às necessidades comunicativas, dentre outros aspectos, demonstra habilidade e conhecimento linguístico. Refiro-me a uma flexibilidade a ser desenvolvida por muitos de nós, a qual passa primeiro pela compreensão e depois pelo abandono de preconceitos linguísticos. Preconceitos que, assim como muitos outros julgamentos prévios, são consequência do culto a valores burgueses, dentre os quais, está também o consumismo ilustrado na tira de Luis Fernando Veríssimo e o desprezo pelos cursos de Letras e Linguística, abordado no artigo Afinal, pra servem os cursos de Letras e Linguística?

Veja em Scoop.itPer linguam

De tempos em tempos, os brasileiros incorporam em seu vocabulário termos e expressões técnicas exaustivamente repetidos nos noticiários. Embargos infringentes é a moda da vez

por Felipe Canêdo

Quem nunca ouviu falar de embargos infringentes? Em uma semana, o instrumento jurídico de sonoridade pouco amigável saiu do conspícuo regimento interno do Supremo Tribunal Federal (STF) e das cátedras de escolas de direito para cair no gosto popular, virando piada na internet e se tornando parte de vocabulário corrente nos locais mais inusitados, como padarias e salões de beleza. Antes restrito à mais alta Corte do país, ele é um exemplo de termo técnico que se popularizou rapidamente durante um fato marcante no país – neste caso, o julgamento do mensalão.

Como ele, muitos termos pouco conhecidos foram assimilados pela população de uma hora para outra ao longo dos anos, mesmo que, na maioria das vezes, muita gente não saiba seus reais significados. Os exemplos são vários: impeachment, moratória, medidas heterodoxas, câmbio flutuante, CPMF, PEC 37 e URV. Cada um deles se relaciona a algum episódio da política ou da economia brasileira amplamente discutido pela mídia e foi incorporado pelo povo, quase sempre com irreverência.

Os embargos infringentes, acatados no julgamento do mensalão pelo STF na quarta-feira, permitirão que questões específicas de 12 réus do processo sejam julgadas novamente. De acordo com o regimento da Corte, eles são permitidos para decisões não unânimes do plenário. Na questão que foi decidida pelo ministro Celso de Mello, após o empate de cinco votos a favor e cinco contra no dia 11 e a decisão do decano da Corte na quarta-feira, o termo embargos infringentes praticamente saiu do anonimato e foi alçado ao estrelato. Na internet, foi sugerido como nome de banda punk e de pizzaria, por exemplo.

Se ele será assimilado pela população é uma questão que demandará tempo para ser respondida. Segundo o professor de linguística da Universidade Federal de Minas Gerais Lorenzo Vitral, um fator importante para que isso aconteça é o tempo de exposição na mídia, outro seria o uso que será feito da expressão. “Normalmente, qualquer palavra sofre mudança de significado ao longo do tempo. Se a gente compara o português de hoje e o de 1900, vê que os significados das palavras mudaram. É normal que mudem”, ele diz.

(…)

Leia mais em www.em.com.br

Compartilho duas apresentações publicadas originalmente no site SlideShare que orientam quanto à elaboração de currículo na Plataforma Lattes do CNPq.

A primeira apresentação é um material divulgado pelo próprio CNPq quando foi lançada a nova versão do Currículo Lattes.

A segunda apresentação foi elaborada por uma professora do curso de Mestrado em Educação da Universidade do Oeste Paulista (Unoeste) de Presidente Prudente-SP.

A mágica da máquina de escrever

A mágica da máquina de escrever. Crédito: autor desconhecido

Disquete?!?

Disquete?!?

A rede social mais popular do Brasil antes do Facebook.

A rede social mais popular do Brasil antes do Facebook

Entre o presencial e o virtual, difícil escolha?

O pragmatismo virtual. Créditos: autor desconhecido

Inversão de valores da sociedade

Inversão de valores da sociedade

"Virtualidade e atualidade são apenas duas maneiras de ser diferentes." - Pierre Levy

“Virtualidade e atualidade são apenas duas maneiras de ser diferentes.” – Pierre Levy

A construção do conhecimento em debate

A construção do conhecimento em debate

A visão cega

A visão míope

“Enquanto tal, a virtualização não é nem boa, nem má, nem neutra. Ela se apresenta como o movimento mesmo do “devir outro” – ou heterogênese – do humano. Antes de temê-la, condená-la ou lançar-se às cegas a ela, proponho que se faça o esforço de apreender, de pensar, de compreender em toda a sua amplitude a virtualização” (O que é o virtual? – Pierre Levy, p. 11-12).

A MÍDIA num blog exploratório

Clique na imagem para acessar o texto e depois na seta para iniciar a apresentação da multimídia, que será melhor visualizada em tela cheia. Boa experiência de leitura!

No título deste post, a adaptação do provérbio “Manda quem pode, obedece quem tem juízo” não é fortuita. Vejamos onde quero chegar, mas acho que o próprio título direciona sem grandes desvios de sentido.

A charge que republico abaixo é um ótimo material para abordar na aula de português brasileiro a questão da manipulação dos textos produzidos pela mídia de massa, ou a grosso modo, pelos meios oficiais de comunicação que produzem conteúdos impressos ou eletrônicos para o grande público, como os jornais, revistas, canais de televisão, rádios, sites “oficiais”, etc.

Além do mais, o material complementa minha opinião exposta em Mais Médicos em textos jornalísticos e outras fontes de informação e destina-se especialmente para quem gosta da revista Veja e não superou o medo de comunistas.

Charge do jornal Contraponto @Sisejufe: FUJAM! OS CUBANOS VEM VINDO!

por  blog LATUFF CARTOONS.

Medicos cubanos chegam ao Brasil

E o que mais quero dizer com tudo isto?

Enquanto não nos colocarmos contra a mídia de massa deixaremos de exercer nosso poder de massa crítica, de pessoas que refletem sobre sua realidade, defendem suas posições e lutam pelo atendimento de suas expectativas e necessidades, nem sempre compreendidas por quem detém alguma forma de poder. A propósito, as duas referências que tenho sobre massa crítica não vem da física, mas de questões que envolvem meios de transporte, outro serviço público no Brasil com gestão precária e estopim da chamada Revolta do Vinagre.

A primeira vez que ouvi falar de massa crítica foi quando estudei na Unicamp, onde há um ônibus que transporta estudantes de Campinas a São Paulo ou vice-versa. A alternativa de transporte recebeu o nome de Massa Crítica, inclusive conta com um site para cadastro dos usuários. Infelizmente não tive oportunidade de experimentá-lo, apesar de às vezes ter feito o trajeto até SP antes de voltar para Curitiba.

Ao preparar este post, tomei conhecimento de outra iniciativa realizada em Porto Alegre (RS), do blog Massa Crítica – POA, que assim se autodefine:

A Massa Crítica é uma celebração da bicicleta como meio de transporte que ocorre em mais de 300 cidades ao redor do mundo. Ela acontece quando dezenas, centenas ou milhares de ciclistas se reúnem para ocupar seu espaço nas ruas e criar um contraponto aos meios mais estabelecidos de transporte urbano.

No final das contas, tudo se relaciona, pois acabei me posicionando aqui sobre tema veiculado pelo post anterior CHARGE: o monopólio da Viação Noiva do Mar em Rio Grande. E voltando à sugestão de aula de português, também seria possível tratar de intertextualidade a partir da leitura deste texto que assim finalizo, pois para compreendê-lo é preciso recorrer a outros textos já escritos no blog e citados explicitamente através dos links disponibilizados aos leitores.

Uma verdadeira exposição de ideias híbridas: entre a teoria linguística e o pensamento sociopolítico, meio chomskiana, mas bem de longe.