Posts com Tag ‘português para concursos’

Prova Objetiva: 321 – Técnico em Assuntos Educacionais

Edital: 169/2009 – PRHAE

Banca: Núcleo de Concursos Universidade Federal do Paraná (NC – UFPR)

Conhecimentos: Português

Questões comentadas: 1ª parte (1 a 4)

Os comentários são breves e dizem respeito a observações necessárias tanto para selecionar a resposta correta quanto para eliminar as demais inadequadas a partir de informações extraídas do texto utilizado na prova de português. As quatro questões iniciais podem ser resolvidas com base em relações semânticas, coesivas e de coerência que se estabelecem no texto. Por essa escolha, é possível afirmar que a banca explora a competência linguística do candidato ou sua habilidade de reflexão e análise linguísticas em vez de mera localização de contextos aplicáveis para regras gramaticais e ortográficas. Neste caso, então se torna interessante exercitar muito mais a capacidade de depreender relações de sentido, significação e organização de ideias no texto do que se preocupar somente com regras que não serão abordadas diretamente.

Texto 1

Texto 1

questões comentadas PT1questões comentadas PT2

Anúncios

Interessante para revisores, professores de português brasileiro, escritores, redatores e todos que se envolvem com a produção e leitura de textos.

Tomei conhecimento desta data comemorativa da pior forma possível, foi através de   certo e-mail de marketing de um site de compras ou e-commerce.

Originalmente a data refere-se ao aniversário de morte de Luiz  de Camões.

O objetivo do texto publicitário não se limita a informar fortuitamente que hoje é o “Dia da língua portuguesa”, logicamente junto a essa informação vem a sugestão de compra de determinada “seleção de livros incríveis.” Conforme está sinalizado no próprio assunto do e-mail: Dia da língua portuguesa – seleção de livros incríveis.

Claro que também não poderiam faltar enunciados imperativos de convite ao consumo como este: Celebre a língua que figura entre as 10 mais faladas do mundo. Até fiquei curiosa para saber quais eram as sugestões incríveis e minha expectativa como leitora caiu por terra ao verificar que, salvo pela indicação de uma obra de Jorge Amado – Gabriela, Cravo e Canela -, não tinha como eu celebrar nossa língua materna através dos livros anunciados. Agora me perguntem por quê???

Como já me manifestei em outro post – Hahahaha… olha como ele fala!! -,  a única coisa que um livro intitulado Guia Prático do Português Correto poderá fazer é disseminar visões limitadas da competência comunicativa de um falante de português língua materna, pois não há português correto!  O que dá pra dizer que existe é uma convivência entre variedades de língua:

(i) padrão – é um recorte da língua usada em dado momento histórico e por determinado grupo social, representa um modelo artificial de língua, pois não admite a variação linguística, ao contrário, adota as regras prescritas nas gramáticas tradicionais ou normativas, produzidas com base em textos de literatura clássica, ditos como exemplares de usos consagrados da língua (?!); na verdade apresenta regras de “certo e errado”, que em muitos casos representam usos obsoletos da língua materna, como é o caso do pronome “vós” e suas flexões verbais.

(ii) culta – é falada por quem possui curso superior e mora em centros urbanos, conforme Faraco (2002, p. 39), trata-se da variedade empregada por falantes que mantém contato maior com a modalidade de língua escrita, o que lhes propicia manter uma fala mais próxima dessa modalidade; isto não quer dizer que o sujeito tem mais cultura, mas sim mais tempo de estudo formal e, por isso, mais oportunidade de acesso a textos da cultura escrita.

(iii) coloquial – é a fala comum do dia a dia, das conversas informais, através dela falamos de modo espontâneo e despreocupados com a gramática normativa.

O e-mail também indicava uma Gramática da Língua Portuguesa, segundo o remetente, “ideal para concursos, vestibulares, Enem, colégios técnicos”. Para quem me pede uma sugestão de boa gramática para essa mesma finalidade, sempre falo da gramática de Evanildo Bechara.

modernagramaticaportuguesa

Se a necessidade for conhecimentos sobre variação linguística, diferença entre normas culta e padrão, temas que estão aparecendo cada vez mais nos concursos públicos, a melhor escolha é por obras publicadas pelos linguistas  Marcos Bagno, Carlos Alberto Faraco, Mario Perini, Stella Maris Bortoni-Ricardo.

Ainda havia a indicação de leitura de um livro de Paulo Coelho, que não vou comentar longamente, pois não sou fã desse escritor.

PARA quem quiser conferir, segue o e-mail que eu recebi: DIA DA LG PORTUGUESA

Leia mais sobre o assunto em: FARACO, Carlos Alberto. Norma-padrão brasileira: desembaraçando alguns nós. In: BAGNO, Marcos (org.). Linguística da norma. São Paulo: Loyola, 2002. cap.3. p. 37-61.