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Concordo com a leitura que Mendonça (2014, p. 22) faz do teórico Demerval Saviani, em Escola e Democracia, e afirmo junto com esses autores que, quando se toma a democracia como princípio atuante ou constitutivo do desenvolvimento social, é possível constatá-la por meio da educação, especificamente por meio do acesso irrestrito à educação em todos os níveis. Patto (1988), Machado (2004), Moysés (apud Mendonça, 2014) percebem que o histórico da educação no Brasil, no tocante à compreensão do fracasso escolar, cultiva esse mito (ou poderíamos também chamar de preconceito social institucionalizado?), o qual tem atuado muitas vezes como limitador do acesso à educação para a população que ocupa posição de base na pirâmide social.

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Crédito: © Sangoiri

Quem tem o mínimo de compreensão do que é a uma sociedade democrática não deveria difundir levianamente o estigma do fracasso escolar. Revolto-me ao observar e mesmo conviver com profissionais da Educação e de áreas afins que, sem pensar a respeito, reafirmam o discurso da medicalização da Educação e da vida, conforme defende Moysés (1989). O retrospecto apresentado por Mendonça (2014) destaca o quanto terminologias da Medicina pouco a pouco, desde a década de 60 até hoje, têm circulado com facilidade no ambiente escolar, de modo a banalizar o amparo em diagnósticos, patologias e distúrbios para explicar por que o aluno não se enquadra nos padrões pedagógicos (inflexíveis) da escola. Assim, não é difícil encontrar alunos que não sabem escrever nem falar direito a norma padrão do português brasileiro, porque são disléxicos, hiperativos ou apresentam uma infinidade de problemas neurológicos. Será mesmo? Depois que conheci Cida Moysés, pediatra e professora da Unicamp, descobri que não só podemos como devemos questionar o anúncio do fracasso escolar sob a justificativa de qualquer doença.

Pelo que colocam Patto (1988), Machado (2004), Moysés (apud Mendonça, 2014, p. 25), o aluno de escola pública que apresenta a mínima dificuldade de aprendizagem está sujeito a fracassar  muito mais por sua condição social, que o coloca com naturalidade (?) na fila do encaminhamento precipitado para um tratamento médico. Isto quer dizer que, na maioria das vezes, a dificuldade de aprendizagem é problema do outro, do aluno incompetente, provavelmente adoecido por sua pobreza. Embora a classe social funcione, a princípio, como indicador de fracasso ou sucesso escolar, o aluno elitizado, quando não aprende ou não demonstra alguma competência no mesmo tempo que seus colegas, também não escapa de uma doencinha. Conheço casos verídicos que me foram relatados quando comentei o que tinha aprendido sobre a questão da medicalização com colegas e amigos.

Diante dessa discussão que perpassa décadas sem levar à superação de tanto preconceito num ambiente  (a escola) em que o norte é incluir cidadãos, é requerida a autocrítica constante do educador e a redefinição da escola pública que se quer oferecer à sociedade. E assim, quem sabe, deixar de lado a crença no fracasso escolar.

 

Referências:

MENDONÇA, Fernando Wolff. Dificuldades de aprendizagem e distúrbios de aprendizagem: leitura, escrita e matemática. Maringá, PR: UniCesumar/NEAD, 2014.

MACHADO, Adriana Marcondes. Encaminhar para a saúde quem vai mal na educação: um ciclo vicioso? Disponível em: < http://efp-ava.cursos.educacao.sp.gov.br/Resource/282801,55F,216/Assets/NB/pdf/nb_m07t11b.pdf>. Acesso em: 8 nov. 2014.

MOYSES, Maria Aparecida. Fracasso Escolar: uma questão médica? Ideias (UNICAMP), v. 1, p. 1, 1989.

PATTO, Maria Helena de Souza. O fracasso escolar como objeto de estudo: anotações sobre as características de um discurso. Cad. Pesq., São Paulo, n. 65, p. 72-77, mai. 1988.

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A seguir reproduzo o sumário com os trabalhos publicados no volume 1 da edição nº 15
da revista Cadernos de Linguagem e Sociedade (L&S) que está vinculada ao Programa de
Pós Graduação em Linguística da UnB.

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Sumário
http://seer.bce.unb.br/index.php/les/issue/view/909
 
Editorial
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EDITORIAL do volume 15(1)2014 de L&S (5)
	Denize Elena Garcia da Silva
 
Artigos de pesquisa
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Palavras e imagens na educação de pessoas jovens e adultas. Onde está o
sujeito? Apontamentos para a pesquisa. (7 - 21)
	Maria Rosa R Martins de Camargo
Uma análise de deslocamento cultural na obra de William Foote Whyte
“Sociedade de Esquina” (22 - 35)
	Damaris Fabiane Storck,	Henrique Evaldo Janzen
Luta de Línguas: Panorama Histórico-Cultural da Língua Portuguesa no
Brasil do Século XVI (36 - 49)
	Maurício Silva,	Maurício Silva
Narrativas de “choque” e “fascinação” no Colégio Pedro II (50 -
68)
	Tatyana Marques de Macedo Cardoso
Discurso na mídia: construção simbólica de ideologia e poder (69 - 83)
	Vicentina Maria Ramires,	Izabela Pereira Fraga
Gerenciamento de vozes no discurso midiático: Caros Amigos x Época (84 -
100)
	Daniele de Oliveira
Variaciones del léxico de especialidad en contextos extrajudiciales de
resolución de conflictos en español (101 - 116)
	Francisco J. Rodríguez-Muñoz,	Susana Ridao Rodrigo
Estado de excepción y políticas de emergencia: su impacto sobre la
construcción simbólica del espacio habitacional (117 - 140)
	Mariana Marchese
Do discurso mítico ao discurso publicitário na propriedade da
equivalência (141 - 151)
	Dina Maria Martins Ferreira
 
Resenhas
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BAKHTIN, M. Questões de estilística no ensino da língua. Tradução,
posfácio e notas de Sheila Grillo e Ekaterina Vólkova Américo;
apresentação de Beth Brait; organização e notas da edição russa de
Serguei Botcharov e Liudmila Gogotichvíli. São Paulo: Edit (152 - 155)
	Anderson Cristiano da Silva
Resenha crítica (156-160)
	Anna Clara Viana de Oliveira
FAIRCLOUGH, Norman. Analysing discourse: the critical study of language. 2.
ed. UK: Pearson Education, 2010. (161 - 165)
	Denise Silva Macedo
 
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Papers on Language and Society
http://seer.bce.unb.br/index.php/les

Aproveitando o gancho do assunto do momento – a Copa do Mundo – experimentei utilizar uma canção que tratasse de futebol e do significado desse esporte para os brasileiros, para então estimular discussões nas turmas de 9º ano a respeito de estereótipos e clichês que estão associados ao tema e, consequentemente, viabilizar a percepção crítica de como é construída nossa identidade nacional. Além do tema transversal, tinha como objetivo explorar usos de linguagem informal e orações subordinadas adjetivas na letra da canção.

A canção escolhida foi “País do Futebol”, um rap composto por MC Guimê, a qual foi apresentada em sala por meio de videoclipe disponível no site Youtube. A opção pareceu interessante porque o vídeo inclui cenas de um filme gravado em favelas do Rio de Janeiro e São Paulo (Pelada, futebol na favela, dirigido por Fred Ouro Preto), explora diversas realidades sociais e expõe depoimentos pessoais acerca de possibilidades de ascensão social no Brasil para quem faz parte de classe social menos favorecida economicamente.

Segue o vídeo reproduzido em sala de aula:

Link de impresso com letra da canção.

Exemplos de atividades propostas:

1) A canção “País do futebol”, composta por MC Guimê, retrata realidades diferentes, que tomam como possibilidade de transformação social (ou melhoria de vida) a construção de carreira profissional na área do esporte, como o futebol,  e das artes. Você concorda com essa percepção? Você considera que somente o futebol e a vida artística são caminhos para superar a pobreza na sociedade brasileira, conforme a mídia divulga frequentemente? Exponha sua opinião através de um breve comentário que responda aos dois questionamentos.

2) Retire do texto partes em que o compositor trata de situações de ascensão social ou mudança de classe social.

3) O que o compositor quer diz através dos seguintes versos?

No flow**, por onde a gente passa é show
Fechou, e olha onde a gente chegou
Eu sou… País do Futebol Nego
Até gringo sambou, tocou Neymar é gol!

Podemos afirmar que MC Guimê fala em nome de um grupo que mudou de vida ou conquistou algo importante? Se sim, indique que grupo é esse e o que foi conquistado. (Para ampliar sua compreensão, procure os significados de gírias e termos estrangeiros utilizados.)

4) Observe este trecho da letra da música: “Ô minha pátria amada e idolatrada“. Você conhece outra composição musical que contenha um trecho parecido com este? Qual?

5) A letra do rap apresenta diversos termos e expressões que são próprios de modalidade informal do português brasileiro. Explique o significado ou como você entende as expressões abaixo destacadas:

a- “por onde a gente passa é show

b- “De nave do ano tô na passarela”

c- “Maloqueiro

d- “Pra fazer a quebrada cantar “memo””

6) Vamos recuperar alguns dizeres do vídeo?
– Para isto, indique quem diz cada uma das orações adjetivas abaixo (EMICIDA – NEYMAR – MC GUIMÊ).
– Circule os pronomes relativos e sublinhe seus antecedentes.

a- “Isso é uma coisa que eu sempre acreditei.”

b- “A música foi a ferramenta que eu encontrei pra mostrar pro mundo a minha verdade.”

c- “A gente tem que acreditar no sonho que a gente quer.”

d- “E a menina que sonha em ser uma atriz de novela”.

e- “Tu que venceu a desnutrição”.
** Palavra utilizada no contexto linguístico do rap e grafite, a qual pode ser entendida como “prazer em executar aquilo que se propõe a fazer”. Leia mais em: O FLOW (Blog Grafite em Movimento BH).

 

“Receita pra lavar palavra suja” é uma criação poética de Viviane Mosé não só interessante, mas ainda metalinguística (!) como toda poesia boa. Segundo a metáfora da poetisa, a palavra é como uma roupa, já a metalinguagem fica por conta dos usos das palavras/roupas. Por isso, compartilho o vídeo em que a autora recita com gosto sua composição:


É que eu queria dizer uma coisa que eu não posso sair dizendo por aí
Na verdade é um segredo que eu guardo
É uma revelação que não posso sair dizendo por aí
Que eu tenho medo que as pessoas se desequilibrem de si
Que elas caiam delas mesmas quando eu disser
Eu descobri que a palavra não sabe o que diz
A palavra delira
A palavra diz qualquer coisa
A verdade é que a palavra nela mesmo em si própria
Não diz nada
Quem diz é o acordo estabelecido entre quem fala e quem ouve
Quando existe acordo, existe comunicação
Quando esse acordo se quebra, ninguém diz mais nada
Mesmo usando as mesmas palavras
A palavra é uma roupa que a gente veste (…)

 

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O homem e seu carnaval

Crédito: © Michael Flippo - Fotolia

Crédito: © Michael Flippo

Deus me abandonou
no meio da orgia
entre uma baiana e uma egípcia.
Estou perdido.
Sem olhos, sem boca
sem dimensões.
As fitas, as cores, os barulhos
passam por mim de raspão.
Pobre poesia.

O pandeiro bate
é dentro do peito
mas ninguém percebe.
Estou lívido, gago.
Eternas namoradas
riem para mim
demonstrando os corpos,
os dentes.
Impossível perdoá-las,
sequer esquecê-las.

Deus me abandonou
no meio do rio.
Estou me afogando
peixes sulfúreos
ondas de éter
curvas curvas curvas
bandeiras de préstitos
pneus silenciosos
grandes abraços largos espaços
eternamente.

Respeito

O que está sendo feito
Pode ser de outro jeito
O que já se fez e bem feito
O que está sendo feito
Pode não estar direito
O que passou é perfeito
O que está acontecendo
Pode ter defeito
O que já foi eu aceito
O que está acontecendo
Pode ser de outro jeito
O que passou merece
Respeito

(Arnaldo Antunes)

Crédito: Carolina Santos

Crédito: Carolina Santos

Ser Diferente É Normal

Todo mundo tem seu jeito singular
De crescer, aparecer e se manifestar
Se o peso na balança é de uns quilinhos a mais
E daí, que diferença faz?

Todo mundo tem que ser especial
Em seu sorriso, sua fé e no seu visual
Se curte tatuagens ou pinturas naturais
E daí, que diferença faz?

Já pensou, tudo sempre igual?
Ser mais do mesmo o tempo todo não é tão legal
Já pensou, sempre tão igual?
Tá na hora de ir em frente:
Ser diferente é normal!

(Preta Gil)

“Quer um exemplo bem trivial? “Bunda”. Essa palavra também é africana, pode ter certeza. Se não fosse por ela, teríamos que dizer “nádegas”, que é efetivamente o termo português para essa parte do corpo humano. Da mesma maneira, em vez de “cochilar”, teríamos que dizer “dormitar”. Em vez de “caçula”, usaríamos uma palavra bem mais complicada: “benjamim”. Empolado, não é?” (STRECKER, 2006)

palavras origem africana

Leia mais em: Africanismos no português do Brasil (Revista de Letras).

Está reunido aqui o conteúdo de três materiais publicados recentemente (sites Universia Brasil, O Globo – Educação, InfoEnem) com a finalidade de sugerir tópicos que, segundo profissionais da área, poderão ser abordados na proposta de redação da prova do Enem em 2013 ou mesmo nas questões objetivas. De modo geral, os temas apontados recaem sobre seis grandes grupos de assuntos debatidos e explorados densamente pela mídia neste ano, conforme segue:

ENERGIA – água, sustentabilidade, petróleo;

energia

Crédito: meioambiente.culturamix.com

JUVENTUDE – diversão e responsabilidade na juventude, a juventude no século XXI, supervalorização do corpo;

TRABALHO – leis trabalhistas no Brasil, relações trabalhistas no Brasil, regulamentação do trabalho doméstico;

SOCIEDADE – direitos humanos no Brasil, homofobia, participação social e trabalho voluntário;

PRIVACIDADE – violação da privacidade, espionagem norte-americana de dados brasileiros;

GEOPOLÍTICA – manifestações populares, mobilidade urbana, Mais Médicos, julgamento do Mensalão, identidade do povo brasileiro.

Argumentos para 3 temas que podem cair na redação (Universia Brasil)

DICA: desenvolver previamente argumentos para os possíveis temas da redação ajuda na hora de redigir o texto.

Vejamos alguns exemplos:

A homofobia é um assunto muito tratado por levar o jovem a aceitar o diferente. É preciso que o candidato reflita sobre a intolerância de qualquer tipo, uma vez que campanhas contra a homofobia são vistas quase semanalmente na mídia brasileira. Esse tema tem apelo quanto aos direitos humanos, sendo muito valorizado pelo Enem.

A regulamentação do trabalho doméstico incentiva a inclusão social por indicar que a empregada doméstica passa a ser vista como uma verdadeira profissional. Com esse tema também é possível tratar os direitos humanos, bem como a conquista que vai querer ser ressaltada pelo governo.

A internet foi um tema abordado na redação da edição de 2011 do exame, porém, a espionagem norte-americana de dados brasileiros é um dos temas que pode cair na edição deste ano. É importante refletir sobre os motivos para essa espionagem, principalmente agora que o pré-sal pode fazer do Brasil um país autossuficiente em petróleo. Não deixe de desenvolver os seus argumentos para chegar com uma opinião formada no dia da prova.

Leia mais em: Universia Brasil

7 possíveis temas da redação Enem 2013 (InfoEnem)

por Rogerio de Souza**

As sugestões do site relacionam questões de menor dimensão a um tema mais  abrangente, estratégia que pode ser adotada na prova para estender a discussão do tema tendo em vista diversos contextos históricos.

DICAS: leitura da matéria seguida da escrita de redações sobre alguns dos temas citados, assim como a leitura de notícias sobre cada um dos temas. Com isso é possível adquirir alguma base de conhecimento sobre os assuntos que permitirá a construção de argumentos e proposta de intervenção no texto a ser produzido.

Vejamos quais temas e como podem ser abordados:

A juventude no século XXI – A partir de trechos ou imagens sobre a Tragédia de Santa Maria (Boate Kiss), Jornada Mundial da Juventude e a presença/protagonismo dos jovens nos Protestos de Junho de 2013.

Petróleo – A partir de trechos ou imagens sobre os 60 anos da criação da Petrobras, 40 anos da Primeira Crise do Petróleo e o Pré-Sal.

Mobilidade urbana – A partir de trechos ou imagens sobre os engarrafamentos na cidade de São Paulo (opção por transporte individual), problemas para ampliar as linhas de metrô/ônibus e os Protestos de Junho de 2013 exigindo melhoria na mobilidade urbana.

As leis trabalhistas no Brasil – A partir de trechos ou imagens sobre os 70 anos da CLT, a PEC das Domésticas e a diminuição das taxas de desemprego nos últimos anos (aumento do emprego formal).

Direitos humanos no Brasil – A partir de trechos ou imagens sobre o AI-5 (1968 – 45 anos), os abusos de autoridade em pleno século XXI e a atuação da Comissão da Verdade.

Violação da privacidade – A partir de trechos ou imagens sobre o ex-funcionário da CIA Edward Snowden, das revelações de Julien Assange (Wikileaks), das divulgações de grampos realizados pela justiça e fotos não autorizadas divulgadas na internet (ex. Carolina Dieckmann).

Água e sustentabilidade – A partir de trechos ou imagens sobre 2013 ser o ano internacional da água, o Brasil como um dos maiores reservatórios de água potável e a seca no nordeste (considerada uma das maiores de todos os tempos).

** Rogério de Souza é sociólogo formado pela Unesp e doutor pela Unicamp. Dentre outras atividades, é coordenador de curso pré-vestibular comunitário (CEP-SR) e professor de História e Sociologia.

Leia mais em: InfoEnem

10 assuntos que podem ser tema da redação do Enem (O Globo)

1- Água e sustentabilidade

Segundo o professor de Língua Portuguesa do Colégio Alfa Cem Bilíngue, Cosme Cunha, este é o tema mais aguardado, pois 2013 é o “ano da água”. Segundo ele, vale a pena os candidatos perceberem onde estão as reservas, de que maneira o aquecimento global interfere nelas, prejuízos trazidos pelo agronegócio e, por fim, medidas pessoais do cotidiano que podem minimizar o desperdício.

2- Energia

O professor Cosme Cunha lembra que o tema figura como um dos mais apostados pelos professores, nos últimos anos. Então, é importante estar por dentro da questão energética no Brasil. Saber de onde vem a energia consumida no país, os impactos ambientais gerados por elas e quais as fontes alternativas que podem ser usadas é de suma importância. Para Cosme, é importante que o aluno saiba debater a questão energética propondo soluções para os gargalos no setor.

3- Manifestações populares

De acordo com a professora de Língua Portuguesa e Redação do Colégio Notre Dame-Recreio, Maria Carolina Oliveira, “o gigante acordou” foi, talvez, a expressão mais utilizada no cenário nacional em 2013. Por isso, é um forte candidato a tema de redação. “Milhares de pessoas, em todo o Brasil, foram às ruas reivindicar a construção de um país melhor, com saúde e educação, sem corrupção. No entanto, questiona-se a transformação da indignação popular em votos conscientes, quando as próximas eleições acontecerem no próximo ano”, destaca a professora.

4- Relações trabalhistas no Brasil

Outra dica da professora Maria Carolina. Como ela lembra, a consolidação das leis trabalhistas brasileiras completa 70 anos em 2013. Logo, todos os temas relacionados à situação atual do trabalhador no Brasil são possíveis. “Trabalho infantil, mercado informal e situações de trabalho escravo podem ser assuntos contemplados pela banca do Enem. Além disso, não se pode esquecer que a PEC das Domésticas motivou inúmeras discussões acerca das relações trabalhistas no começo deste ano”, comenta.

5- Supervalorização do corpo

Esta dica é do professor de Língua Portuguesa, Literatura e Redação do Colégio Liessin, Daniel Jorge. Segundo ele, vivemos numa sociedade cuja imagem tem muita força. Em função disso, não são raros os casos de jovens e adultos que se submetem aos mais excêntricos e perigosos recursos para alcançar a considerada forma perfeita. “E a mente? Será que acompanha o ritmo do corpo? Vale a pena refletir”, recomenda o professor.

6- Diversão e responsabilidade na juventude

Para o professor Daniel Jorge, o episódio da Boate Kiss, que causou a morte de 242 pessoas em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, trouxe uma reflexão sobre os riscos da diversão entre os jovens. “Será que é uma questão de ‘inconsequência juvenil’, como dizem por aí, ou mesmo uma questão de controle por parte das autoridades?”, questiona.

7- Identidade do povo brasileiro

“Como é construída a identidade do povo brasileiro?” Este é um tema que, segundo a professora de Língua Portuguesa e Redação do Colégio e Curso Pensi, Carolina Pavanelli, poderia facilmente ser cobrado no Enem. Ela justifica: “As vertentes sociais e culturais aparecem no edital do ENEM como possibilidades temáticas. Até hoje, ainda não foi discutido na redação o que faz de nós o que somos enquanto povo, cultural e socialmente.”

8- Participação social e trabalho voluntário

Como nota a professora Carolina Pavanelli, este tema também ainda não caiu nas redações do ENEM. Por isso, ela acha que tem chance de ser cobrado. Como ela exemplifica, o assunto pode vir aliado a uma reflexão sobre como as manifestações populares que ocorreram este ano ajudam a reforçar uma forte tendência ao questionamento do nosso papel enquanto sociedade.

9- Julgamento do Mensalão

Como avalia a professora de Língua Portuguesa do Mopi, Catarina Schumann, o julgamento e a punição de políticos por corrupção é um fato histórico no Brasil, até então. Por isso, segundo ela, o aluno tem que estar antenado com todo o cenário político que está por trás do julgamento, caso ele seja cobrado na prova.

10- Mais Médicos

Outra dica da professora Catarina Schumann é o recente programa lançado pelo governo federal, que trouxe médicos estrangeiros para suprir a carência de profissionais no país. De acordo com ela, é importante o aluno saber todos os aspectos que cercam essa política, como as baixas no serviço de saúde pública no Brasil

Leia mais em: O Globo – Educação

A mágica da máquina de escrever

A mágica da máquina de escrever. Crédito: autor desconhecido

Disquete?!?

Disquete?!?

A rede social mais popular do Brasil antes do Facebook.

A rede social mais popular do Brasil antes do Facebook

Entre o presencial e o virtual, difícil escolha?

O pragmatismo virtual. Créditos: autor desconhecido

Inversão de valores da sociedade

Inversão de valores da sociedade

"Virtualidade e atualidade são apenas duas maneiras de ser diferentes." - Pierre Levy

“Virtualidade e atualidade são apenas duas maneiras de ser diferentes.” – Pierre Levy

A construção do conhecimento em debate

A construção do conhecimento em debate

A visão cega

A visão míope

“Enquanto tal, a virtualização não é nem boa, nem má, nem neutra. Ela se apresenta como o movimento mesmo do “devir outro” – ou heterogênese – do humano. Antes de temê-la, condená-la ou lançar-se às cegas a ela, proponho que se faça o esforço de apreender, de pensar, de compreender em toda a sua amplitude a virtualização” (O que é o virtual? – Pierre Levy, p. 11-12).

Sobre os tão conhecidos e até esperados desencontros entre a linguagem do texto literário e do cinema. Sobressai-se aqui a discussão filosófica quanto a tópicos como a “razão manipulatória”, o “pensamento dialético”, a “negação do humanismo”. A crítica que o filme/livro O Leitor não faz sobre “os fundamentos estruturais da sociedade” tem lugar neste artigo de Henrique Wellen para o blog da Revista Espaço Acadêmico.

blog da Revista Espaço Acadêmico

wellenHENRIQUE WELLEN*

 

Via de regra, existe uma tendência de que o processo de adaptação de obras literárias para o cinema repercute em perda de qualidade artística. Seja na impossibilidade de exibição dos detalhes presentes nos livros, seja, especialmente, nas dificuldades em expor qualidades subjetivas dos personagens, os leitores costumam acusar alguma frustração quando se deparam com as transformações dos textos romanescos em filmes. Esse não é, todavia, o caso do filme O Leitor que, inspirado no livro homônimo de Bernard Schlink, tem muito mais a oferecer que a peça original. O filme dirigido por Stephen Daldry não somente consegue narrar melhor a história contida no livro, entrelaçando mais precisamente os tempos narrados, como é capaz de superar algumas das limitações de forma e conteúdo que travejam o texto de Schlink.

A narrativa, que se passa na Alemanha, e que se reparte em tempos históricos distintos, intenta, a partir…

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