Posts com Tag ‘texto’

Um momento da aula de português brasileiro em que dificuldades de aprendizado aparecem bastante é durante a produção de texto, até mesmo para alunos que, a princípio, não requerem atendimento especial. Para essa situação, considero viável a aplicação da teoria da “inteligência plena”, conforme propõem Sternberg e Grigorenko (2003, p. 113), pela qual a adequação das atividades ao que o aluno tem de melhor torna-se uma habilidade a ser buscada, por exemplo, valorizando mais o conteúdo do texto do que a correção ortográfica e gramatical, que requerem um trabalho mais específico para aprendizado.

Um exemplo de atividade apresentado por Sternberg e Grigorenko (2003, p. 115) consiste na produção de poesias com a opção de fazer um haicai (estilo de poema japonês com 3 linhas) para quem não consegue escrever muito. Imagino que poderia ser também uma poesia concreta, que explore a forma e o significado das palavras, sendo indicado para quem gosta de desenhar e brincar com o sentido das palavras. Desse modo, a atividade não se restringiria ao formato convencional de poesia em estrofes com 4 versos ou linhas, talvez melhor alternativa para quem consegue escrever com alguma facilidade.

lua_leminski

No que diz respeito à prática pedagógica, passei pela experiência de auxiliar dado grupo de alunos do 9º ano (três eram supostamente hiperativos e um apresentava déficit de atenção) em atividade de produção de texto opinativo. Esses estudantes não queriam fazer a atividade porque: não gostavam de escrever, não sabiam como começar nem relacionar uma ideia com outra para expressar suas opiniões de um jeito organizado. A dificuldade eu já sabia qual era e a capacidade de cada um também foi identificada, pois todos apresentavam boa competência comunicativa em linguagem falada, só faltava ajuda para expressarem-se no papel em linguagem formal e incentivo para que se mantivessem focados na tarefa.

A estratégia foi atender tanto individualmente, quanto em duplas, enquanto o restante da turma produzia. Primeiramente conversamos sobre o tema proposto de modo descontraído para que conhecessem opiniões diferentes, comparassem com alguma vivência anterior e formulassem oralmente certas conclusões sobre o assunto, até que percebessem qual era a própria opinião. Houve momentos mais complicados em que precisei conduzir mais o processo de escrita, sugerindo ideias relacionadas ao tema, apresentando palavras-chaves para estimular a criatividade e a associação com outras informações já conhecidas. Aos poucos foi saindo o texto, demorou bastante, construímos algumas frases juntos e outras por conta dos alunos. Foi exigido mais envolvimento da professora, mas foi bom ver o quanto ficaram contentes e motivados por receberem esse tipo de atenção.

No relato desse processo de ensino é possível reconhecer a atuação conjunta dos princípios da inteligência plena, conforme destaca Mendonça (2014, p. 18) ao abordar a teoria concebida por Robert Sternberg. Em outras palavras, houve a realização de: análise com a discussão e comparação de ideias adequadas ao tema do texto; criatividade quando surgiram ideias a partir das palavras-chaves sugeridas e conclusões a partir do que foi conversado; prática com a escolha de determinado vocabulário, formulação de frases e expressão por escrito de opiniões.

 

Referências:
MENDONÇA, Fernando Wolff. Dificuldades de aprendizagem e distúrbios de aprendizagem: leitura, escrita e matemática. Maringá – PR: UniCesumar – NEAD, 2014.

STERNBERG, Robert J.; GRIGORENKO, Elena L. Inteligência plena: ensinando e incentivando a aprendizagem e a realização dos alunos. Trad. Maria Adriana Veríssimo Veronese. Porto Alegre: Artmed, 2003.

Anúncios

Nesta reflexão, tento abordar aspectos a serem considerados pelo professor de português brasileiro que se propõe a relacionar literatura e cultura na sala de aula em detrimento de uma prática limitada a leituras superficiais e descontextualizadas do texto literário. Para tanto, volto-me a aspectos como: materialidade linguística, conexão entre literatura e língua, linguagem literária, significação cultural, patrimônio cultural, leitura e produção, história sociocultural, intra e intertextualidade, abordagens de leitura e responsividade.

livros

Crédito: © ra2 studio

O uso de textos literários no ensino de língua materna é visto como de maior importância por José Luiz Fiorin em seu artigo “Linguística e pedagogia da leitura” (2004), publicado na revista Scripta. A relevância apontada pelo linguista recai muito mais sobre a materialidade linguística do texto literário do que sobre questões estéticas, que ficariam em segundo plano. Aqui se tem a leitura focada na língua em uso, acima da beleza das palavras escolhidas pelo escritor.

De certo modo alinhada com Fiorin, no livro “O texto na sala de aula” (2011), Ligia Leite atribui ao avanço dos estudos em Linguística e Teoria Literária a possibilidade de reconhecer que a literatura trabalha com as palavras e, por isso, quem estuda literatura também estuda língua. Particularmente, identifico-me com essa posição na condição de professora de português brasileiro (PB), cuja especialidade é a Linguística Textual.

Pelo mesmo motivo apresentado, Leite (2011) produz sua crítica ao ensino compartimentado de língua e literatura, como se as duas disciplinas fossem saberes desintegrados. A autora inclusive pontua que, dentre todos os usos possíveis, a linguagem literária é uma das opções, assim como o uso referencial no cotidiano, o uso culto ensinado nas escolas. Outra observação interessante de Leite concerne à construção da verossimilhança nas falas de personagens de ficção, efeito buscado pela literatura no tocante a especificidades (classe social, escolaridade, cultura, idade, etc.) da linguagem oral.

Nas palavras de Fiorin (2011), o texto literário mobiliza todas as dimensões e funções da linguagem e com isso tem potencial de tratar da realidade tal como é ou subvertê-la. Ensinar PB com textos literários nessa perspectiva implica uma compreensão macrossemiótica gerada por simbologias culturais acerca de sistemas de significação: do mundo natural e das línguas naturais. Neste ponto, através de Fiorin dialogo com a teoria greimasiana para sustentar que a literatura e outras artes funcionam como “reservatório de signos”, sendo multiplicadores de significação.

Para explorar a significação de textos literários na aula de PB, por exemplo, não cabe apenas tratá-los como patrimônio cultural, objeto de história literária ou obra consagrada pela crítica. Segundo Leite (2004), essa abordagem traduz uma tradição escolar de visão elitista, em que o ensino mantém-se sob o molde da preservação e da recepção estática e, a meu ver, distancia-se da construção do conhecimento e do senso crítico. A descrição de tal prática não deveria fazer parte de concepções e interesses de qualquer instituição de ensino, porque não agrega nada ao desenvolvimento social de um cidadão, de uma comunidade.

O que cabe no ensino de PB é a leitura crítica e a produção de textos com fins literários. De modo inegável, os dois processos solicitam a articulação de elementos intra e interdiscursivos. Assim coloca Fiorin (2004) quando se reporta à pedagogia da leitura e redação, que entendo como o conjunto de métodos e teorias necessários à interpretação/produção textual, conjunto alheio à existência exclusiva de fonte de inspiração para a escrita do aluno. Isto posto, reconheço que o envolvimento com o texto literário não prescinde de inspiração nem depende somente dela. Considero que a interação competente com essa variedade de texto e linguagem é passível de desenvolvimento, pois depende na verdade do acesso ao conhecimento de mundo ou à história sociocultural.

De acordo com a exposição de Fiorin (idem), o trabalho pedagógico com o texto literário conjuga teorias do texto e do discurso com a finalidade de explicitar os sentidos ou as intenções da obra literária. Tem papel agregador nessa proposta, dentre outras teorias, fundamentos da Análise do Discurso (AD) de linha francesa, Semiótica francesa e Linguística Textual. Vejamos brevemente quais pontos das teorias podem interessar.

No campo da AD francesa, as noções de heterogeneidade constitutiva de Bakhtin (discurso indireto depreensível em todo texto) e heterogeneidade mostrada de Authier-Revuz (marcada explicitamente por aspas, discurso direto, etc.; não marcada por discurso indireto livre, alusões, ironias, etc.) habilitam o leitor a acessar os discursos subjacentes ao inventário cultural que constituem o sentido do texto literário. Assim temos o enfoque da interdiscursividade.

A Semiótica francesa, representada por Greimas e seguidores, oferece preceitos para o estudo intradiscursivo do texto literário. Por este viés teórico, há condições para tratar da estruturação textual, organização narrativa, temas e figuras, actorialização (estabelecimento da pessoa, ator), temporalização (relações de tempo na enunciação), espacialização (determinação do espaço), só para citar algumas opções de estudo que levariam ao reconhecimento dos enquadres culturais criados no texto literário.

Com a Linguística Textual, é pela dimensão de construção da coerência e coesão que se pode abordar o texto literário. Em “As cadeias do texto”, Roncarati (2010) trata da reconstrução de cadeias referenciais, um recurso facilitador da leitura e interpretação. Ao cercar os movimentos de introdução, preservação, continuidade, reconfiguração e retomada de referentes textuais, verifica-se a trajetória evolutiva do texto em termos de sequenciação lógica ou disposição de ideias minimamente correlacionadas (a coerência) e de sequenciação referencial ou progressão do fluxo de informações (a coesão). Pode parecer complicada a leitura de texto literário com foco na construção da referência, todavia, acrescento que com olhar voltado para expressões de língua natural, conforme a proposta de Fiorin (2004), o aluno pode chegar à significação do mundo natural onde as culturas são originadas.

No caso da obra de ficção Utopia Selvagem, de Darcy Ribeiro, a aplicação das noções da AD contribuiria para o reconhecimento da relação dialógica com o romance Macunaíma, de Oswald de Andrade, conforme apontei no artigo “A brasilidade e a identidade latino-americana em Utopia Selvagem” (2009), publicado na revista Travessias. Da semiótica greimasiana, através das noções concernentes ao estabelecimento de pessoa-tempo-espaço poderia ser guiada uma leitura de modo a observar os usos de formas pronominais, verbais, adverbiais e circunstanciais que, de algum modo, atuam no enredo da narrativa de Ribeiro. Como última proposição prática, direcionada por teorias do texto, sugiro o exercício de refazer cadeias referenciais para identificação do perfil dos personagens da obra do antropólogo.

De que maneira então trabalhar produtivamente com o texto literário no ensino de PB sem perder de vista os aspectos culturais que compõem os sentidos desse tipo de produção? De um lado, digo que é na perspectiva da recepção/compreensão ativa e da reação/produção responsiva, seguindo a teorização bakhtiniana. De outro lado, é através da leitura crítica, relacionada a outras fontes textuais e enquadres culturais, orientada pelo professor para o alcance de interpretações aceitáveis dos textos. É também por meio da produção livre de outros textos sob propósitos literários, demonstrando compreensão consciente, seja pela adesão, seja pela contraposição, em relação ao sentido geral do texto literário que serve de referência inicial.

Compartilho duas propostas de avaliação para turmas de 9º ano. Através delas, apresento um conjunto de exercícios para verificar as habilidades de:

– leitura e compreensão de textos verbal e não verbal (vídeos publicitários, tirinhas do personagem Armandinho);

– reflexão linguística (usos de plural de nomes compostos, adequação de ortografia, pontuação e repetições);

– análise linguística (reconhecimento e criação das estruturas de frase, oração, períodos simples e compostos);

– produção textual (avaliada sob os critérios de coesão, coerência, criatividade, argumentação, ortografia, pontuação).

Para responder o exercício 1 de leitura e compreensão de cada avaliação será preciso exibir os respectivos vídeos publicitários (disponíveis no site Youtube):

Proposta 1: título “Bebeto estrela comercial do novo GOL”.

 

Proposta 2: título “Porta da escola Volkswagen”.

 

Por fim, os links com as duas versões de avaliações: teste1 e teste2.

 

 

 

Os Cadernos de Semiótica Aplicada (CASA), Qualis B1, têm como objetivo divulgar e debater análises e reflexões teóricas sobre a linguagem, com a finalidade de promover o desenvolvimento científico e institucional das várias correntes metodológicas que estudam o texto e o discurso, com ênfase nas teorias semióticas contemporâneas.

Prazo para submissão até 15/08/2014 (Vol. 12, n. 2 – Dezembro de 2014)

Informações: http://seer.fclar.unesp.br/casa/index

 

RevistaVocábulo: Revista de Letras e Linguagens MidiáticasISSN: 2237-3586 (Qualis B4), publicada pelo curso de Letras do Centro Universitário Barão de Mauá.

Chamada aberta para submissão de originais até 31/05/2014.

Área temática: estudos literários e estudos linguísticos.

Trabalhos devem ser remetidos ao e-mail  revistavocabulo@baraodemaua.br, com cópia para o e-mail revistavocabulo@yahoo.com.br. Obtenha maiores detalhes no site da Revista Vocábulo.

 

Revista de Estudos Linguísticos VEREDAS Online (Qualis A2)

Está aberta a chamada para volume atemático 18 nº 2, da Revista de Estudos Linguísticos Veredas, a ser publicado no segundo semestre deste ano. Prazo para submissão até 26/05/2014.

Informações: http://www.ufjf.br/revistaveredas/2014/02/10/chamada-volume-18-no-2/

 

Revista do GEL (Qualis A2) recebe trabalhos em fluxo contínuo e com eles organiza números semestrais. A Comissão Editorial, ao comunicar a aprovação de um texto a seu(s) autor(es), indica também o número da revista em que ele deverá ser publicado.

Informações pelo link: http://www.gel.org.br/novo/revista-gel/index.php

 

Revista Signótica, Revista do Programa de Pós-Graduação em Letras e Linguística da Faculdade de Letras – UFG (Qualis B1). Volume 25. Nº 2. Chamada aberta para  submissão de trabalhos até 01/07/2014.

Tema: Estudos Linguísticos.

Maiores informações no site da Revista Signótica.

 

Revista Desenredo

Volume 10, n. 2, jul./dez. 2014

Chamada aberta para submissão de originais até 08/08/2014.

Tema: Leitura, produção discursiva e multimodalidade.

Obtenha maiores informações pelo email:  mestradoletras@upf.br e no site da Revista Desenredo.

 

Caderno Seminal Digital

Chamada aberta para nº 21 até 27/04/2014.

Tema: Homorrepresentações ficcionais, sob organização dos Professores Doutores Flavio García (UERJ) e Fabio Figueiredo Camargo (UFU).

Chamada aberta para nº 22 até 20/06/2014.

Dossiê: Estudos do léxico português

Editores: Prof.ª Dr.ª Darcilia Simões (UERJ-Seleprot/BR) e Prof.ª Dr.ª Helena Valentim (UNL/PT)

Maiores informações: http://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/cadernoseminal/index

 

International Journal of Research in Education Methodology

Chamada aberta para publicação de artigos, resenhas, caso de estudo e relatórios.

Maiores informações no site: http://www.cirworld.com/index.php/IJREM/index

 

Revista EID&A – Revista Eletrônica de Estudos Integrados em Discurso e Argumentação

Prazo para submissão de artigos: 01/08/2014

Previsão de publicação da revista nº7 em dezembro de 2014.

Para mais informações: http://www.uesc.br/revistas/eidea/index.php?item=conteudo_normas.php
 

Revista Linguagem em Foco

Vol. 6, n. 1 – número diversificado com prazo para entrega do material até 30/04/14.

Vol. 6, n. 2 – número temático sobre “Variação Linguística e Léxico”, com prazo para entrega do material até 30/06/14.

Normas e outras informações no site da Revista Linguagem em Foco. http://www.uece.br/linguagememfoco/

 

Revista Caracol, uma publicação semestral da Área de Língua Espanhola e Literaturas Espanhola e Hispano-Americana do Departamento de Letras Modernas da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo.

Chamada aberta para submissão de artigos até 20/06/2014.

Tema “Música e Linguagens”.

Consulte normas e outras informações.

 

Cadernos do Tempo Presente

Chamada de artigos e resenhas (fluxo contínuo).

Os textos devem ser enviados por e-mail: caderno@getempo.org.

A resposta para a candidatura será divulgada em até 180 dias.

 

Bakhtiniana. Revista de Estudos do Discurso.

Volume 9/Número 2 – a ser publicada em novembro de 2014

Tema: Letramento e contemporaneidade

Prazo prorrogado para submissão dos originais: 28/04/2014

Volume 10/Número 1 – a ser publicada em junho de 2015

Tema: Discurso literário: diálogo entre arte e cotidiano

Prazo para submissão dos originais: 10/08/2014

Normas de submissão e maiores informações.

 

Revista Miscelânea

Aberta chamada para publicação de artigos até 25/04/2014.

Dossiê: “Revolução e independências: nos 40 anos do 25 de abril”

Normas e outras informações.

 

Millenium. Revista do Instituto Politécnico de Viseu (Portugal)

Aberta chamada de colaborações de tema livre em fluxo contínuo.

Normas e outras informações: http://www.ipv.pt/millenium/

 

Revista Carandá

Aberta chamada para publicação de artigos em fluxo contínuo.

Normas e outras informações: http://cpan.ufms.br/old/index.php?option=com_content&view=category&layout=blog&id=48&Itemid=205

 

Revista Línguas & Letras, publicação semestral do Programa de Pós-Graduação em Letras, vinculado ao Centro de Educação, Comunicação e Artes da Unioeste — Campus de Cascavel.

Aberta chamada para publicação de artigos nas áreas de Estudos Linguísticos e Estudos Literários, em fluxo contínuo.

Normas e outras informações em: http://e-revista.unioeste.br/index.php/linguaseletras

 

Revista EUTOMIA – Revista De Literatura e Linguística (Qualis B1)

Chamada de trabalhos – n.13, v. 01, 2014

Dossiê de Linguística:“Contribuições do Interacionismo Sociodiscursivo para o ensino e a aprendizagem de línguas”

O interacionismo sociodiscursivo, que tem por fundamento a atividade de linguagem como a base das relações sociais e como fator decisivo do desenvolvimento psicológico humano, vem se consolidando como um quadro teórico-metodológico importante para o ensino e a aprendizagem de línguas. Como forma de homenagem ao seu mentor Jean-Paul Bronckart, convidamos docentes, pesquisadores e pós-graduandos para apresentarem artigos que mostrem diferentes utilizações desse quadro teórico em situações de ensino e de aprendizagem de línguas. O objetivo desta publicação é compor um amplo repertório de contribuições que enfatizem a solidez do interacionismo sociodiscursivo. Os artigos e ensaios devem ser interpretativos e analíticos. Aceitam-se contribuições em português, inglês, espanhol e francês.

Dossiê de Literatura: “Osman Lins, 90 Anos”

Em comemoração aos 90 anos de Osman Lins, em julho de 2014, convidamos docentes, pesquisadores, pós-graduandos e críticos literários para apresentarem artigos sobre as diferentes facetas de sua obra e sobre sua atuação como intelectual nos anos de 1960 e 1970. O objetivo desta publicação é compor um amplo quadro de recepção do autor, que enfatize a solidez e a atualidade de sua obra literária, dramática e ensaística. Os artigos e ensaios devem ser interpretativos e analíticos.

Prazo para submissão até 30/06/2014.

Informações pelo link: http://www.repositorios.ufpe.br/revistas/index.php/EUTOMIA/announcement/view/15


Revista Linha D’Água (Qualis B2)

Chamada: Número 27 /2 a ser publicado em dezembro de 2014

Tema: Léxico, Discurso e Ensino

As discussões em torno das concepções do léxico da língua portuguesa do ponto de vista discursivo estão centradas nas várias perspectivas teórico-analíticas e também se abrem para as discussões relacionadas ao ensino.

Prazo limite para entrega dos originais: 30/08/2014

Chamada: Número 28 /1 a ser publicado em junho de 2015

Tema:Tecnologias contemporâneas no ensino de língua portuguesa

Discussões relacionadas a práticas diversas de ensino e aprendizagem da língua portuguesa em ambiente digital: material didático em várias mídias, ferramentas de autoria e escrita colaborativa, objetos de aprendizagem, atividades práticas e demais análises sobre as singularidades discursivas advindas da utilização da tecnologia digital no ensino de língua materna e estrangeira.

Prazo limite para entrega dos originais: 30/03/2015

Informações pelo link: http://www.revistas.usp.br/linhadagua

 

Cadernos de Linguagem e Sociedade – eISSN 2179-4790 – ISSN 0104-9712, (Qualis B1)

Chamada para o vol. 15(1)2014

Para o primeiro volume de 2014, Cadernos de Linguagem e Sociedade abre espaço para artigos de distintas abordagens teórico-metodológicas, mas que contemplem a dimensão discursiva de linguagem. Data prevista para publicação: 11 de julho de 2014.

Prazo limite para submissão: 11/05/2014

Informações: http://seer.bce.unb.br/index.php/les/announcement/view/213

 

Bakhtiniana: Revista de Estudos do Discurso, ISSN 2176-4573

Chamada para o Vol. 9/Número 2 – a ser publicado em novembro de 2014

Tema: Letramento e contemporaneidade

A necessidade de compreensão e produção dos diferentes letramentos tem se imposto aos estudiosos nos últimos tempos, e não apenas na área pedagógica. Considerando tanto a importância do tema quanto o fato de que o próprio Círculo de Bakhtin teria contribuições para o estudo da questão, convidamos pesquisadores e docentes que trabalham com a linguagem a submeterem artigos sobre LETRAMENTO E CONTEMPORANEIDADE para o vol.9, n.2 de Bakhtiniana (Qualis A1), que será publicado em novembro de 2014.

Prazo limite para submissão dos originais: 28/04/2014

Chamada: Volume 10/Número 1 – a ser publicado em junho de 2015

Tema: Discurso literário: diálogo entre arte e cotidiano

Bakhtin e os demais membros do chamado Círculo tiveram uma sólida formação literária, aspecto que está refletido, de diferentes maneiras, na maioria dos trabalhos que constituem a perspectiva dialógica da linguagem.

Prazo limite para submissão dos originais: 10/08/2014

Informações: http://revistas.pucsp.br/bakhtiniana

Crédito: stockfreeimages.com

Crédito: stockfreeimages.com


Revista Signo, publicação do Departamento de Letras e Priograma de Pós-Graduação em Letras da UNISC (Qualis B2).

Chamada de trabalhos:volume 39, nº 67, 2014

O objetivo desse número é reunir linhas de pesquisa em Linguística Cognitiva, tendo como foco as metodologias científicas empregadas nas investigações.

Prazo para submissão até 11/08/2014.

Informações: http://online.unisc.br/seer/index.php/signo/index

 

A Revista DLCV – Língua, Linguística & Literatura da Universidade Federal da Paraíba tem como objetivo divulgar estudos de caráter teórico, experimental ou aplicado, na área de conhecimento em Linguística e Letras e suas diversas interfaces, priorizando contribuições inéditas de autores vinculados a programas de pós-graduação. A revista publica artigos, ensaios, traduções e resenhas elaborados por profissionais vinculados ao ensino e à pesquisa nas áreas em questão, além de textos produzidos por alunos de pós-graduação. (Qualis B3)

O processo de submissão é contínuo e os artigos aceitos serão publicados de acordo com o fechamento de cada volume. São publicados 2 volumes por ano e 1 volume impresso.

Informações: http://periodicos.ufpb.br/ojs/index.php/dclv/index

 

A revista Estudos da Língua(gem), ISSN 1808-1355 – versão impressa ISSN: 1982-0534 –versão online (Qualis B1) é um periódico editado sob a responsabilidade do Grupo de Pesquisa em Estudos da Língua(gem) (Gpel/CNPq) e do Grupo de Pesquisa em Análise de Discurso (GPADis/CNPq), ligados à Área de Linguística do Departamento de Estudos Linguísticos e Literários, da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. Publica textos (resultados de estudos teóricos ou aplicados), preferencialmente, originais e inéditos, de interesse das áreas do domínio das Ciências da Linguagem e interfaces, em português, inglês, francês e espanhol.

Estão abertas chamadas para publicação dos seguintes volumes e números:

Vol. 12, n.2 (dezembro de 2014) – Prazo para submissão: 30/07/2014.

Vol.12, n.3, número especial (teses e dissertações) – Prazo para submissão: 30/07/2014.

Informações: http://estudosdalinguagem.org/seer/index.php/estudosdalinguagem/about/editorialPolicies#custom1

 

A revista Navegações (Qualis B3) é uma publicação semestral do Programa de Pós-Graduação em Letras da PUCRS e do Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias da Universidade de Lisboa e tem por objetivo a divulgação de trabalhos inéditos relacionados com as diversas literaturas de língua portuguesa e com as culturas dos países em que elas são produzidas.

Artigos submetidos entre 01/05 e 31/10 serão publicados no 1º semestre do ano seguinte.
Artigos submetidos entre 01/11 e 30/04 serão publicados no 2º semestre do ano em curso (última data).

Informações: http://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/navegacoes

 

Revista Linguagem & Ensino

Chamada para publicação de artigos até 20/06/2014.

Tema: “Linguagem, Sociedade e Tecnologia”

Maiores informações AQUI.

 

Revista fragmentum, ISSN 1519-9894, Eissn 2179-2194, Qualis B3

Fragmentum 42. Jul-Set de 2014. Literatura.

Tema: A Poesia e a Arte de William Blake e sua Recepção no Brasil

Prazo de envio até 30/06/2014.

Fragmentum 43. Out-Dez de 2014. Entrevista.

Ementa: Este número é dedicado à história de vida de Maria da Glória Bordini, uma das maiores estudiosas de literatura. O volume contará com uma entrevista da pesquisadora e, ademais, serão aceitos textos que discutam as contribuições de Maria da Glória Bordini no âmbito da pesquisa, da docência e da orientação acadêmica.

Prazo de envio até 30/09/2014.

Fragmentum 44. Jan-Mar de 2015. Linguística.

Tema:Linguagem e Sentido 

Ementa: Tratar da linguagem a partir dos modos como os sentidos nela são produzidos implica estabelecer relações entre questões semânticas, questões enunciativas e questões discursivas de diferentes ordens, de acordo com os pressupostos das teorias implicadas em nossas análises.

Prazo de envio até 30/12/2014.

Informações: http://cascavel.ufsm.br/revistas/ojs-2.2.2/index.php/fragmentum/pages/view/Chamadas

 

A Revista Educação em Questão (Qualis B1)é um periódico semestral do Centro de Educação e Programa de Pós-Graduação em Educação da UFRN, com contribuições de autores do Brasil e do exterior. Publica trabalhos de Educação sobre a forma de artigo, resenha de livro e documento histórico. Fluxo contínuo.

Informações: http://www.revistaeduquestao.educ.ufrn.br/apresentacao.html
A Revista Linguasagem, ISSN 1983-6988 (Qualis B3), está com chamada aberta para textos na área de estudos linguísticos e literários, além de seção para textos literários. As edições não possuem temas específicos. Edições ou dossiês temáticos possuem “chamadas” específicas.

Os trabalhos devem ser enviados (em fluxo contínuo, ou seja, em qualquer época do ano) por e-mail.

Informações: http://www.letras.ufscar.br/linguasagem/edicao20/

Seguem algumas sugestões de atividades para o estudo do tema empréstimos linguísticos no 9º ano do EF.

A) Leitura e interpretação de texto instrucional.

empre licoVersão para impressão: PDF1

B) Elaboração coletiva do infográfico “Empréstimos Linguísticos no Português Brasileiro”, utilizando palavras previamente pesquisadas pela turma e conteúdo do material da atividade A.

mapa empr licosVersão para impressão (formato de folha A3): PDF2

C) Atividade de aplicação de conhecimentos sobre empréstimos linguísticos (planejada a partir de levantamento de usos inadequados em produções textuais de termos como “facebook“, “twitter“, “orkut” etc).

Objetivo: compreender a diferença da grafia de nomes próprios de origem estrangeira (especificamente de sites, programas, aplicativos, jogos etc.) em logotipos, endereços eletrônicos e textos escritos; a proposta é que o aluno complete o quadro com as formas usadas no texto escrito.

logotipos

 

– Tema da aula: bullying

– Objetivos: compreender texto audiovisual; refletir sobre tema transversal (ética, respeito, cidadania, bullying); formar opinião sobre o tema e suas consequências nas relações humanas; reconhecer a prática de bullying como ato de violência.

– Série: 9º ano do Ensino Fundamental

– Vídeo para apresentação: Sobre o Bullying

 

 

– Atividade para compreensão de texto audiovisual:

exercicio bullying

 

 

Este conteúdo está protegido por senha. Para vê-lo, digite sua senha abaixo:

– Tópicos de linguagem: empréstimos linguísticos, estrangeirismos ou empréstimos vocabulares

– Temas transversais: dominação cultural, identidade nacional

– O texto na sala de aula:

CAPITULAÇÃO

Delivery
Até pra telepizza
É um exagero.
Há quem negue?
Um povo com vergonha
Da própria língua
Já está entregue.
Degradação da espécie humana

Degradação da espécie humana

 

 

Crédito: Revista Bula

Crédito: Revista Bula

Pedimos a 15 convidados — escritores, críticos, jornalistas — que escolhessem os poemas mais significativos de Paulo Leminski. Cada participante poderia indicar entre um e 15 poemas. Escritor, crítico literário e tradutor, Paulo Leminski foi um dos mais expressivos poetas de sua geração. Influenciado pelos dos irmãos Augusto e Haroldo de Campos deixou uma obra vasta que, passados 25 anos de sua morte, continua exercendo forte influência nas novas gerações de poetas brasileiros. Seu livro “Metamorfose” foi o ganhador do Prêmio Jabuti de Poesia, em 1995. Entre suas traduções estão obras de James Joyce, John Fante, Samuel Beckett e Yukio Mishima. Na música teve poemas gravados por Caetano Veloso, Gilberto Gil, Guilherme Arantes; e parcerias com Itamar Assumpção, José Miguel Wisnik e Wally Salomão.

Paulo Leminski morreu no dia 7 de junho de 1989, em consequência de uma cirrose hepática que o acompanhou por vários anos. Os poemas citados pelos participantes convidados fazem parte do livro “Melhores Poemas de Paulo Leminski”, organização de Fred Góes, editora Global. Abaixo, a lista baseada no número de citações obtidas.

Bem no fundo

No fundo, no fundo,
bem lá no fundo,
a gente gostaria
de ver nossos problemas
resolvidos por decreto

a partir desta data,
aquela mágoa sem remédio
é considerada nula
e sobre ela — silêncio perpétuo

extinto por lei todo o remorso,
maldito seja quem olhar pra trás,
lá pra trás não há nada,
e nada mais

mas problemas não se resolvem,
problemas têm família grande,
e aos domingos
saem todos a passear
o problema, sua senhora
e outros pequenos probleminhas.

Dor elegante

Um homem com uma dor
É muito mais elegante
Caminha assim de lado
Com se chegando atrasado
Chegasse mais adiante

Carrega o peso da dor
Como se portasse medalhas
Uma coroa, um milhão de dólares
Ou coisa que os valha

Ópios, édens, analgésicos
Não me toquem nesse dor
Ela é tudo o que me sobra
Sofrer vai ser a minha última obra

Invernáculo

Esta língua não é minha,
qualquer um percebe.
Quem sabe maldigo mentiras,
vai ver que só minto verdades.
Assim me falo, eu, mínima,
quem sabe, eu sinto, mal sabe.
Esta não é minha língua.
A língua que eu falo trava
uma canção longínqua,
a voz, além, nem palavra.
O dialeto que se usa
à margem esquerda da frase,
eis a fala que me lusa,
eu, meio, eu dentro, eu, quase.

O que quer dizer

O que quer dizer diz.
Não fica fazendo
o que, um dia, eu sempre fiz.
Não fica só querendo, querendo,
coisa que eu nunca quis.
O que quer dizer, diz.
Só se dizendo num outro
o que, um dia, se disse,
um dia, vai ser feliz.

M. de memória

Os livros sabem de cor
milhares de poemas.
Que memória!
Lembrar, assim, vale a pena.
Vale a pena o desperdício,
Ulisses voltou de Tróia,
assim como Dante disse,
o céu não vale uma história.
um dia, o diabo veio
seduzir um doutor Fausto.
Byron era verdadeiro.
Fernando, pessoa, era falso.
Mallarmé era tão pálido,
mais parecia uma página.
Rimbaud se mandou pra África,
Hemingway de miragens.
Os livros sabem de tudo.
Já sabem deste dilema.
Só não sabem que, no fundo,
ler não passa de uma lenda.

Parada cardíaca

Essa minha secura
essa falta de sentimento
não tem ninguém que segure,
vem de dentro.
Vem da zona escura
donde vem o que sinto.
Sinto muito,
sentir é muito lento.

Razão de ser

Escrevo. E pronto.
Escrevo porque preciso,
preciso porque estou tonto.
Ninguém tem nada com isso.
Escrevo porque amanhece,
E as estrelas lá no céu
Lembram letras no papel,
Quando o poema me anoitece.
A aranha tece teias.
O peixe beija e morde o que vê.
Eu escrevo apenas.
Tem que ter por quê?

Aviso aos náufragos

Esta página, por exemplo,
não nasceu para ser lida.
Nasceu para ser pálida,
um mero plágio da Ilíada,
alguma coisa que cala,
folha que volta pro galho,
muito depois de caída.

Nasceu para ser praia,
quem sabe Andrômeda, Antártida
Himalaia, sílaba sentida,
nasceu para ser última
a que não nasceu ainda.

Palavras trazidas de longe
pelas águas do Nilo,
um dia, esta pagina, papiro,
vai ter que ser traduzida,
para o símbolo, para o sânscrito,
para todos os dialetos da Índia,
vai ter que dizer bom-dia
ao que só se diz ao pé do ouvido,
vai ter que ser a brusca pedra
onde alguém deixou cair o vidro.
Não e assim que é a vida?

Amar você é
coisa de minutos…

Amar você é coisa de minutos
A morte é menos que teu beijo
Tão bom ser teu que sou
Eu a teus pés derramado
Pouco resta do que fui
De ti depende ser bom ou ruim
Serei o que achares conveniente
Serei para ti mais que um cão
Uma sombra que te aquece
Um deus que não esquece
Um servo que não diz não
Morto teu pai serei teu irmão
Direi os versos que quiseres
Esquecerei todas as mulheres
Serei tanto e tudo e todos
Vais ter nojo de eu ser isso
E estarei a teu serviço
Enquanto durar meu corpo
Enquanto me correr nas veias
O rio vermelho que se inflama
Ao ver teu rosto feito tocha
Serei teu rei teu pão tua coisa tua rocha
Sim, eu estarei aqui

Poesia:

“words set to music” (Dante
via Pound), “uma viagem ao
desconhecido” (Maiakóvski), “cernes
e medulas” (Ezra Pound), “a fala do
infalável” (Goethe), “linguagem
voltada para a sua própria
materialidade” (Jakobson),
“permanente hesitação entre som e
sentido” (Paul Valery), “fundação do
ser mediante a palavra” (Heidegger),
“a religião original da humanidade”
(Novalis), “as melhores palavras na
melhor ordem” (Coleridge), “emoção
relembrada na tranquilidade”
(Wordsworth), “ciência e paixão”
(Alfred de Vigny), “se faz com
palavras, não com ideias” (Mallarmé),
“música que se faz com ideias”
(Ricardo Reis/Fernando Pessoa), “um
fingimento deveras” (Fernando
Pessoa), “criticismo of life” (Mathew
Arnold), “palavra-coisa” (Sartre),
“linguagem em estado de pureza
selvagem” (Octavio Paz), “poetry is to
inspire” (Bob Dylan), “design de
linguagem” (Décio Pignatari), “lo
impossible hecho possible” (Garcia
Lorca), “aquilo que se perde na
tradução (Robert Frost), “a liberdade
da minha linguagem” (Paulo Leminski)…

Adminimistério

Quando o mistério chegar,
já vai me encontrar dormindo,
metade dando pro sábado,
outra metade, domingo.
Não haja som nem silêncio,
quando o mistério aumentar.
Silêncio é coisa sem senso,
não cesso de observar.
Mistério, algo que, penso,
mais tempo, menos lugar.
Quando o mistério voltar,
meu sono esteja tão solto,
nem haja susto no mundo
que possa me sustentar.

Meia-noite, livro aberto.
Mariposas e mosquitos
pousam no texto incerto.
Seria o branco da folha,
luz que parece objeto?
Quem sabe o cheiro do preto,
que cai ali como um resto?
Ou seria que os insetos
descobriram parentesco
com as letras do alfabeto?

Sintonia para pressa e presságio

Escrevia no espaço.
Hoje, grafo no tempo,
na pele, na palma, na pétala,
luz do momento.
Soo na dúvida que separa
o silêncio de quem grita
do escândalo que cala,
no tempo, distância, praça,
que a pausa, asa, leva
para ir do percalço ao espasmo.

Eis a voz, eis o deus, eis a fala,
eis que a luz se acendeu na casa
e não cabe mais na sala.

Não discuto

não discuto
com o destino
o que pintar
eu assino

A lua no cinema

A lua foi ao cinema,
passava um filme engraçado,
a história de uma estrela
que não tinha namorado.

Não tinha porque era apenas
uma estrela bem pequena,
dessas que, quando apagam,
ninguém vai dizer, que pena!

Era uma estrela sozinha,
ninguém olhava pra ela,
e toda a luz que ela tinha
cabia numa janela.

A lua ficou tão triste
com aquela história de amor
que até hoje a lua insiste:
— Amanheça, por favor!

Sem título

Eu tão isósceles
Você ângulo
Hipóteses
Sobre o meu tesão

Teses sínteses
Antíteses
Vê bem onde pises
Pode ser meu coração

 

Correção de redação na escola
por Cristina Ramos

Corrigir redações – esse sempre foi um problema crucial nas escolas para os professores e pior ainda, para os alunos. Parece que estou vendo. A professora sentada na cadeira de sua mesa, os alunos começam a levantar-se e a colocar seus textos sobre o móvel, dizendo assim: “Não olhe agora, heim, professora?!” E vão colocando seus trabalhos sob aqueles que lá já se encontram. Sem nenhum medo de errar, afirmo que até nossos alunos de nível superior fazem isso ao entregarem seus trabalhos.

Pensando nisto escrevo este artigo que tentará fazer uma breve reflexão sobre o problema de corrigir redações escolares; faço isso após ter lido um livro de Eliana Ruiz, que versa superficialmente sobre o assunto. Tentarei fazer um “entremeio” entre as ideias da autora e as minhas próprias ideias e vamos ver no que vai dar.

Então, como é que se corrige redação na escola? Sempre pensei que o trabalho de reescrita do aluno é decorrente de uma interferência que, fatalmente, o professor fará em seu texto. E aí estava o problema – no modo como o professor intervém no texto do aluno. Minha “grande” sabedoria sabia que a mediação do professor é um dos fatores determinantes do sucesso que o aluno possa ter em seu processo de aquisição da escrita, lógico, entendida aqui como a capacidade de redigir bem, com todos os aspectos que um bom texto requer.

Justamente porque pensava na questão interferência positiva do trabalho de correção, procurava encontrar respostas para:

  • o que é que torna uma correção de redação eficiente?
  • que tipos de estratégias de intervenção escrita é mais produtivo para o aluno?
  • como podemos contribuir para uma produção escrita de maior qualidade?
  • como corrigir uma redação, de modo a levar nosso aluno a progressos significativos na aquisição da escrita?

Afinal, até hoje dizemos aos nossos alunos que um dos principais motivos do seu marasmo em sala de aula do nível superior, o fato de ele não querer mais escrever, de não ter idéias fluindo para produzir um texto – todos esses aspectos são frutos da má estratégia do professor ao corrigir redações, principalmente nas séries iniciais. Será isso verdadeiro? Todas essas indagações fizeram-me realizar um trabalho de análise de redações escolares durante o tempo em que estive em Araraquara/SP, cursando o doutorado. Relato, a partir desse artigo, as minhas conclusões precedidas, é claro, de algum embasamento teórico.

Vamos pensar um pouco, primeiramente nas condições de produção das redações na escola.

Em primeiro lugar, acho que não é a correção de erros gramaticais que induzem o aluno a ser um produtor de bons textos. Acho, numa primeira tentativa de encontrar uma solução, que o que leva ao sucesso a correção de redação e leva o aluno a uma escrita qualitativamente melhor é exatamente a leitura que o professor faz dela. Leituras que tomam o texto todo como uma unidade de sentido são mais produtivas que as que focalizam apenas partes do texto ou unidades menores do que o texto. O que menos interessa, no momento, é a sua análise linguística. Não nos interessa, de modo algum, e aliás condenamos o estilo de correção que consiste em tingir de vermelho o texto e devolvê-lo ao aluno, dando fim ao processo nessa etapa. [Continuar lendo…]

100_6722

Sobre o livro: Como Corrigir Redações na Escola, uma proposta textual-interativa (Eliana Donaio Ruiz), leia o sumário e a apresentação.