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A tirinha do personagem Armandinho, criada pelo ilustrador catarinense Alexandre Beck, pode funcionar como material didático para uma aula de reflexão linguística sobre o uso do PORQUÊ, que tanto gera dúvidas na hora de escrever “junto? separado? com ou sem acento?!?!” A tirinha traz em cada quadro um dos contextos de uso dessa palavra tão explorada pelas crianças na sua primeira infância.

Para descrever o uso do termo de um modo bastante simples, pode-se afirmar que os contextos são: POR QUE como introdutor de pergunta, PORQUE na resposta ou explicação da pergunta, POR QUÊ em posição final de uma pergunta e PORQUÊ como substantivo antecedido de determinante ou artigo.

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Fonte: Depósito de Tirinhas

Fonte: Depósito de Tirinhas, blog Infame Lúdico.

Interessante a maneira como o uso de uma onomatopéia foi explorado na tirinha de Rafael Nemer para produzir o efeito de humor. Aproveitando mais o conteúdo da piada, vejamos como a linguística trata a questão.

A onomatopéia é um fenômeno linguístico bem particular de cada língua. Por exemplo, “miau” tem a seguinte representação linguística em:
alemão – miauen
inglês – mew
francês – miauler

Para uma comparação de outras particularidades linguísticas, podemos consultar um anexo da Wikipedia com lista de onomatopéias em várias línguas. Como se vê, não só a grafia, por consequência, a sonoridade desses vocábulos também é diferente. E isto quer dizer então que um gato domesticado em comunidade de fala francesa mia diferente de um gato do Brasil?

Não é bem assim, segundo Martins (2000), dentre outras definições apresentadas em Introdução à estilística, a onomatopéia diz respeito à imitação acidental de sons pelo homem, ou seja, sua construção está ligada a determinado momento e indivíduo. A partir dessa consideração, é possível entender que o fenômeno vincula-se à cultura de uma língua e caracteriza-se por sua natureza estilística e expressiva (SOUZA, 2007).

Por assim dizer, o mesmo pesquisador conclui que a onomatopéia não é um elemento universal para as línguas naturais e por isso relativiza o princípio saussureano de arbitrariedade do signo, justamente pela variação que há na relação entre significante e significado de onomatopéias nas diferentes comunidades linguísticas. Um dos fatores incidentes é a sonoridade de fonemas próprios de cada língua.

* sui-generis = locução latina que significa “do seu gênero próprio”