Aproveitando o gancho do assunto do momento – a Copa do Mundo – experimentei utilizar uma canção que tratasse de futebol e do significado desse esporte para os brasileiros, para então estimular discussões nas turmas de 9º ano a respeito de estereótipos e clichês que estão associados ao tema e, consequentemente, viabilizar a percepção crítica de como é construída nossa identidade nacional. Além do tema transversal, tinha como objetivo explorar usos de linguagem informal e orações subordinadas adjetivas na letra da canção.

A canção escolhida foi “País do Futebol”, um rap composto por MC Guimê, a qual foi apresentada em sala por meio de videoclipe disponível no site Youtube. A opção pareceu interessante porque o vídeo inclui cenas de um filme gravado em favelas do Rio de Janeiro e São Paulo (Pelada, futebol na favela, dirigido por Fred Ouro Preto), explora diversas realidades sociais e expõe depoimentos pessoais acerca de possibilidades de ascensão social no Brasil para quem faz parte de classe social menos favorecida economicamente.

Segue o vídeo reproduzido em sala de aula:

Link de impresso com letra da canção.

Exemplos de atividades propostas:

1) A canção “País do futebol”, composta por MC Guimê, retrata realidades diferentes, que tomam como possibilidade de transformação social (ou melhoria de vida) a construção de carreira profissional na área do esporte, como o futebol,  e das artes. Você concorda com essa percepção? Você considera que somente o futebol e a vida artística são caminhos para superar a pobreza na sociedade brasileira, conforme a mídia divulga frequentemente? Exponha sua opinião através de um breve comentário que responda aos dois questionamentos.

2) Retire do texto partes em que o compositor trata de situações de ascensão social ou mudança de classe social.

3) O que o compositor quer diz através dos seguintes versos?

No flow**, por onde a gente passa é show
Fechou, e olha onde a gente chegou
Eu sou… País do Futebol Nego
Até gringo sambou, tocou Neymar é gol!

Podemos afirmar que MC Guimê fala em nome de um grupo que mudou de vida ou conquistou algo importante? Se sim, indique que grupo é esse e o que foi conquistado. (Para ampliar sua compreensão, procure os significados de gírias e termos estrangeiros utilizados.)

4) Observe este trecho da letra da música: “Ô minha pátria amada e idolatrada“. Você conhece outra composição musical que contenha um trecho parecido com este? Qual?

5) A letra do rap apresenta diversos termos e expressões que são próprios de modalidade informal do português brasileiro. Explique o significado ou como você entende as expressões abaixo destacadas:

a- “por onde a gente passa é show

b- “De nave do ano tô na passarela”

c- “Maloqueiro

d- “Pra fazer a quebrada cantar “memo””

6) Vamos recuperar alguns dizeres do vídeo?
– Para isto, indique quem diz cada uma das orações adjetivas abaixo (EMICIDA – NEYMAR – MC GUIMÊ).
– Circule os pronomes relativos e sublinhe seus antecedentes.

a- “Isso é uma coisa que eu sempre acreditei.”

b- “A música foi a ferramenta que eu encontrei pra mostrar pro mundo a minha verdade.”

c- “A gente tem que acreditar no sonho que a gente quer.”

d- “E a menina que sonha em ser uma atriz de novela”.

e- “Tu que venceu a desnutrição”.
** Palavra utilizada no contexto linguístico do rap e grafite, a qual pode ser entendida como “prazer em executar aquilo que se propõe a fazer”. Leia mais em: O FLOW (Blog Grafite em Movimento BH).

 

“Receita pra lavar palavra suja” é uma criação poética de Viviane Mosé não só interessante, mas ainda metalinguística (!) como toda poesia boa. Segundo a metáfora da poetisa, a palavra é como uma roupa, já a metalinguagem fica por conta dos usos das palavras/roupas. Por isso, compartilho o vídeo em que a autora recita com gosto sua composição:


É que eu queria dizer uma coisa que eu não posso sair dizendo por aí
Na verdade é um segredo que eu guardo
É uma revelação que não posso sair dizendo por aí
Que eu tenho medo que as pessoas se desequilibrem de si
Que elas caiam delas mesmas quando eu disser
Eu descobri que a palavra não sabe o que diz
A palavra delira
A palavra diz qualquer coisa
A verdade é que a palavra nela mesmo em si própria
Não diz nada
Quem diz é o acordo estabelecido entre quem fala e quem ouve
Quando existe acordo, existe comunicação
Quando esse acordo se quebra, ninguém diz mais nada
Mesmo usando as mesmas palavras
A palavra é uma roupa que a gente veste (…)

 

WordItOut-word-cloud-389287

 

 

Existe um canal no  site Youtube, chamado Nossa Língua, em que são publicados vídeos diversos sobre tópicos linguísticos, sobretudo com relação à etimologia do português. Dentre tantas opções, encontrei uma sequência de 3 vídeos que abordam o uso de palavras de origem estrangeira no português, assim como as diferenças entre o português brasileiro e o português europeu. Veja a seguir o material selecionado:

 

 

 

*** Atividade de compreensão de texto audiovisual (para ser feita enquanto se assiste aos vídeos).

vídeo nossa língua

 

 

 

Indicado não somente para professores de espanhol por ser um belo material para discurtir temas transversais dentro do eixo de valores éticos como Respeito Mútuo, Justiça, Diálogo, Solidariedade. Sendo assim, o tema do curta-metragem espanhol cabe para qualquer área da educação. Embora tenham retirado do YouTube, consegui o link de outro local, de um site português:

http://videos.sapo.pt/NpaSnzJBRH55PLLm1kFY

Falando em Literatura...

Há alguns dias, vi esse vídeo lindíssimo, o curta- metragem que ganhou o Goya 2014 (que é a maior premiação do cinema espanhol). “Cordas” (“Cuerdas”) é baseado em fatos reais, vale a pena ver os quase 11 minutos. É uma criação de Pedro Solís, um desenhista que tem dois filhos: Alejandra, que quando tinha seis anos nasceu seu irmão Nicolás com paralisia cerebral, ele não se movimenta. O amor pelo irmão e as brincadeiras de Alejandra com ele inspiraram a criação dessa história. No final do vídeo, o pai o dedica à família: “à minha filha Alejandra, obrigado por inspirar- me essa história; ao meu filho Nicolás, quem dera nunca ter me inspirado essa história; à Lola, por tudo que você nunca chorou diante de mim.”

Eu fiz as legendas em português e coloquei no meu canal do Youtube, e para minha surpresa, espalhou feito pólvora, em três dias 117.774 visualizações! (até…

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Para entendermos a metalinguagem devemos pensar primeiro como se define a linguagem. Todos nós como falantes de língua portuguesa podemos desenvolver habilidades de expressão verbal através da língua e não verbal por meio de outros modos de expressar uma informação com finalidades diversas.

A soma dos modos de expressão verbal e não verbal constitui a linguagem que, na visão do filósofo Mikhail Bakhtin, é uma atividade social e interacional, justamente porque os falantes que vivem em sociedades usam tais modos de expressão em ações conjuntas com diversos objetivos, dentre eles, a comunicação, a troca de experiências, a busca do conhecimento. Não só a língua, mas também sons, imagens estáticas ou em movimento, elementos gráficos, movimentos corporais, etc. são modos de expressão que realizam atividades sociais, isto é, são modalidades de linguagem.

O linguista Roman Jakobson afirma que o estoque de conhecimento linguístico do falante permite que este fale em sua língua e também fale de/sobre sua língua. Um exemplo prático para entender as maneiras diferentes de usar a língua é imaginar uma pessoa que coloca a cabeça para fora de um veículo em movimento e fica olhando para quem está dentro do carro. Evidentemente é uma atitude arriscada, porém serve para mostrar o que é feito quando se usa a metalinguagem. Isto quer dizer que ocorre um posicionamento externo de quem se expressa para tratar da língua ou de outra modalidade de linguagem. Que outros exemplos de metalinguagem nós temos? O matemático que usa os próprios números para fazer os cálculos; o gramático que usa a própria língua para produziras regras; o falante que usa a própria língua para confirmar se entendeu o que outro falou fazendo a seguinte pergunta: “O que é que você quer dizer?”.

Jakobson também observa que praticamos a metalinguagem desde criança em nossas primeiras experiências de expressão verbal e isto se mantém pela vida toda, tanto que usamos a metalinguagem às vezes sem perceber a inversão de posição para falar da linguagem através dela mesma. Há casos em que a prática da metalinguagem é intencional, mas se tratam de situações específicas cujo objetivo é explorar os significados que o uso metalinguístico pode provocar. Na sequência, teremos contato com outras produções em que a metalinguagem se apresenta.

Materiais sugeridos para desenvolver atividades voltadas ao Ensino Médio:

– vídeo da canção Versos Simples;

– letra da canção Versos Simples;

exercícios.

metalinguagem

Referências bibliográficas

BAKHTIN, M. Estética da criação verbal. Trad. de P. Bezerra. 4. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2003 [1979].

JAKOBSON, R. Linguística e comunicação. 22.ed. Tradução de  Izidoro Blikstein; José Paulo Paes. São Paulo: Cultrix, 2010.

Aula inaugural do curso de Linguística da UFSCar que foi ministrada pelo profº José Luiz Fiorin. Alguns dos tópicos tratados pelo linguista:

Quem escolhe o curso de Letras é porque não teve capacidade de escolher um curso considerado de maior prestígio como Medicina, Direito, Engenharia?

Será que nós temos que aceitar o valor atribuído ao curso de Letras, ao curso de Linguística pelo mercado acadêmico?

Ao mesmo tempo que há um debate, em que há um certo desprezo pelo curso de Letras, pelo curso de Linguística, ao mesmo tempo as questões sobre linguagem apaixonam a sociedade.

A linguagem é uma coisa onipresente na vida de todos nós.

A linguagem paixona porque nos acompanha em todos os fatos de nossa vida.

A exploração da polissemia da língua pela mídia, de certa forma a poesia está dentro
desse lugar [do fazer] da linguagem.

Sobre a linguagem do personagem Analista de Bagé de Luis Fernando Veríssimo.

Ridicularizar a forma de falar de uma pessoa é admitir a própria identidade da pessoa.

O preconceito linguístico existe, é regional, social …

 

 

1. Linhas gerais da proposta de estudo

As implicações de novas tecnologias no contexto social são inegáveis, sobretudo, ao considerar as opções para estabelecer interações sociais surgidas desde a disseminação de inovações como a internet. Na ótica de Crystal (2005), o advento desse novo meio de comunicação afetou toda a sociedade e dispõe de caráter revolucionário concernente a aspectos linguísticos, tecnológicos e sociais.

Ao atribuir um caráter revolucionário à internet, o linguista irlandês conduz à percepção de mudanças de ordem linguística verificadas, por exemplo, em bate-papos virtuais, fóruns de discussão, e-mail. Nesses eventos de comunicação, realiza-se a prática social de estabelecer vínculos (pessoais, comerciais, educacionais, profissionais, etc.) através de uma prática discursiva: a troca de textos escritos em diversos gêneros com traços de oralidade e associados a elementos visuais e sonoros.

A inovação de tal mídia deve-se ao status ser a maior rede mundial de computadores, para Crystal, a principal mudança tecnológica, além do compartilhamento de dados entre computadores, cuja velocidade de processamento depende da configuração atualizada de equipamentos e programas específicos. Por sua vez, o dinamismo e a interatividade, propiciados pela conexão com a rede mundial, estendem-se à comunicação interpessoal feita em ambiente digital ou ao que a literatura linguística e de teorias da comunicação propõem como comunicação mediada por computador (CMC).

Na perspectiva social, o mesmo linguista ressalta mudanças comportamentais decorrentes da CMC, pois, em interação à distância, pessoas contatam amigos, clientes, professores, familiares e inclusive desconhecidos do mundo inteiro. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)[1] confirmavam em 2005 a reconfiguração do comportamento social, exemplificada por: uso concentrado de internet entre jovens de 15 a 17 anos (33,9%), a predominância de usuários pertencentes à população ocupada e estudantil (39,1%) e a constatação de que a comunicação com outras pessoas e educação/aprendizado eram na época as duas principais finalidades de acesso à internet.

Partilhamos da ideia de que a interação social na internet se dá pela troca de textos escritos em diversos gêneros, dentre os quais, destacamos o gênero depoimento publicado na versão brasileira do site de relacionamentos Orkut. Inclusive é possível encontrar em textos dessa variedade traços de outros gêneros digitais, como e-mail, blog e bate-papo virtual. Foi essa consideração empírica que conduziu ao interesse de verificar o comportamento dos depoimentos do Orkut, enquanto gênero que integraria o conjunto de gêneros textuais identificados em situação emergente no contexto da tecnologia de comunicação digital. Para tanto, situamos inicialmente nossa proposta na perspectiva de estudos vislumbrada por Marcuschi (2005: 13):

Os gêneros emergentes nessa nova tecnologia são relativamente variados, mas a maioria deles tem similares em outros ambientes, tanto na oralidade como na escrita. Contudo, sequer se consolidaram, esses gêneros eletrônicos já provocam polêmicas quanto à natureza e proporção de seu impacto na linguagem e na vida social. Isso porque os ambientes virtuais são extremamente versáteis e hoje competem, em importância, entre as atividades comunicativas, ao lado do papel e do som. Em certo sentido, pode-se dizer que, na atual sociedade da informação, a Internet é uma espécie de protótipo de novas formas de comportamento comunicativo. Se bem aproveitada, ela pode tornar-se um meio eficaz de lidar com práticas pluralistas sem sufocá-las […]

Acrescentamos que o interesse em promover o debate na comunidade acadêmica sobre a interferência de novas tecnologias digitais em manifestações linguísticas decorre da possibilidade de examinar um aspecto significativo do processo de reformulação cultural pelo qual passa a sociedade contemporânea, cujo agente principal é a internet. Assim, as mudanças comportamentais – de cunho social e linguístico – são observadas como alterações sujeitas a aspectos da cibercultura, na acepção de Lévy (1999: 17): “o conjunto de técnicas (materiais e intelectuais), de práticas, de atitudes, de modos de pensamentos e de valores que se desenvolvem juntamente com o crescimento do ciberespaço”[2].


[1] Esses dados constam do suplemento da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – PNAD de 2005 sobre acesso à Internet e posse de telefone móvel celular para uso pessoal, um levantamento realizado pelo IBGE em parceria com o Comitê Gestor da Internet no Brasil – CGI.bra.
[2] Ciberespaço é o espaço da Internet, segundo Crystal (2005: 77): “um mundo de informação, presente ou possível, em forma digital (chamado anteriormente de information superhighway)”.

Apresento a síntese da pesquisa que desenvolvi com textos de depoimento do site Orkut. A dissertação foi defendida na UFPR em 2011. O título completo é “O que você tem a dizer sobre (…)? Expressões nominais indefinidas no depoimento do Orkut.”

RESUMO: Esta pesquisa vincula-se à proposta de estudo da Linguística Textual e baseia-se em pressupostos sociocognitivistas e sociodiscursivos para abordar o tema da recategorização lexical marcada por expressão nominal indefinida (ENI). Trabalhamos com um corpus composto de textos de depoimentos produzidos e publicados em páginas de usuários brasileiros do site de relacionamentos orkut. A recategorização lexical consiste na remissão a referente textual ou objeto de discurso já introduzido na memória discursiva através de expressão referencial que o reapresenta sob outra perspectiva, sob nova categoria. O objetivo da pesquisa é examinar o funcionamento de recategorizações lexicais com ENI em depoimentos – espécies de declarações pessoais sobre sujeito com o qual se estabelece vínculo social no contexto real ou virtual – que circulam na versão brasileira do site orkut, o software de suporte desse gênero discursivo. Definimos como hipótese que a recategorização com ENI parece relacionada a características do depoimento do orkut de modo semelhante ao que já se observou em ocorrências de outros tipos de anáfora textual. A hipótese norteia-se não só pela observação de particularidades do gênero como a seleção recorrente de ENIs, o caráter lacunar e fragmentário, o propósito comunicativo, o suporte, mas define-se também pelo pressuposto de envolvimento constante de ENIs em recategorizações lexicais (CUNHA LIMA, 2004) e pela necessidade de estudar aspectos que condicionam o funcionamento da recategorização lexical em certos gêneros discursivos (MATOS, 2004). Realizamos uma análise qualitativa de 34 textos pertencentes a único gênero e, para caracterizar as recategorizações com ENI, levamos em conta as configurações das cadeias referenciais, das estratégias referenciais, das funções argumentativas e dos núcleos nominais das ENIs. Os dados evidenciam que as recategorizações com ENI combinam-se com outras estratégias referenciais, como anáfora com relação meronímica, encapsulamento, rotulação metaenunciativa, tematização-remática; prevalecem dentre as ocorrências de tematização-remática com frases nominais; admitem variações na operação que podem adquirir traços metafóricos e de parcialidade; têm como principal função argumentativa a avaliação, destacando-se também as funções de glosa e estético-conotativa; compõem-se de núcleos nominais (hiperônimos, termos genéricos) que junto com os determinantes indefinidos fortalecem a especificação da categoria ou classe atribuída ao objeto de discurso. Por um lado, concluímos que a recategorização lexical com ENI constitui um recurso produtivo à disposição do enunciador que tem um espaço reduzido a 1024 caracteres para escrever um depoimento no site orkut. Por outro lado, a seleção de ENIs com função integradora de anáfora e predicação direciona a publicação de dizeres concisos e com potencial para agregar uma orientação apreciativa às descrições de que fazem parte.
Palavras-chave: Anáfora textual. Depoimento. Expressão nominal indefinida. Recategorização lexical.

 

RÉSUMÉ: Cette étude est lié à la perspective adoptée par la Linguistique Textuelle et est basé sur les principes sociocognitivistes et sociodiscursives. Le sujet de recherche est la recatégorisation lexicale qui est marquée par l’expression nominale indéfinie (ENI). Nous travaillons sur un corpus formé de témoignages produits et publiés dans les pages des utilisateurs brésiliens du site de réseau social orkut. La recatégorisation lexicale est un processus par lequel l’expression anaphorique se reporte a un référent textuel ou un objet-de-discours déjà introduit dans la mémoire discursive à travers une expression référentielle qui le réintroduit sous un autre angle, sous une nouvelle catégorie. Cette recherche a pour but d’examiner le fonctionnement des récategorisations lexicales avec des ENIs dans les témoignages – des types de déclarations personnelles sur un sujet avec lequel l’énonciateur établit des liens sociaux dans le contexte réel ou virtuel – qui circulent dans la version brésilienne du site orkut, le logiciel de support de ce genre discursif. Nous posons comme hypothèse de recherche si la recatégorisation avec l’ENI semble liée aux caractéristiques des temóignages du site orkut d’une manière similaire à ce qui a déjà été observé dans les occurrences d’autres types d’anaphore textuelle. L’hypothèse est basée non seulement sur l’observation des particularités du genre telles que la sélection récurrente de l’ENI, le caractère lacunaire et fragmentaire, l’objectif communicatif et le soutien, mais également sur la présupposition de l’implication constante de l’ENI dans les recatégorisations lexicales (CUNHA LIMA, 2004) et sur la nécessité d’examiner des aspects qui influencent le fonctionnement des recatégorisations dans certains genres discursifs (MATOS, 2004). Notre étude se fonde sur l’analyse qualitative de 34 textes appartenant à un genre donné et nous prenons en compte les paramètres des chaînes référentielles, des stratégies référentielles, des fonctions argumentatives et des têtes nominales des expressions afin de caractériser les recatégorisations avec l’ENI. Les données montrent que les recatégorisations avec l’ENI : se combinent avec d’autres stratégies de référence, comme anaphore avec la relation méronymique, l’encapsulation, l’étiquetage méta-énonciatif, la thématisation rématique; prédominent parmi les occurrences de thématisation rématique avec des phrases nominales; admettent des changements dans l’óperation qui peut prendre des traits métaphoriques et de partialité; ont pour principale fonction argumentative l’évaluation, en soulignant également les fonctions explicative et esthétique-connotative; se composent des têtes nominales (hyperonymes, termes génériques) qui, avec les déterminants indéfinis, renforcent la spécification de la catégorie ou classe attribuée à l’objet-de-discours. D’une part, nous concluons que la recatégorisation lexicale avec l’ENI est une ressource productive à la disposition de l’énonciateur qui a un espace réduit à 1024 caractères pour écrire un témoignage sur le site orkut. En outre, la sélection des ENIs avec fonction intégrée de la prédication et de l’anaphore dirige la publication de paroles concises étant possible d’ajouter une orientation reconnaissante pour les descriptions dont elles font partie.
Mots-clés: Anaphore textuelle. Témoignage. Expression nominale indéfinie. Recatégorisation lexicale.

Resumo da comunicação

Resumo da comunicação

Realizadores do evento

Sobre os tão conhecidos e até esperados desencontros entre a linguagem do texto literário e do cinema. Sobressai-se aqui a discussão filosófica quanto a tópicos como a “razão manipulatória”, o “pensamento dialético”, a “negação do humanismo”. A crítica que o filme/livro O Leitor não faz sobre “os fundamentos estruturais da sociedade” tem lugar neste artigo de Henrique Wellen para o blog da Revista Espaço Acadêmico.

blog da Revista Espaço Acadêmico

wellenHENRIQUE WELLEN*

 

Via de regra, existe uma tendência de que o processo de adaptação de obras literárias para o cinema repercute em perda de qualidade artística. Seja na impossibilidade de exibição dos detalhes presentes nos livros, seja, especialmente, nas dificuldades em expor qualidades subjetivas dos personagens, os leitores costumam acusar alguma frustração quando se deparam com as transformações dos textos romanescos em filmes. Esse não é, todavia, o caso do filme O Leitor que, inspirado no livro homônimo de Bernard Schlink, tem muito mais a oferecer que a peça original. O filme dirigido por Stephen Daldry não somente consegue narrar melhor a história contida no livro, entrelaçando mais precisamente os tempos narrados, como é capaz de superar algumas das limitações de forma e conteúdo que travejam o texto de Schlink.

A narrativa, que se passa na Alemanha, e que se reparte em tempos históricos distintos, intenta, a partir…

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